Prefeitura desativou dois asilos clandestinos em menos de duas semanas. Veja os relatos de horrores praticados
Fiscalização no Catumbi resgata idosos de asilo irregular, constatando maus-tratos, falta de higiene e alimentos inadequados.Na manhã desta quarta-feira (22), uma operação da Secretaria Municipal de Envelhecimento Saudável e Qualidade de Vida (SEMESQV) encontrou idosos amarrados em um asilo clandestino no Catumbi, região central do Rio de Janeiro. O local, que funcionava irregularmente, foi interditado pela segunda vez.Segundo os fiscais, 19 idosos estavam no local, sendo que três deles foram encontrados amarrados, impedidos de se movimentar livremente. Um dos cômodos estava lotado de cadeiras usadas no banho, com paredes descascadas, e um tonel cheio de roupas sujas exalava cheiro forte de urina.“É uma cena lamentável e assustadora chegar em um local que deveria estar interditado e não deveria estar funcionando. Ver três pessoas idosas amarradas, sem poder exercer o direito de ir e vir, é uma vergonha”, afirmou o secretário Felipe Michel.
Condições precárias e falta de alimentação adequada
A Vigilância Sanitária constatou que os internos não tinham acesso à quantidade adequada de proteínas na alimentação. A instituição utilizava uma licença de associação beneficente, quando deveria ter autorização como instituição de longa permanência para idosos.“Temos que ter uma quantidade de proteína para abastecer semanalmente. O que verificamos foi moela para fazer no almoço. A casa já tinha denúncia de maus-tratos e estava interditada, mas o fechamento não foi obedecido”, disse Maria Claudia Castelo, da Vigilância Sanitária.Alguns internos não percebiam a gravidade da situação. Uma idosa relatou que a colega ao lado estava amarrada “para não cair”, prática proibida.
Operações recentes e contexto da fiscalização
Há duas semanas, outro asilo clandestino foi interditado em Campo Grande, na Zona Oeste. Em 2025, a Prefeitura do Rio já fechou 18 instituições irregulares, resgatando 111 idosos de situações de risco.Durante a fiscalização, as equipes constataram:
Ausência de alvará, CNPJ e equipe técnica mínima;
Idosos sem contratos, prontuários ou histórico de atendimento;
Infiltrações em quartos, banheiros e lavanderia;
Alimentos sem identificação ou controle de validade;
Ausência de local apropriado para medicamentos;
Falta de profissionais de saúde: médico, enfermeiro, nutricionista, psicólogo ou assistente social.
O CMS Garfield de Almeida tentou visitas domiciliares, mas foi impedido de acessar o imóvel, reforçando as irregularidades.
Ação conjunta e rede de proteção
A operação envolveu SEMESQV, IVISA-Rio, DEAPTI, SMS, SMAS e CREAS, garantindo interdição total e suporte aos idosos. A iniciativa faz parte do plano permanente de fiscalização e combate a instituições irregulares, fortalecendo a rede de proteção e dignidade do idoso.Denúncias de maus-tratos ou funcionamento irregular podem ser feitas pela Central 1746 ou pelo canal Rio Cuidadoso: (21) 97533-8831.