Uma operação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) deflagrada nesta sexta-feira (11/07) cumpre mandados de busca e apreensão contra ex-gestores da Secretaria de Turismo de Nova Friburgo e empresários locais. A ação ocorreu poucas horas após a publicação de reportagem exclusiva do portal EcoSerrano, que revelou detalhes da investigação envolvendo suposto esquema de favorecimento, fraudes em licitações e contratos milionários para os eventos de Natal de 2023 e 2024.
Licitações sob suspeita: R$ 1,3 milhões em 2023 e R$ 1,8 milhão em 2024
As denúncias giram em torno dos contratos firmados para os eventos natalinos, que, segundo documentos oficiais, chegaram a R$ 1,3 milhões em 2023 e R$ 1,8 milhão em 2024. Uma das muitas suspeitas foi o uso visível de figurinos reciclados do ano anterior, mesmo com novos pagamentos milionários — um possível indicativo de superfaturamento.
A gravação que ajudou a desencadear a crise
O EcoSerrano teve acesso a um áudio em tom de desabafo sobre um dos envolvidos ajudar a montar documentos para outras pessoas vencerem licitações da Prefeitura. Segundo ela:“Fiz documento de todo mundo. Fiz esquema pra eles ganharem a licitação. […] Teve gente que me deu R$ 5 mil. Os caras ganharam licitação de R$ 3 milhões, R$ 8 milhões. Foram até pra Paris. Agora eu vou usar o que eu sei pra ganhar dinheiro.”O conteúdo foi entregue ao MPRJ e, segundo fontes próximas da Promotoria, a reportagem do EcoSerrano acelerou os desdobramentos da investigação.
Quem são os alvos da operação
A operação da Promotoria de Investigação Penal de Nova Friburgo com apoio da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MPRJ) teve como alvos:
Renan da Silva Alves (ex-secretário de Turismo);
Ozório Junior Tardin da Silva (ex-subsecretário de Turismo);
Hivilan Freiman Verly (presidente de agremiação carnavalesca);
Wanderson Tubias da Silva, o “Wanderson Solares” (tesoureiro da mesma entidade).
Celulares foram apreendidos e deverão ser periciados. Segundo o MPRJ, os investigados articularam o favorecimento em contratos públicos mediante entrega de documentos falsificados e pagamento de propina.
Indícios de rede de influência e favorecimento familiar
Além das gravações, foram entregues ao MP fotos que mostram relações pessoais entre autoridades do Turismo e empresários contratados. Uma das imagens mostra a atual secretária Kamilla Mouza no aniversário do filho de Hivilan.Também há denúncias de que familiares da empresária estariam nomeados na Secretaria de Turismo e que empresas ligadas a eles foram contratadas pela Prefeitura — caracterizando possível conflito de interesses.
O que dizem os citados
O EcoSerrano entrou em contato com todos os envolvidos. O Kamilla Mouza e Junior Ozório não responderam até o fechamento desta reportagem. O Prefeito Johnny Maycon publicou um vídeo no qual enaltece o papel da Prefeitura nas denúncias feitas ao MPRJ. Na quinta-feira, 10, Hivilan e Renan disseram que não estavam cientes da investigação envolvendo seus nomes e até o momento não se manifestaram. O EcoSerrano não conseguiu contato com Wanderson Solares.
Ministério Público segue com investigação
O MPRJ agora deve analisar os materiais apreendidos. A operação foi reforçada por provas entregues por fontes anônimas e por órgãos da própria Prefeitura, que tentaram agir preventivamente. Ainda assim, segundo apuração do EcoSerrano, a responsabilização pode alcançar órgãos e figuras centrais da administração municipal, já que todos os pagamentos foram autorizados pelo chefe do Executivo.