Bolsonaro, aliado de Johnny Maycon e mais 15 são indiciados pela PF

Investigação apura fraude em esquema de vacinação. Impressão de cartão de vacina falso foi feita na residência do ex-presidente. Veja a lista de todos os indiciados e os supostos crimes cometidos 

A Polícia Federal (PF) indiciou na última segunda-feira, 18, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pela suposta prática de dois crimes relacionados a um esquema de falsificação de cartões de vacinação. De acordo com o portal G1, as investigações apontam que um grupo ligado a Bolsonaro adulterou dados em um sistema do Ministério da Saúde para beneficiar o ex-presidente, seus parentes e colaboradores. Além de Bolsonaro, outras 16 pessoas foram indiciadas, entre eles o deputado federal Gutemberg Reis (MDB), aliado de Johnny Maycon via Washington Reis, seu irmão e atual presidente do MDB-RJ. O caso agora segue para análise do Ministério Público Federal (MPF), que irá decidir se apresenta denúncia contra o ex-presidente. Amadorismo? Ao que parece, a Polícia Federal pode ter ganhado dois aliados na investigação: amadorismo e burrice. Provas colhidas pela PF e apresentadas em relatório divulgado na última terça-feira (19) indicam que Mauro Cid acessou o ConectSUS do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e imprimiu certificado falso de vacinação contra a Covid-19 no Palácio da Alvorada, em dezembro de 2022, a mando do ex-chefe do Executivo. “Os elementos de prova coletados ao longo da presente investigação são convergentes em demonstrar que JAIR MESSIAS BOLSONARO agiu com consciência e vontade determinando que seu chefe da Ajudância de Ordens intermediasse a inserção dos dados falsos de vacinação contra a Covid-19 nos sistemas do Ministério da Saúde em seu benefício e de sua filha. Não há nos autos, elementos que indiquem que MAURO CESAR CID, AILTON BARROS e JOÃO CARLOS BRECHA se uniram em unidade de desígnios para inserir os dados falsos à revelia do então Presidente da República JAIR BOLSONARO“, aponta o documento da PF. Ainda segundo as investigações, a inserção de dados falsos de vacinação contra a Covid-19 para falsificação de cartões vacina “pode ter sido utilizado pelo grupo para permitir que seus integrantes, após a tentativa inicial de golpe de Estado, pudessem ter à disposição os documentos necessários para cumprir eventuais requisitos legais para entrada e permanência no exterior (cartão de vacina), aguardando a conclusão dos atos relacionados a nova tentativa de golpe de Estado que eclodiu no dia 08 de janeiro de 2023″.

Associação Criminosa:

Considerado um crime contra a paz pública, a associação criminosa (artigo 288 do Código Penal) ocorre quando três ou mais pessoas se reúnem com o objetivo específico de cometer delitos. A pena prevista é de um a três anos de reclusão, podendo ser aumentada até a metade em situações como uso de armas ou participação de menores.

Inserção de Dados Falsos em Sistema de Informações:

Conhecido como peculato digital, esse crime está previsto no Código Penal. Ele se configura quando um funcionário autorizado facilita ou insere dados falsos, altera ou exclui informações de sistemas informatizados ou bancos de dados da administração pública para causar dano ou conseguir vantagem indevida para si ou para outros. A pena prevista é de 2 a 12 anos de reclusão, além de multa.

Outros Indiciados:

Mauro Cesar Cid, tenente-coronel, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro

  • Falsidade ideológica de documento público
  • Tentativa de inserção de dados falsos em sistema de informações
  • Uso de documento falso
  • Associação criminosa

Gabriela Santiago Ribeiro Cid, esposa de Mauro Cid

  • Falsidade ideológica de documento público
  • Inserção de dados falsos em sistema de informações
  • Uso de documento falso em nome próprio e das filhas

Gutemberg Reis de Oliveira, deputado federal pelo MDB-RJ

  • Inserção de dados falsos em sistema de informações
  • Associação criminosa

Luís Marcos dos Reis, sargento do Exército, ex-integrante da equipe de Mauro Cid

  • Falsidade ideológica de documento público
  • Tentativa de inserção de dados falsos em sistema de informações

Farley Vinicius Alcântara, médico e sobrinho de Luís Marcos dos Reis

  • Falsidade ideológica de documento público
  • Tentativa de inserção de dados falsos em sistema de informações
João Carlos de Sousa Brecha, secretário de Governo de Duque de Caxias (RJ)
  • Inserção de dados falsos em sistema de informações
  • Associação criminosa

Max Guilherme Machado de Moura, segurança de Bolsonaro

  • Uso de documento falso
  • Inserção de dados falsos em sistema de informações
  • Associação criminosa

Marcelo Costa Câmara, assessor especial de Bolsonaro

  • Inserção de dados falsos em sistema de informações

Eduardo Crespo Alves, militar

  • Tentativa de inserção de dados falsos em sistema de informações

Ailton Gonçalves Moraes Barros, candidato a deputado estadual pelo PL-RJ em 2022

  • Inserção de dados falsos em sistema de informações
  • Falsidade ideológica de documento público
  • Associação criminosa

Camila Paulino Alves Soares, enfermeira que atuou na vacinação em Duque de Caxias, dona de login e senha usados para inserir dados de Gabriela Cid, consta como aplicadora das vacinas falsas

  • Inserção de dados falsos em sistema de informações

Claudia Helena Acosta Rodrigues da Silva, servidora de Duque de Caxias

  • Inserção de dados falsos em sistema de informações
  • Associação criminosa

Célia Serrano da Silva, secretária de Saúde de Duque de Caxias

  • Inserção de dados falsos em sistema de informações
  • Associação criminosa

Marcello Fernandes Holanda, ligado a Ailton, teria recebido dados da conta de Gabriela Cid e participado da inserção dos dados

  • Inserção de dados falsos em sistema de informações

Paulo Sérgio da Costa Ferreira, intermediário na tentativa de inserção de dados de Gabriela Cid

  • Inserção de dados falsos em sistema de informações

Sergio Rocha Cordeiro, segurança de Bolsonaro

  • Uso de documento falso
  • Inserção de dados falsos em sistema de informações
  • Associação criminosa
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