Cascata Dois Irmãos no Rio de Janeiro, com cachoeira e mata verdejante.

Esta cidade do RJ cultiva rosas, café e um tesouro escondido

Município serrano do RJ surpreende com produção de rosas e histórias ocultas até mesmo dos próprios moradores

 

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Bom Jardim: entre flores, café e histórias que atravessam séculos

Bom Jardim, na Região Serrana do Rio de Janeiro, é um município que mistura perfume de rosas, aroma de café e narrativas que sobrevivem ao tempo. Entre natureza exuberante, produção agrícola pujante e lendas coloniais, a cidade guarda singularidades que atraem tanto visitantes quanto pesquisadores.

A história que moldou Bom Jardim

Segundo registros históricos, a região era habitada por indígenas Puri e Coroado antes da chegada dos sesmeiros no século XVIII. Mais tarde, garimpeiros clandestinos exploraram aluviões dos rios Negro e Grande. A chegada da ferrovia em 1875 fortaleceu o povoado, e em 1893 Bom Jardim conquistou sua emancipação de Cantagalo. Desde então, construiu uma identidade marcada pela agricultura, pelas tradições culturais e por personagens lendários.

O título de capital das rosas no RJ

Documentos oficiais do governo estadual indicam que Bom Jardim é hoje o maior produtor de rosas do Rio de Janeiro. A cidade cultiva cerca de 11 milhões de maços de flores de corte por ano, sendo 4 milhões apenas de rosas. São aproximadamente 100 produtores locais dedicados ao plantio, com quase 1 milhão de pés de rosa em 56 hectares — área equivalente a 80 campos de futebol. Para comparação, Nova Friburgo, a segunda colocada, soma 300 mil pés.

Os “sertões proibidos” e a lenda do Mão de Luva

No auge do ciclo do ouro, a Coroa portuguesa restringiu a entrada em várias áreas da Serra Fluminense, classificadas como “sertões proibidos”. O objetivo era conter garimpos ilegais e garantir o recolhimento do imposto conhecido como “quinto dos infernos”. Nesse cenário surge Manoel Henrique, o “Mão de Luva”, figura descrita por teses acadêmicas e relatos populares como garimpeiro, contrabandista e bandoleiro. Conforme apontam diferentes registros, ele teria usado grutas da região para esconder ouro. As chamadas “Furnas do Mão de Luva” até hoje alimentam histórias e buscas não confirmadas.

Da troca de nome ao orgulho popular

Em 1943, durante o Estado Novo, uma lei estadual alterou o nome do município para “Vergel”, em referência a “terra fértil”. A medida, no entanto, não foi bem aceita pela população, que manteve a tradição oral de chamar a cidade de Bom Jardim. Poucos anos depois, o nome original foi oficialmente restabelecido, reforçando o vínculo entre identidade popular e memória coletiva.

O que fazer em Bom Jardim

  • Pedra Aguda (Barra Alegre): trilhas, escaladas e esportes radicais.
  • Cachoeiras e circuitos de águas: opções que variam entre lazer tranquilo e trilhas desafiadoras.
  • Museu Fazenda Bom Jardim (São José do Ribeirão): preserva a história cafeeira com acervo de época.
Com cerca de 178 km de distância do Rio de Janeiro, a cidade pode ser acessada de carro (3h de viagem) ou ônibus (cerca de 4h, passagens a partir de R$ 60).

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