“Ouvi que meu filho não tem cara de autista e que ele deveria se adaptar à escola e não o contrário. Há preconceito”, disse Eliane Fonseca. Menino teria sido excluído de atividade por conta do TEA
Na última semana, a faxineira Eliane Fonseca, mãe de David Fonseca Amaral de 11 anos, um menino autista, entrou em contato com o EcoSerrano para relatar o que ela alega ter sido um episódio de Bullying e preconceito por parte da Escola Municipal Batista, onde seu filho estuda.De acordo com a mãe do menino David, a criança não está tendo o acompanhamento necessário e afirma que a rede municipal de ensino está despreparada para acolher crianças com transtorno do espectro autista (TEA). “Estou tendo problema de professores com aceitação ao meu filho. Já ouvi em uma reunião com a diretora que se eu não estivesse gostando, para retirá-lo de lá porque a escola não vai se adaptar ao autismo dele, ele tem que se adaptar. Também ouvi que meu filho não tinha cara de autista”. Segundo ela, esta já é a quarta escola de David, desde que começou a estudar. Em todas as unidades, incluindo a atual, Eliane conta que não há mediadores escolares suficientes para suprir a demanda de crianças com necessidades especiais.A Associação Brasileira de Psicopedagogia define a função do mediador escolar como aquele que no processo de aprendizagem favorece a interpretação do estímulo ambiental, chamando a atenção para os seus aspectos cruciais, atribuindo significado à informação recebida, possibilitando que a mesma aprendizagem de regras e princípios sejam aplicados às novas aprendizagens, tornando o estímulo ambiental relevante e significativo, favorecendo o desenvolvimento.
“Há preconceito e bullying. Não há inclusão e empatia”
“Há uma pessoa com ele, mas fica somente 3h, depois disso ele fica sem assistência. Meu filho pediu ajuda a uma professora para ler algo, mas a professora disse que não iria ajudá-lo. No entanto, ela ajudou outras crianças “normais”. Há preconceito e bullying. Não há inclusão e empatia”, desabafou Eliane.
David teria sido deixado de lado em atividade por ser autista
A mãe do menino contou que às quartas-feiras a escola organiza uma atividade especial com as crianças na Igreja Batista, que fica ao lado da instituição, em frente a Praça do Suspiro. No entanto, Eliane contou aos prantos ao EcoSerrano que o filho – que vinha realizando as atividades nas últimas semanas – havia sido impedido de ir com os colegas para a atividade.“Até onde eu sei é uma escola evangélica, mas pelo que vejo não está sendo. Meu filho disse entristecido que escutou as outras crianças batendo palma, enquanto ele ficou na sala, isolado. Ele já não quer mais ir para a escola porque está sendo deixado de lado, disse que não deixariam ele participar das demais atividades. Estou aflita”, desabafou.
O que diz a Secretaria de Educação?
O EcoSerrano entrou em contato com a Secretária de Educação, Caroline Klein, e pediu um posicionamento da pasta com relação aos fatos narrados por Eliane. Segundo a secretária, “a gestão municipal, por meio da secretaria de educação, não mede esforços para atender a demanda do profissional de apoio escolar. Por este motivo realizou o seu processo administrativo 3551-21 e decreto 1305 de 2 de fevereiro de 2022, processo seletivo simplificado para contratação de profissionais de apoio escolar. O concurso público pela primeira vez de contará com vagas de contratação imediata e quadro de reserva para cargo de profissional de apoio escolar”.Ainda de acordo com a Secretária, a pasta estabeleceu prioridade e urgência de atendimento dos estudantes com quadros mais complexos para os casos mais simples no que se refere ao suporte pelo profissional de apoio escolar, facultando aos estudantes da rede, o atendimento em sala de recurso multifuncional, PEI, adequação curricular e de estratégias para sua inclusão, evitando assim que estudantes fiquem sem frequentar as unidades escolares por falta de assistência.A respeito dos supostos episódios de discriminação, bullying e negligência por parte da Escola Municipal Batista, a Secretária de Educação pediu à mãe do menino David para procurar a Coordenação de Educação Especial para que a situação seja avaliada.A reprodução deste conteúdo em parte ou em sua totalidade, sem prévia autorização do EcoSerrano, pode acarretar em violação dos direitos autorais e resultar em uma ação judicial.Redes Sociais do EcoSerranoTelegramGrupo de Whatsapp 3Grupo de Whatsapp 2 (lotado)Grupo de Whatsapp 1 (lotado) Instagram: @ecoserranoFacebook: @ecoserranooTwitter: @serrano_ecoYoutube: EcoSerrano