Placa de estacionamento rotativo em Nova Friburgo, com limite de 15 minutos.

Estacionamento rotativo pode custar cerca de R$ 40 milhões aos cofres públicos de Nova Friburgo

Licitação chegou a ser suspensa após denúncias, mas já tem data marcada e acontece ainda em 2025

Nova Friburgo discute a contratação de uma empresa privada para administrar o estacionamento rotativo. A medida gera críticas sobre custo de vida e transparência no uso de recursos públicos.
A Prefeitura de Nova Friburgo voltou a movimentar o debate público ao publicar, no Diário Oficial do dia 4 de dezembro, um novo aviso de licitação para implantação e gestão do estacionamento rotativo pago na cidade. A medida reacende uma discussão que já vinha gerando polêmica desde a primeira tentativa de licitar o serviço, suspensa pela Justiça após questionamentos do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) e denúncias de possíveis irregularidades.

Primeira licitação foi suspensa pela Justiça

O processo de licitação anterior, previsto para o dia 7 de maio, foi suspenso após o TCE-RJ conceder tutela provisória determinando a paralisação imediata. O órgão também solicitou à prefeitura informações detalhadas sobre o procedimento. O conselheiro relator Thiago Pampolha acatou denúncias feitas por duas empresas participantes do certame, que apontavam possíveis irregularidades, como “requisitos de qualificação técnico-operacional restritos à competitividade”. Pampolha deu ainda 15 dias para que o prefeito Johnny Maycon (PL) se manifestasse sobre os questionamentos. Em nota enviada à imprensa na época, a prefeitura afirmou que encaminhou os esclarecimentos solicitados e que o processo exigia prudência por envolver uma contratação de grande complexidade. O município confirmou que oito empresas estavam concorrendo. O TCE-RJ também recebeu uma representação apresentada pelo vereador Maicon Gonçalves (Mobilização Nacional), que apontava supostas irregularidades. Contudo, essa representação foi indeferida pelo Tribunal devido à “ausência de elementos”. Com a decisão do TCE-RJ, o estacionamento rotativo permaneceu sem data para sair do papel.

Nova licitação divulgada no Diário Oficial

Agora, o município relançou o aviso de licitação por meio do Pregão Eletrônico nº 90.168/2025, estimado em R$ 38.781.244,71, com abertura prevista para 19 de dezembro, às 10h, no portal Compras.gov.br. O objeto do contrato é a locação e manutenção de uma plataforma integrada de gestão do estacionamento rotativo, incluindo:
  • Parquímetros multivagas
  • Aplicativo de usuário e portal web
  • Terminais de autoatendimento
  • Fiscalização embarcada com câmeras e leitura de placas
  • Softwares de fiscalização manual e integração
  • Equipamentos de suporte
O prazo de concessão previsto é de cinco anos. Segundo o edital anterior, seriam administradas 3.334 vagas, com 5% destinadas a idosos e 2% a Pessoas com Deficiência (PCDs). A arrecadação — estimada em cerca de R$ 19 milhões por ano, além de R$ 9 milhões previstos com mais de 7,5 mil multas mensais — iria integralmente para o município. O valor cobrado dos motoristas ainda não foi divulgado.

Críticas do vereador Cláudio Damião

A nova licitação reacendeu críticas políticas. Nas redes sociais, o vereador Cláudio Damião chamou atenção para o que classificou como “excesso de privatizações” por parte da gestão do prefeito Johnny Maycon, afirmando que essas decisões podem encarecer o custo de vida e levantar dúvidas sobre o uso responsável do dinheiro público. Damião destacou que diversos serviços municipais já estão sob administração de empresas privadas: “Ele só sabe privatizar, mas isso tem custo e quem vai pagar é a população. Assim foi com o serviço de capina e varrição, alimentação hospitalar é terceirizada, ele quer cobrar o IPTU da Morte e agora, uma empresa para gerir o estacionamento público de Nova Friburgo.” A crítica do vereador amplia o debate sobre transparência, custos, impacto ao contribuinte e a real necessidade da concessão do rotativo.

Rotativo segue sem previsão para entrar em vigor

Apesar do avanço administrativo com a nova licitação, o sistema de estacionamento rotativo pago continua sem data para ser implantado de fato. A gestão municipal aguarda os desdobramentos das análises do TCE-RJ referentes ao processo anterior e poderá enfrentar novos questionamentos ao longo do trâmite. Enquanto isso, a polêmica permanece e deverá continuar sendo tema central no cenário político e urbano de Nova Friburgo nas próximas semanas.

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