Foto das vítimas do incêndio no Ninho do Urubu, um centro de treinamento do Flamengo.

Justiça chega a decisão sobre culpa por incêndio no Ninho do Urubu. Você concorda?

Decisão judicial reacende dor e cobrança por responsabilização, seis anos após a tragédia Veja os detalhes

Justiça do Rio absolveu os sete réus restantes do caso Ninho do Urubu, que matou dez jovens do Flamengo em 2019. A decisão gerou forte reação e críticas nas redes sociais.

O que decidiu a Justiça

A Justiça do Rio de Janeiro absolveu, nesta terça-feira, os sete réus que ainda respondiam criminalmente pelo incêndio no centro de treinamento do Flamengo, ocorrido em 2019. A sentença foi assinada pelo juiz Tiago Fernandes de Barros, da 36ª Vara Criminal da Comarca da Capital, que entendeu haver “ausência de demonstração de culpa penalmente relevante” e “impossibilidade de estabelecer nexo causal seguro entre as condutas individuais e a ignição”. Segundo o magistrado, não foi possível responsabilizar individualmente os acusados pelo início do fogo nem pelo alastramento das chamas que provocaram a morte de dez adolescentes.

Reação pública: dor, revolta e sensação de impunidade

Nas redes sociais, a decisão repercutiu de imediato. Diversos perfis expressaram indignação e tristeza com o desfecho. Uma das publicações mais compartilhadas dizia: “Em qual lugar do mundo NINGUÉM seria responsabilizado por uma tragédia como aquela?” Outro comentário viralizou com o tom de frustração: “O ano era 2019. 10 crianças perderam suas vidas, 7 réus foram julgados. Em 2025, todos foram absolvidos. Justiça é o que menos temos no Brasil.” As manifestações também relembraram que os jovens dormiam em contêineres adaptados, uma estrutura provisória usada como alojamento, sem alvará de funcionamento, conforme registros à época da investigação.

Quem eram os réus absolvidos

De acordo com levantamento do UOL, os sete acusados absolvidos são:
  • Márcio Garotti – diretor financeiro do Flamengo entre 2017 e 2020
  • Marcelo Maia de Sá – diretor adjunto de patrimônio
  • Danilo Duarte – engenheiro responsável técnico da NHJ (contêineres)
  • Fábio Hilário da Silva – engenheiro responsável técnico da NHJ
  • Weslley Gimenes – engenheiro responsável técnico da NHJ
  • Claudia Pereira Rodrigues – responsável pela assinatura dos contratos
  • Edson Colman – sócio da empresa responsável pelos aparelhos de ar-condicionado
Eles respondiam por incêndio culposo qualificado com resultado morte e lesão corporal grave.

Relembre o caso

O incêndio ocorreu em 8 de fevereiro de 2019, no Ninho do Urubu, em Vargem Grande, Zona Oeste do Rio. Dez atletas da base morreram enquanto dormiam e outros três ficaram feridos. As vítimas foram:
  • Athila Paixão (14)
  • Arthur Vinícius (14)
  • Bernardo Pisetta (14)
  • Christian Esmério (15)
  • Gedson Santos (14)
  • Jorge Eduardo Santos (15)
  • Pablo Henrique (14)
  • Rykelmo de Souza (16)
  • Samuel Thomas Rosa (15)
  • Vitor Isaías (15)
Segundo os laudos, o fogo começou após um curto-circuito em um ar-condicionado. Os contêineres usados como dormitórios continham material inflamável, o que acelerou o incêndio.

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