Família confirmou a informação. Premiado, escritor era referência na literatura infantil
O escritor e educador Álvaro Ottoni morreu, deixando um legado marcante na literatura infantojuvenil e nas políticas de leitura em Nova Friburgo. Sua trajetória também foi profundamente ligada à família, à arte e à educação.
Alvaro Ottoni, escritor brasileiro, em seus últimos dias, escrevendo.
Uma vida dedicada às palavras e à imaginação: É com profundo pesar que foi confirmada a morte do escritor, educador e contador de histórias Álvaro Ottoni, ex-secretário de Leitura de Nova Friburgo. Reconhecido nacionalmente, ele marcou gerações por meio da literatura e da atuação cultural. Carioca de nascimento, Ottoni construiu sua trajetória pessoal e profissional ligada à cidade de Nova Friburgo, onde viveu por décadas e deixou contribuições duradouras para a cultura local.
Da infância criativa à escolha pela literatura: Em relatos sobre sua própria trajetória, Álvaro Ottoni costumava contar que, desde a infância, tinha o hábito de conversar sozinho e criar amigos imaginários, experiências que mais tarde se transformaram em matéria-prima para sua escrita. Esse universo criativo o levou à literatura ainda jovem. Seu primeiro livro, “A árvore que fugiu do quintal”, lançado em 1981, deu início a uma carreira sólida, sensível e voltada ao encantamento do público infantojuvenil.
Carreira literária consolidada e obras marcantes: Ao longo de 45 anos de carreira, Álvaro Ottoni publicou cerca de 30 livros, muitos deles adotados em escolas e projetos de leitura pelo país. Entre os títulos mais conhecidos estão “O peixe que não sabia nadar”, “Quando o coração recebe visita”, “O pato pastel”, “Um livro voador” e “Quem mora aqui, quem mora lá”, este ilustrado pela cantora Miúcha.Sua última obra publicada foi “Meu amigo medo”, lançada em 2018, com ilustrações da friburguense Mariana Mattos e prefácio assinado por suas filhas.
Reconhecimento e impacto cultural: Premiado no Brasil e no exterior, Álvaro Ottoni recebeu o título de cidadão friburguense e integrou, desde 2008, a Academia Friburguense de Letras (AFL). Em 2013, participou do Programa ABZ, apresentado por Ziraldo no Canal Brasil, onde falou sobre sua trajetória literária e comemorou o lançamento do livro “O menino misterioso”.
Família, arte e raízes em Lumiar: Álvaro Ottoni costumava se definir como carioca de origem, mas profundamente ligado à região serrana. Nos últimos anos, vivia em Lumiar, distrito de Nova Friburgo, onde descrevia o cotidiano cercado por florestas, rios limpos, cachoeiras e a convivência com a natureza. Era casado com Angela, artista plástica e educadora, com quem construiu uma família fortemente ligada às artes. O casal teve três filhos: Cacá Ottoni, atriz com atuação em novelas e séries da TV Record; Elisa Ottoni, atriz de teatro e palhaça; e Fábio Ottoni, de 22 anos, campeão de skate e compositor.
Educador, formador e gestor público: Além da escrita, Ottoni teve atuação expressiva como educador e formador, realizando oficinas de leitura, escrita e contação de histórias para crianças, jovens e adultos. Como gestor público, exerceu o cargo de secretário de Leitura de Nova Friburgo, fortalecendo políticas públicas voltadas ao livro, à leitura e à democratização do acesso à cultura.
Legado que permanece vivo: A morte de Álvaro Ottoni representa uma perda significativa para o cenário cultural de Nova Friburgo e do Estado do Rio de Janeiro. Seu legado permanece nas bibliotecas, escolas, projetos culturais e na memória afetiva de leitores formados por suas histórias. Neste momento de luto, o EcoSerrano manifesta solidariedade aos familiares, amigos, leitores e a toda a comunidade cultural friburguense.
Participe: o legado da leitura
Pergunta: Álvaro Ottoni fez parte da sua formação como leitor?Resposta: Muitos leitores relatam que suas obras foram o primeiro contato com a literatura.Pergunta: A cidade preserva adequadamente a memória de seus escritores?Resposta: Especialistas defendem políticas contínuas de valorização cultural.Pergunta: Como manter vivo o legado de Álvaro Ottoni?Resposta: Incentivando leitura nas escolas, bibliotecas ativas e ações culturais permanentes.