Jair Bolsonaro em depoimento no Supremo Tribunal Federal (STF).

STF forma maioria para condenar Bolsonaro por organização criminosa

Jair Bolsonaro é tido como líder de organização criminosa, por ministros. Veja o que pode acontecer nesta etapa do julgamento

Primeira Turma do STF avança em julgamento histórico

Nesta quinta-feira (11/09), a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria de votos pela condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por participação em organização criminosa. O julgamento envolve também outros ex-ministros e militares de alta patente, apontados como parte do núcleo central da chamada “trama golpista”. Os ministros Alexandre de Moraes (relator), Flávio Dino e Cármen Lúcia votaram pela condenação. Ainda restam os votos do ministro Luiz Fux e do presidente da Turma, Cristiano Zanin.

O que está em jogo no julgamento

De acordo com a denúncia, os réus teriam integrado um esquema voltado para deslegitimar o processo eleitoral e planejar uma tentativa de golpe de Estado. O processo também analisa crimes conexos, como dano qualificado e deterioração de patrimônio público tombado, relacionados aos atos de 8 de janeiro de 2023. Apesar de já haver maioria, o julgamento só será concluído após a votação dos cinco ministros. Em seguida, será definida a dosimetria das penas, levando em conta o grau de participação de cada acusado.

Quem são os condenados até agora

Além de Jair Bolsonaro, outros sete réus tiveram maioria de votos pela condenação no STF:
  • Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin; 
  • Almir Garnier, ex-comandante da Marinha; 
  • Anderson Torres, ex-ministro da Justiça; 
  • Augusto Heleno, ex-ministro do GSI; 
  • Mauro Cid, ex-ajudante de ordens da Presidência; 
  • Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa; 
  • Walter Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil e candidato a vice em 2022. 
O ex-diretor da Abin, Alexandre Ramagem, responde a parte das acusações, já que a Câmara dos Deputados suspendeu processos referentes a crimes posteriores à sua diplomação.

As possíveis penas

Os crimes analisados preveem penas severas:
  • Tentativa de golpe de Estado: 4 a 12 anos; 
  • Abolição violenta do Estado Democrático de Direito: 4 a 8 anos; 
  • Organização criminosa armada: 3 a 8 anos (podendo chegar a 17 anos com agravantes); 
  • Dano qualificado: 6 meses a 3 anos; 
  • Deterioração de patrimônio tombado: 1 a 3 anos. 
Mauro Cid, que firmou acordo de delação premiada, poderá ter benefícios na dosimetria. Flávio Dino já sinalizou que aplicará integralmente as reduções previstas no acordo.

O próximo passo

O julgamento seguirá com os votos dos ministros Luiz Fux e Cristiano Zanin. Após o fim da análise dos crimes, a discussão avançará para a fixação das penas de cada réu. A decisão tem peso histórico por envolver um ex-presidente da República e parte de seu núcleo político e militar.

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