EXCLUSIVO: EcoSerrano teve acesso a documentos, imagens, vídeos e receita médica. Vazamento de gás teria começado no início da semana e contido pelo Corpo de Bombeiros, somente quatro dias depois. Veja tudo na reportagem
Um vazamento de gás que teria permanecido durante quatro dias na cozinha da Escola Municipal Cecília Meireles, em Nova Friburgo, expôs merendeiras e outros profissionais da unidade e somente foi contido na quinta-feira, 3 de setembro, após uma diligência realizada pelo Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação — Núcleo de Nova Friburgo (Sepe-NF) e pela vereadora Maiara Felício.
O Corpo de Bombeiros foi acionado durante a fiscalização e, segundo as informações reunidas pela reportagem, confirmou a existência da irregularidade. Os militares teriam atuado diretamente para interromper o vazamento e orientado que a cozinha não voltasse a funcionar antes da substituição do fogão.
O problema teria começado ainda na segunda-feira, 31 de agosto. Durante esse período, ao que tudo indica, merendeiras teriam permanecido expostas ao gás enquanto realizavam serviços de limpeza, organização, preparo e distribuição dos alimentos.
Apesar da suspeita de vazamento e do cheiro de gás relatado pelos profissionais, as atividades escolares teriam sido mantidas. Crianças também permaneceram em espaços próximos à cozinha e ao refeitório durante parte da ocorrência.
O Portal EcoSerrano teve acesso, com exclusividade, ao documento encaminhado ao Ministério Público do Trabalho (MPT), além de fotografias, vídeos, comunicações relacionadas à ocorrência e registros médicos. Entre os materiais está uma receita emitida após o atendimento de uma profissional que apresentou sintomas compatíveis com intoxicação.

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Integrante do Sepe-NF precisou ser hospitalizada
A diligência realizada na quinta-feira contou com a participação dos integrantes do Sepe-NF Marcelo Viana e Katrina Galvão, além da vereadora Maiara Felício.
Ainda no primeiro dia Katrina teria entrado em contato com o gás e apresentado sintomas de intoxicação. Ela precisou procurar atendimento hospitalar após a exposição.
Outros profissionais que trabalhavam na unidade desde o início da ocorrência também relataram náuseas, vômitos, dor de cabeça, sonolência e perda de equilíbrio. Há informações de que servidores buscaram atendimento no Hospital Municipal Raul Sertã e de que teriam sido realizados registros relacionados à possível intoxicação por gás.
A reportagem solicitou à Secretaria Municipal de Educação que informe quantos profissionais apresentaram sintomas, quantos receberam atendimento médico e se foram emitidas Comunicações de Acidente de Trabalho ou adotadas outras medidas de saúde ocupacional.

Bombeiros teriam condicionado uso da cozinha à troca do fogão
De acordo com o material de apuração, o Corpo de Bombeiros encontrou o vazamento durante a diligência de 3 de setembro e conseguiu contê-lo.
A orientação teria sido para que a cozinha somente voltasse a funcionar depois da substituição do fogão. A Secretaria foi questionada sobre a existência de boletim, relatório de atendimento, laudo ou outro documento emitido pelos Bombeiros.
Também foi solicitado que o município esclareça se o equipamento já foi substituído, quando a troca ocorreu e se a cozinha passou por uma nova avaliação técnica capaz de garantir condições seguras de funcionamento.
O Portal recebeu ainda o relato de que, após uma tentativa anterior de reparo, uma chama teria se espalhado pela parte frontal do fogão e chegado próximo ao interruptor do equipamento. Essa informação foi encaminhada à Secretaria para confirmação.
Escola teria mantido alunos e profissionais na unidade
Um dos pontos mais graves da denúncia envolve a manutenção das atividades escolares mesmo diante dos indícios de vazamento.
Segundo os relatos recebidos, servidores teriam continuado trabalhando na cozinha e em áreas próximas. Alunos também teriam permanecido na unidade, inclusive nas proximidades do refeitório.
A apuração indica ainda que, durante parte do período letivo, não teria sido possível preparar normalmente a alimentação escolar. As crianças teriam recebido alimentos como pão, queijo, biscoitos e suco.
A Secretaria Municipal de Educação foi questionada sobre quem decidiu manter a escola aberta, se houve alguma avaliação técnica antes dessa decisão e se os responsáveis pelos estudantes foram informados especificamente sobre o vazamento.
Também foi solicitada a quantidade de alunos, servidores, terceirizados e demais profissionais que estavam no prédio durante o período de possível exposição.

