Unidade teria demitido educadores que se recusaram a aplicar em suas aulas material do Brasil Paralelo e até professor que luta contra um câncer. Veja os detalhes na reportagem
Uma escola localizada no distrito de Conselheiro Paulino enfrenta graves acusações feitas por professores e ex-professores. As denúncias indicam que a direção da unidade estaria ultrapassando direitos trabalhistas, obrigando professores a incluir conteúdos baseados em plataformas não regulamentadas pelo MEC e até demitido uma docente que enfrenta uma grave doença. As denúncias foram encaminhadas ao SINPRO, que deverá acionar o Ministério Público do Trabalho e notificar o Ministério da Educação (MEC).
Supostas violações de Direitos TrabalhistasProfissionais da educação disseram ao EcoSerrano que a escola viola regras trabalhistas. “Sempre fomos obrigados a participar de reuniões, trabalhar aos sábados, em festas e eventos sem receber nada a mais por isso, e isso acontece sempre”, afirmou um denunciante.Didática baseada em suposto conteúdo falsoA direção da escola estaria pressionando os profissionais a adotarem uma posição ideológica específica. Segundo as informações enviadas ao SINPRO, a direção teria forçado diversos professores a assistir conteúdos audiovisuais da plataforma Brasil Paralelo, gravar podcasts sobre o material, elaborar relatórios e incorporar esses conteúdos na didática dos alunos.“Os diretores são declaradamente de direita e sempre houve uma pressão para corromper os ideais de quem pensava diferente deles, mas isso se agravou em 2022 devido às eleições. Em 2023, os diretores fizeram uma assinatura da plataforma Brasil Paralelo para todos os funcionários e responsáveis pelos alunos. Fomos constantemente coagidos a assistir aos vídeos e integrá-los aos conteúdos pedagógicos. A partir deste semestre (agosto de 2024), os diretores determinaram que será obrigatório incluir os conteúdos da plataforma Brasil Paralelo nas aulas. Os professores estão sendo forçados a preencher formulários e relatórios, além de gravar vídeos que serão postados na plataforma e nas redes sociais da escola”, explicou uma fonte do EcoSerrano. A testemunha também revelou que muitos colegas estão com medo e sendo pressionados a gravar os conteúdos. “Sim, somos obrigados a passar conteúdo ideológico de direita nas aulas.”A denúncia também menciona que ao menos um educador foi demitido por se recusar a gravar um podcast após ser obrigado a assistir ao conteúdo do Brasil Paralelo. Temendo repercussões negativas nas redes sociais e possíveis interpretações errôneas, a testemunha optou por não participar do “convite”. Após recusar, sem explicação plausível, a fonte foi demitida, conforme relatado ao portal.O que é Brasil Paralelo?Brasil Paralelo é uma produtora de conteúdo audiovisual com foco político e histórico. A empresa se apresenta como uma “conexão com uma realidade paralela” e visa produzir conteúdos que divergem das visões predominantes entre intelectuais e jornalistas brasileiros. Segundo a produtora, essas visões são majoritariamente influenciadas pela esquerda. Suas produções defendem valores da direita política, do cristianismo e teorias conspiratórias. A empresa já enfrentou críticas por distorcer fatos, especialmente em relação à história do Brasil e de Portugal, e alguns de seus conteúdos foram retirados do ar por determinações do STF e TSE por disseminação de informações falsas.Suposta demissão por questões de saúdeHá também o caso de um ex-membro do corpo docente que teria sido demitido devido a uma doença grave. Diagnosticada com câncer, a fonte afirmou que estava em tratamento e sua saúde mostrava sinais significativos de melhora. Ela ficou surpresa ao receber a notícia de sua demissão. Segundo a fonte, não houve justificativa plausível para sua saída, e não houve justa causa para amparar a decisão. Ela acredita que sua luta contra o câncer pode ter sido um fator decisivo para sua demissão.RespostasA unidade respondeu ao EcoSerrano logo após a reportagem ser veiculada. “Com relação as demissões ocorridas em nossa empresa, trata-se de procedimento interno, visando a readequação de nossa equipe profissional para um melhor aprimoramento pedagógico do nosso quadro de alunos. Portanto, trata-se de questões meramente administrativa e pedagógica, onde os demitidos foram encaminhados a nosso Setor de Pessoal para apuração de direitos e deveres, sempre de forma cortês e respeitosa, como sempre sâo tratados todos os nossos funcionários. Contudo, por orientação do nosso Departamento Jurídico, não iremos nos pronunciar via mídia impressa, falada ou eletrônica, de assuntos estritamente de cunho interno.” Para os demais temas mencionados, não houve resposta.
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