Postulantes a vereador que podem ser investigados pelo esquema do CEPERJ são rotulados de apoiadores da candidata à prefeitura, que negou qualquer associação ao caso. Denúncias teriam partido do principal opositor, que teve vitória na justiça após alegar censura. Veja os detalhes na reportagem
Nomes associados ao polêmico escândalo do Ceperj, que parece ter envolvido um esquema de corrupção com ampla repercussão no estado do Rio de Janeiro, estariam concorrendo ao Poder Legislativo de Cantagalo (RJ) nas Eleições de 2024. As informações são do portal Serra News. O suposto esquema, que apura possíveis desvios de verba, funcionários fantasmas e compra de votos, ainda está sendo investigado. Ao que parece, milhares de suspeitos de pertencer ao esquema estão espalhados pelo estado. De acordo com o portal Serra News, candidatos a vereador do município cantagalense, que podem ser investigados, seriam apoiadores da candidata a prefeita, atual vice, Emanuela Teixeira (SOLIDARIEDADE).
A vice-prefeita, que busca um novo mandato à frente da Prefeitura, publicou vídeos em suas redes sociais alegando injustiça e negando qualquer vínculo com o escândalo. Emanuela apresentou ainda uma certidão do Ministério Público do Estado que não aponta investigação direta contra ela. No entanto, conforme apuração do portal Serra News, a vice-prefeita seria a única candidata à Prefeitura de Cantagalo que teria postulantes à vereança nomes que, supostamente, aparecem na lista de pagamentos suspeitos do Ceperj, indicando possíveis recebimentos ilegais.
Sobre o Ceperj
O esquema em questão, de acordo com o Ministério Público, envolveria o desvio de recursos através de projetos sociais, como o Esporte Presente e Cultura para Todos, além de possíveis irregularidades na Uerj. A Justiça sugere que uma “folha de pagamento secreta” ou “cargos fantasmas” pode ter envolvido até 27 mil cargos temporários na Ceperj e 18 mil nomes na Uerj.Segundo o portal Serra News, em Cantagalo, aproximadamente R$ 1 milhão teriam sido desviados de forma ilícita, com a possível participação de nomes associados ao esquema, que foram ligados aos pagamentos fraudulentos. A candidata negou enfaticamente as acusações de associação ao esquema e afirmou de forma categórica que as notícias eram fabricadas contra ela. O portal Serra News destacou que, enquanto a vice-prefeita tenta se distanciar do escândalo, outros supostos apoiadores de sua candidatura também parecem ter se beneficiado do esquema, incluindo funcionários da Prefeitura com altos salários. Um documento teria apontado nomes “conhecidos” da municipalidade cantagalense. No entanto, tudo está sendo apurado pelo MPRJ, órgão que conduz as investigações.
Oposição alega censura
Um dos principais opositores à gestão municipal de Cantagalo, o vereador Ciro Fernandes (Cidadania) e candidato a prefeito foi proibido pela justiça de citar o nome de Emanuela durante as sessões legislativas e ter vídeos removidos da internet que faziam associação da gestora ao caso do Ceperj. A decisão foi proferida, após a vice-prefeita entrar com uma representação pedindo a proibição.Na última terça-feira, 3 de setembro, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) julgou improcedente a representação da vice-prefeita Emanuela Teixeira contra o vereador Ciro Fernandes, que havia sido acusado de censura antecipada. A decisão do TRE, unânime, indicou que a tentativa de remover conteúdos e restringir a liberdade de expressão do vereador foi considerada arbitrária e desprovida de fundamento, reforçando o direito do vereador de fiscalizar o Executivo e expor irregularidades.De acordo com o portal Serra News, o vereador Ciro Fernandes, desde o início do escândalo do Ceperj, tem se posicionado firmemente contra práticas de corrupção, e sua atuação de fiscalização parece ter sido um ponto crucial na recente decisão judicial.