CAPS AD está sem médico psiquiatra há quase dois meses
O CAPS AD (Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas) de Nova Friburgo enfrenta uma grave crise: a unidade está sem médico psiquiatra desde maio, após o desligamento do último profissional contratado via processo seletivo. Até o momento, não houve substituição.De acordo com a legislação do Ministério da Saúde, toda unidade de CAPS AD é obrigada a contar com psiquiatra em sua equipe mínima, justamente pela complexidade do atendimento a pacientes em tratamento para transtornos mentais e dependência química.A ausência do especialista compromete não só a continuidade do tratamento, mas também a emissão de laudos para perícias judiciais, a prescrição de medicamentos controlados e o acompanhamento clínico adequado.
Denúncia alerta para desassistência
Um denunciante ouvido pela reportagem do EcoSerrano descreveu a situação como insustentável:“Estamos sem médico psiquiatra há quase dois meses aqui no CAPS AD. Os pacientes estão tendo dificuldades no tratamento pela falta desse profissional. Parece que o governo não tem dado importância para esse problema. A coordenação dessa unidade tem feito de tudo para resolver.”Outro trecho do relato evidencia o impacto jurídico e clínico da falta de atendimento:“Só o médico pode emitir, o Serviço Social e a Psicologia não podem. Muitos pacientes também estão com dificuldade de medicamentos.”
Apoio limitado do CAPS 3
Enquanto não há reposição, pacientes do CAPS AD têm tentado auxílio no CAPS 3, no Vale dos Pinheiros, onde há dois psiquiatras. Contudo, segundo relatos, a demanda já existente na unidade não permite atender de forma contínua os pacientes desassistidos.“Por mais que o CAPS 3 tente ajudar, a demanda é grande e sempre há deficiências. Antes, o Dr. [nome omitido] atendia aqui toda quarta-feira, mas desde que saiu, vamos completar três meses sem psiquiatra”, relatou o denunciante.
Riscos para pacientes e para a rede de saúde
Especialistas apontam que a falta de psiquiatra em unidades de CAPS AD pode trazer consequências sérias:
Interrupção de tratamentos por falta de prescrição e acompanhamento adequado.
Atrasos em perícias judiciais, prejudicando pacientes em processos legais.
Agravamento de quadros clínicos, aumentando a demanda em pronto-atendimentos e hospitais.
Sobrecarga de outras unidades, como o CAPS 3, que já enfrenta alta demanda.
Governo está ciente, mas solução não vem
Segundo o denunciante, memorandos e alertas já foram enviados à gestão municipal, mas até agora não houve providências.“A coordenação já comunicou o problema ao governo, mas não conseguimos sensibilizar. O prazo está se estendendo e os pacientes estão ficando cada vez mais desassistidos.”Consultada pelo EcoSerrano, a Secretaria de Saúde de Nova Friburgo não respondeu às solicitações. O espaço segue aberto