Vista aérea do Sistema Cantareira, com água e vegetação.

Reservatórios do Sudeste estão abaixo do nível em sistemas que abastecem Rio e São Paulo

Dados atualizados indicam recuperação parcial no Cantareira e atenção permanente no Paraíba do Sul diante do avanço do período seco

O Sistema Cantareira encerrou março com 43,62% do volume útil.  Na bacia do Paraíba do Sul, 2026 já aparece entre os 13 menores volumes para esta época desde 1998.  O cenário exige monitoramento constante porque os dois sistemas atendem milhões de pessoas.

Na terça-feira, 31 de março de 2026, os principais reservatórios que sustentam o abastecimento de água de grandes centros urbanos do Sudeste continuavam operando em condição de atenção, mesmo após uma leve melhora nos volumes armazenados.

Os dados mais recentes da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) mostram que os sistemas que atendem áreas de São Paulo e Rio de Janeiro ainda permanecem abaixo da média histórica para o período, especialmente com a aproximação do período seco. A informação tem impacto direto porque esses mananciais abastecem milhões de pessoas e também influenciam setores como energia, indústria e planejamento hídrico regional.

Sistema Cantareira segue em recuperação, mas ainda longe do ideal – O Sistema Cantareira, principal conjunto de reservatórios que abastece cerca de metade da região metropolitana paulista, chegou a 43,62% do volume útil total no fechamento de março, segundo atualização oficial da ANA. O sistema reúne os reservatórios Jaguari-Jacareí, Cachoeira, Atibainha e Paiva Castro, sendo responsável pelo abastecimento de aproximadamente 9 milhões de pessoas. Apesar da melhora observada nas últimas semanas, o nível ainda é considerado inferior ao desejado para o início do outono hidrológico, fase em que normalmente já se inicia preparação para meses de menor chuva. Segundo a diretora da ANA, Ana Carolina Argolo, o monitoramento diário continua servindo de base para decisões operacionais e para medidas de preservação dos volumes armazenados.

Paraíba do Sul permanece em faixa de atenção para o Rio – Na bacia do Rio Paraíba do Sul, que possui papel estratégico para o abastecimento fluminense, os números também exigem cautela. De acordo com o Sistema de Acompanhamento de Reservatórios, o volume registrado em 2026 está entre os 13 menores para esta data desde 1998.

Os reservatórios de Paraibuna, Santa Branca e Jaguari operavam acima de 40% no fim de março, mas ainda dentro de um cenário considerado hidrologicamente fragilizado. Essa bacia é essencial porque atende múltiplos usos: abastecimento urbano, geração de energia e atividades econômicas em diferentes municípios do estado do Rio.

Monitoramento diário orienta decisões técnicas – O acompanhamento dos dados é feito diariamente por meio do Sistema de Acompanhamento de Reservatórios, plataforma pública mantida pela ANA. Nela são divulgados níveis de armazenamento, vazões de entrada e saída, além de parâmetros operacionais usados para definir estratégias de uso da água. Segundo o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, a atualização constante ajuda a reduzir riscos em períodos de estiagem e permite respostas antecipadas caso haja queda mais intensa nos volumes.

Próximos meses serão decisivos para segurança hídrica: Com a chegada gradual do período de menor precipitação no Sudeste, os próximos meses serão decisivos para verificar se a recuperação observada se mantém. A tendência é que órgãos gestores estaduais e federais intensifiquem o acompanhamento técnico, especialmente se houver redução mais acelerada nas vazões naturais. Para o consumidor, isso significa que qualquer mudança relevante na disponibilidade hídrica poderá influenciar futuras decisões operacionais das companhias de abastecimento.

Sobre o monitoramento:

1. Quanto o Cantareira tinha de volume útil no fim de março?  43,62%.

2. O Paraíba do Sul está acima ou abaixo da média histórica?  Abaixo da média histórica.

3. Quem monitora oficialmente esses dados?  A ANA.

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