Unidade aguardaria novo fogão havia cerca de dois anos
Outro relato obtido pelo Portal indica que a Escola Cecília Meireles aguardaria havia aproximadamente dois anos pela entrega de um novo fogão.
O equipamento utilizado anteriormente estaria deteriorado e já apresentaria problemas de funcionamento. A Secretaria foi questionada sobre o estado de conservação do fogão, as solicitações feitas pela direção da escola e as razões para a demora na substituição.
A reportagem também recebeu informações de que representantes da Secretaria estiveram na escola por volta das 13h40 do dia 31 de agosto..
O município deverá esclarecer quem participou dessa primeira vistoria, quais problemas foram encontrados e quais providências foram determinadas naquele momento.
Problema pode envolver equipamentos de outras escolas
A denúncia pode não estar restrita à Escola Cecília Meireles.
Informações encaminhadas ao EcoSerrano apontam que fogões da mesma marca ou do mesmo modelo teriam sido adquiridos por meio de licitação para outras unidades da rede municipal. Esses equipamentos poderiam não possuir especificações compatíveis com as instalações existentes em determinadas cozinhas escolares.
Essa possibilidade ainda precisa ser confirmada tecnicamente.
A Secretaria de Educação foi questionada sobre o procedimento utilizado para a compra dos fogões, a empresa fornecedora, a marca, o modelo, a quantidade adquirida e o valor total da contratação.
O Portal também solicitou informações sobre a realização de estudos prévios para verificar a compatibilidade dos equipamentos com as redes de gás, as dimensões das cozinhas, a ventilação e as demais condições estruturais das escolas.
Caso outros estabelecimentos tenham recebido equipamentos do mesmo lote, a reportagem perguntou se será realizada uma inspeção preventiva em toda a rede e qual será o cronograma dessa fiscalização.
Documento foi encaminhado ao Ministério Público do Trabalho
O material entregue ao MPT relata a possível exposição de trabalhadores ao gás e questiona as decisões adotadas durante a ocorrência.
Além da origem do vazamento, o documento busca esclarecimentos sobre a permanência dos profissionais na unidade, o atendimento médico prestado aos trabalhadores e a eventual falta de medidas imediatas para interromper as atividades em uma área de risco.
Também há pedidos para que sejam apuradas possíveis pressões ou constrangimentos contra servidores que relataram o problema.
Segundo informações recebidas pelo EcoSerrano, durante a diligência de quinta-feira, profissionais teriam sido interrompidos, constrangidos ou acusados de mentir enquanto apresentavam seus relatos. O Portal pediu que a Secretaria informe se essas denúncias serão investigadas e quais medidas serão adotadas para impedir retaliações, transferências, alterações de função ou qualquer outra forma de perseguição.
EcoSerrano cobra documentos e explicações
O Portal EcoSerrano encaminhou diversos questionamentos à Secretaria Municipal de Educação e solicitou uma resposta oficial.
Entre os esclarecimentos cobrados estão a origem do vazamento, o momento em que o município tomou conhecimento do problema, a razão para a manutenção das atividades escolares, a situação de saúde dos profissionais expostos e as condições atuais da cozinha e da rede de gás.
A reportagem também solicitou cópias ou sínteses de laudos, ordens de serviço, registros de ocorrência, relatórios de vistoria e documentos relacionados à compra e à instalação dos fogões.
A Secretaria deverá informar ainda se as aulas estão mantidas e apresentar a avaliação técnica que garanta que o prédio, a cozinha, os equipamentos e a rede de gás se encontram atualmente em condições seguras.
O EcoSerrano assegurou espaço para a manifestação da Prefeitura e da Secretaria Municipal de Educação, mesmo após o fim do prazo estabelecido, mas o Executivo não respondeu aos questionamentos. Os esclarecimentos oficiais serão incorporados à reportagem assim que forem encaminhados.
Telefones úteis
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- Defesa Civil: 199
- SAMU: 192
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