“Ele mentiu”: Testemunha afirma que Johnny Maicon sabia do bullying em criança de 3 anos desde o início de agosto e não no dia 22, como afirmou em vídeo

Prefeito teria ido a Festa Junina na escola alvo da investigação já ciente dos acontecimentos. Menino será transferido para outra unidade escolar. Vereadora e testemunhas detalham o caso que chocou Nova Friburgo e ganhou repercussão nacional

O menino de três anos alvo do suposto bullying por parte da então diretora e de seis auxiliares da Creche Professora Leda Tavares, deverá ser transferido para outra unidade de ensino, na Chácara do Paraíso, onde começará a estudar já na próxima semana. A informação foi confirmada pela vereadora Priscilla Pitta, que esteve com a mãe da criança logo após uma reunião com a Secretária de Educação, Caroline Klein. Priscila foi até a sede da secretaria acompanhando a mãe da vítima, no entanto, a reunião teria acontecido sem que a parlamentar estivesse presente. Segundo as informações que chegaram ao EcoSerrano, o caso do suposto bullying aconteceu no dia 3 de julho. A primeira denúncia teria sido feita de forma anônima na Ouvidoria da Prefeitura em 8 de julho. Outras duas pessoas também teriam feito denúncias anônimas na Ouvidoria. Ao perceberem que o caso poderia ser abafado, os denunciantes ligaram para o Disque 100 que registra casos de violações de Direitos Humanos, crianças e adolescentes, entre outros. Mesmo com as denúncias tendo sido registradas na Ouvidoria, a Secretária de Educação, Caroline Klein, alegou ter tido conhecimento do fato no início do mês passado. Ao que parece, teria sido perto desta data em que a então diretora da unidade pediu exoneração do cargo, quando teria tomado ciência de que o caso havia ido parar no Ministério Público.

Sem vagas para transferência

Ao que tudo indica, o Prefeito Johnny Maycon também teria ficado ciente da situação no início do mês passado. Talvez por isso ele tenha marcado presença na Festa Junina da escola, que ocorreu em 12 de agosto. “No vídeo que ele fez essa semana de Brasília informando que ele havia ficado ciente do caso em 22 de agosto, ele mentiu”, disse uma fonte. As seis auxiliares que teriam participado do bullying permaneceram trabalhando normalmente na unidade até o dia 28, quando o caso havia se tornado público. Testemunhas afirmam que ainda no início de agosto, a mãe da criança teria se reunido com a Secretaria de Educação e pedido para que seu filho pudesse ser transferido para outra unidade. À mãe da vítima teria sido dito que, naquele momento, não havia vagas em outras unidades escolares. Após a confirmação da transferência do menino, ao EcoSerrano, a vereadora rebateu e disse que a Prefeitura tentou abafar o caso, mas diante da repercussão que a situação ganhou, decidiu agir, mas de forma tardia. “O caso aconteceu em julho. Em agosto eu fiquei sabendo da história porque as pessoas que denunciaram viram que nada tinha sido feito. Eu comuniquei ao Ministério Público. Depois disso, a imprensa toda noticiou e teve repercussão nacional. Somente esta semana que todas as envolvidas foram afastadas e um procedimento administrativo foi aberto. Se não havia vaga antes, como conseguiram agora? Por que só esta semana o Prefeito afastou todas as envolvidas?”, questionou Priscilla Pitta.

Relembre o caso

Segundo a denúncia, uma criança de três anos, negra, acima do peso e com problemas para desenvolver a fala seria alvo constante de deboches e ironias, por parte das auxiliares e da diretora da unidade. O auge da situação teria sido uma aposta entre a diretora e seis auxiliares sobre o peso da criança. Teria sido questionado, então, “quantas arrobas” a criança pesaria. Cada uma das envolvidas teria apostado R$ 10. De acordo com a denúncia de Priscilla Pitta, a própria diretora teria ido a sala de aula, na parte da tarde, conduzido a criança até a cozinha da escola e teria obrigado a vítima a se pesar na balança. Neste momento, a criança teria se recusado a se pesar e teria começado a chorar. Ainda assim, a diretora e auxiliares teriam insistido.

Prefeitura pode ter ferido Estatuto da Criança e do Adolescente

Toda a situação levanta questões relacionadas aos direitos da criança e à responsabilidade das autoridades competentes.

Direito à educação de qualidade e ambiente seguro

O ECA reconhece o direito da criança à educação de qualidade e a um ambiente seguro (Artigo 53). Se a criança estiver sofrendo bullying, isso pode ser considerado uma violação desse direito.

Proteção contra maus-tratos e violência

O ECA estabelece que nenhuma criança ou adolescente será objeto de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão (Artigo 4). Se o caso for confirmado, isso também pode ser uma violação desse princípio.

Dever do Estado em assegurar os direitos da criança

O Estado tem a responsabilidade de garantir a proteção dos direitos da criança, inclusive tomando medidas para prevenir e combater o bullying em instituições educacionais (Artigo 4).

Direito à convivência familiar e comunitária

O ECA também reconhece o direito da criança à convivência familiar e comunitária, priorizando o melhor interesse da criança (Artigo 19). Se a transferência da criança para outra creche for considerada no melhor interesse da criança, as autoridades devem levar isso em consideração. Portanto, o caso do menino de três anos pode ferir alguns princípios e direitos estabelecidos no Estatuto da Criança e do Adolescente. A suposta recusa da Prefeitura em transferir a criança para outra creche pode ser questionável, especialmente se for demonstrado que a permanência da criança na creche atual configurou risco à sua integridade física ou emocional, considerando que a vítima permaneceu em contato com as auxiliares até o último dia 28.

Espaço aberto

O EcoSerrano entrou em contato com a SubSecretaria de Comunicação da Prefeitura e também com a Secretária Caroline Klein. O portal pediu um esclarecimento sobre os motivos que levaram a não transferência da criança de imediato. Até o fechamento desta reportagem não obtivemos retorno. O espaço segue aberto.  A reprodução deste conteúdo em parte ou em sua totalidade, sem prévia autorização do EcoSerrano, pode acarretar em violação dos direitos autorais e resultar em uma ação judicial. Redes Sociais do EcoSerrano Telegram Grupo de Whatsapp 3 Grupo de Whatsapp 2    Grupo de Whatsapp 1   Instagram: @ecoserrano Facebook: @ecoserranoo Twitter: @serrano_eco Youtube: EcoSerrano
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