Após criança mostrar evolução, profissional foi transferida e substituta estaria em desvio de função. Família pede socorro
Uma mudança repentina na rotina escolar de uma criança autista em Nova Friburgo tem preocupado a família. A mãe afirma que a retirada da mediadora interrompeu um processo de evolução que começava a dar sinais positivos. O caso levanta questionamentos sobre o suporte oferecido na rede municipal.
A rotina que começava a ganhar estabilidade foi interrompida de forma inesperada. Depois de semanas de adaptação e avanços perceptíveis, uma criança de três anos diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA) deixou de contar com a mediadora que acompanhava seu dia a dia em uma creche de Nova Friburgo. Desde então, a família está desesperada, tenta entender o que aconteceu e busca uma solução para garantir o atendimento adequado.
A mãe conta que a filha vinha de um histórico de dificuldades na adaptação escolar. No ano passado, ainda morando no distrito de Campo do Coelho, a criança passou meses tentando se acostumar ao ambiente escolar, enquanto também era acompanhada por profissionais durante o processo de investigação do autismo. Um relatório médico chegou a indicar a necessidade de uma mediadora, mas, segundo o relato, o apoio não foi implementado naquela unidade.
Um avanço interrompido de forma repentina
A mudança para o bairro de Mury trouxe uma nova perspectiva. Ao ser matriculada na creche Cantinho Feliz, a criança encontrou um ambiente que, segundo a família, foi acolhedor desde o primeiro dia. Logo na chegada, já havia uma mediadora designada para acompanhá-la, o que fez diferença imediata.
Em poucas semanas, a mãe percebeu mudanças no comportamento da filha. Pequenos avanços começaram a aparecer, como tentativas de comunicação e maior interação com o ambiente. A criação de vínculo com a profissional também foi rápida, o que reforçou a sensação de que, finalmente, o caminho estava sendo construído da forma correta.
Esse cenário mudou de uma hora para outra. Em um dia comum de aula, a mãe deixou a filha na creche e percebeu que a mediadora não estava mais presente. A informação recebida foi de que a profissional havia sido direcionada para outra unidade.
A criança, que já demonstrava evolução após cerca de um mês de acompanhamento, ficou sem o suporte especializado justamente no momento em que começava a responder aos estímulos.
Busca por respostas e apelo por ajuda
A partir daí, uma nova rotina foi improvisada. Segundo a mãe, uma funcionária da unidade passou a auxiliar a criança durante parte do período. Apesar de reconhecer o esforço e o cuidado dessa profissional, ela afirma que não se trata de alguém com formação específica para o atendimento educacional especializado.
“Não estou reclamando da pessoa que está com a minha filha. Ela cuida bem, acolhe. Mas minha filha precisa de alguém preparado, que estimule, que ensine. Não é só trocar fralda ou dar comida. Ela precisa que a antiga profissional retorne”, relatou.
Diante da situação, a família procurou a Secretaria de Educação em busca de esclarecimentos e pedir a volta da mediadora. A resposta, segundo o relato, não trouxe uma solução definitiva. O caso também foi levado ao Ministério Público, que solicitou informações à pasta responsável. A mãe aguarda retorno.
A angústia aumentou com o passar dos dias. A principal preocupação é com o desenvolvimento da criança, que, segundo ela, depende diretamente de estímulos adequados e acompanhamento contínuo daquela profissional.
“Eu estou gritando por socorro. Minha filha precisa de alguém que esteja ali ensinando, estimulando. Ela já tinha criado vínculo, já estava evoluindo”, disse.
Direito à inclusão e desafios na prática
A família optou por não ter a identidade divulgada, mas autorizou o compartilhamento do caso como forma de buscar apoio e dar visibilidade à situação. Crianças com TEA têm direito ao acompanhamento especializado quando há indicação, mas a oferta desse suporte ainda enfrenta entraves em diferentes municípios.
Na prática, a ausência de um profissional capacitado pode comprometer não apenas o aprendizado, mas também o desenvolvimento social e emocional da criança. Especialistas apontam que a continuidade no atendimento é um dos fatores mais importantes nesses casos, especialmente nos primeiros anos de vida.
Enquanto aguarda uma resposta oficial, a família segue na expectativa de que a situação seja revista. O receio é de que o progresso conquistado nas últimas semanas se perca com o tempo.
O caso pode ter novos desdobramentos nos próximos dias, a depender do posicionamento da Secretaria de Educação e do retorno aguardado junto aos órgãos competentes.
Ausência de resposta
O Portal EcoSerrano entrou em contato com a Secretaria de Educação por meio da Subsecretaria de Comunicação e pediu esclarecimentos. Até o fechamento desta reportagem, o portal não obteve retorno. O espaço segue aberto
Perguntas e respostas sobre o caso
A criança tinha indicação para mediadora? Sim. Segundo a mãe, um relatório médico já havia solicitado o acompanhamento especializado.
A mediadora chegou a atuar na nova creche? Sim. A profissional acompanhou a criança por cerca de um mês.
O que aconteceu depois? A mediadora foi retirada da unidade e encaminhada para outro local.
A criança ficou sem apoio? Passou a contar com auxílio parcial de uma funcionária, sem formação específica para a função.
A família buscou ajuda? Sim. Procurou a Secretaria de Educação e também levou o caso ao Ministério Público.