Mulheres são maioria na procura por capacitação profissional

Público é responsável por cerca de 85% das inscrições no setor de Educação, do Polo de Extensão da Uerj

Há cerca de dois meses em pleno funcionamento em Nova Friburgo, o Polo de Extensão da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), que possui um acordo de cooperação com a Prefeitura de Nova Friburgo, oferece diversas atividades gratuitas nos setores de Educação, Cultura e Esportes. Com cerca de 30 instrutores, o Polo friburguense está ativo em grande parte do município. O público alvo? Todos. Crianças, adolescentes, adultos, idosos, podem se inscrever e frequentar atividades esporádicas, oficinas e cursos a curto e médio prazo, além de palestras promovidas pelos coordenadores e bolsistas do polo. É o público feminino que tem melhor aproveitado essas oportunidades. A partir da percepção dos instrutores Guilherme Alt e Igor Arnaldo, do setor de Educação, houve a constatação de que as mulheres ocuparam a maior parte das vagas disponíveis durante as inscrições. O setor de Educação do Polo Uerj Nova Friburgo está com 16 cursos ativos. Das 306 inscrições, 259 são de mulheres, o que significa dizer que 84,64% do público atendido pelo Polo é é feminino. “Através de uma conversa entre eu e o Guilherme observamos que cada um de nós possuíamos turmas cuja maioria era composta de pessoas do sexo feminino. Sendo assim, foi levantada a pergunta, “Qual será a proporção de alunas em cada turma?” Fiquei encantado ao realizar a pesquisa e perceber que de todas as minhas turmas foram contabilizadas 57 alunas e 19 alunos”, constatou o instrutor Igor Arnaldo, responsável por diversas oficinas de tecnologia da informação. Para o coordenador geral do Polo, Marcelo Verly, a constatação reforça o papel do projeto que é formar cidadãos e reduzir o abismo social. “Foi com muita alegria que identificamos que muitas mulheres se inscreveram nos cursos de extensão,  mais precisamente no setor da Educação. Isso denota a intenção das mulheres em participar ativamente do desenvolvimento da sociedade, buscando novas informações, alternativas e procurando novas oportunidades profissionais. Com isso, nosso polo de extensão cumpre uma das finalidades e missões do polo que é o de contribuir para a diminuição das desigualdades sociais”. “Admiro e aplaudo a procura pelo conhecimento por todos os alunos e alunas. Infelizmente ainda existe um tabu de que T.I não é para mulheres. Hoje, a quantidade de alunas em sala de aula é o triplo de alunos”, comemorou Igor, sobre a procura do público feminino em suas aulas.

Machismo estrutural

Por trás das constatações animadoras dos instrutores estão números que sugerem uma análise mais detalhada sobre os motivos que levam tantas mulheres a procurarem cursos de capacitação. Segundo o estudo “Empreendedorismo Feminino no Brasil”, do Sebrae (parceiro do Projeto de Extensão da Uerj), em 2020, 8,6 milhões de mulheres eram donas de negócios no Brasil (33,6%), sendo o sudeste o responsável por concentrar 43%. No entanto, antes da pandemia, os números eram maiores: em 2018, eram 9,4 milhões e, em 2019, 9,9 milhões. A queda relaciona-se à necessidade das mulheres se dedicarem mais às tarefas domésticas durante a pandemia, um reflexo do machismo estrutural na sociedade. Entre as empreendedoras verifica-se maior proporção de pessoas brancas (51%), mas a proporção da raça/cor negra cresce no centro norte do país. As empreendedoras são mais jovens (53% têm até 44 anos) e 49% são chefes de domicílio. O estudo revela que as mulheres têm menos empregados que os homens (75% tem 1 a 5 empregados), as empreendedoras trabalham menos horas por semana NO NEGÓCIO (59% trabalham menos de 40 hs/semana).

Mulheres sustentam quase metade dos lares no Brasil 

De acordo com o Female Founders Report 2021, estudo promovido pela B2Mamy, Distrito e Endeavor, somente 4,7% das empresas brasileiras são lideradas por mulheres. Quase metade dos lares brasileiros é sustentada por mulheres e, também segundo o IBGE, mais de 8,5 milhões de mulheres perderam seus empregos durante a pandemia. O Brasil é o sétimo país com o maior número de mulheres empreendedoras no mundo. Dos 52 milhões de empreendedores, 30 milhões são mulheres, o que corresponde a 57%. Com relação às MEIs (Microempreendedoras individuais), as mulheres representam 48%, com preferência por categorias como beleza, moda e alimentação. Os dados são do GEM (Global Entrepreneurship Monitor 2020), principal pesquisa sobre empreendedorismo no mundo. A pesquisa ainda mostra que as mulheres donas de negócios ganham menos que os homens: 61% delas recebem até um salário mínimo, contra 46% dos homens. Com relação a mais de cinco salários mínimos, o índice é de 5% de mulheres, contra 8% de homens. Somente 4,7% das startups brasileiras foram fundadas exclusivamente por mulheres e 5,1% por mulheres e homens. Portanto, mais de 90% dos negócios possuem somente homens nos quadros de fundação.

Igualdade entre gêneros está longe de ser alcançada

Segundo o Fórum Econômico Mundial (FMI), serão necessários 136 anos para que a igualdade entre homens e mulheres seja alcançada no mundo. As empreendedoras são mais ágeis na hora de implementar inovações em seus negócios, de acordo com uma pesquisa do Sebrae com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), de 2020. Cerca de 71% usam redes sociais, apps e internet para vender produtos, contra 63% dos homens. Além disso, 11% afirmam ter inovado nos negócios durante a crise, enquanto apenas 7% dos homens tiveram falas semelhantes.
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