Túlio Rezende: “As altas temperaturas impactam nas temporadas de chuvas, cada vez mais intensas e nas secas do inverno, mais prolongadas.”
Durante a semana em que os termômetros no Brasil marcaram temperaturas jamais atingidas, chegando a sensações térmicas de até 60ºC na cidade do Rio de Janeiro, surgiu nas redes virtuais um debate sobre o termo “racismo ambiental”. Questionamentos sobre a disparidade nas condições de enfrentamento a essas ondas de calor foram pauta de matérias e postagens.Enquanto alguns estão em salas com ar condicionado ou na brisa do litoral, outros estão em territórios adensados e áridos, muitos sem acesso à água tratada, energia elétrica ou esgoto. E ainda, o mais impressionante, cerca de 5 milhões de moradias sem banheiro (IBGE, 2022).Não trata-se apenas de ter um aparelho de ar condicionado ou passar o verão na casa da serra. As altas temperaturas impactam nas temporadas de chuvas, cada vez mais intensas e nas secas do inverno, mais prolongadas. Secas e tempestades são eventos naturais, mas a ciência já consolidou a ideia de que a ação humana no planeta interfere no cenário natural e as atuais mudanças climáticas já são resultado do aquecimento global. Nesses eventos de grandes proporções e impacto socioambiental, onde todos somos acometidos, não temos as mesmas condições de reagir, suportar e se recuperar. O termo “racismo ambiental” também diz respeito aos processos que precisamos enfrentar para que questões ambientais e sociais andem juntas, não competindo entre si. É importante saber que o desmatamento beneficia uma pequena parcela da população, aumentando ainda mais seus lucros e prejudica uma grande maioria. Segundo publicação da Agência Brasil, de 19/11/23, “Grupo de 1% mais rico emite igual quantidade de CO2 de 66% dos mais pobres”. Para pensar políticas públicas duradouras, é preciso ter isso bem claro, para que essa grande parcela da população tenha sua vida assegurada pelo Estado em eventos extremos. Identificar o racismo ambiental em práticas urbanas e rurais ajuda a promover justiça socioambiental, em alguns casos, assegurar garantias em situações de pós-tragédias, se as administrações públicas não forem capazes de investir em prevenção e redução de danos.Entender que a luta antirracista não está desassociada da luta ambiental garante que conceitos como moradia, melhorias habitacionais, intervenções urbanas sejam entendidos como instrumentos de emancipação da população à margem do Direito à Cidade, que em sua maioria é preta, pobre e periférica.
Quem é Túlio Rezende?
Túlio Rezende é Arquiteto e Urbanista, mora e trabalha em Nova Friburgo desde 2011. Já foi funcionário da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e tutor na graduação de Arquitetura e Urbanismo da Unopar-NF.A reprodução deste conteúdo em parte ou em sua totalidade, sem prévia autorização doEcoSerrano, pode acarretar em violação dos direitos autorais e resultar em uma ação judicial.Redes Sociais do EcoSerranoTelegramGrupo de Whatsapp 3Grupo de Whatsapp 2Grupo de Whatsapp 1 Instagram: @ecoserranoFacebook: @ecoserranooTwitter: @serrano_ecoYoutube: EcoSerrano