Médica acusada de negligência após morte de bebê é afastada do Hospital Maternidade

Servidora sofrerá processo administrativo, mas sem prejuízo de remuneração. Nas redes sociais, ex-pacientes identificaram a profissional e fizeram outras denúncias. No último final de semana, servidora teria se recusado a fazer o parto de uma gravidez de risco

Na noite da última terça-feira, 11, o Prefeito de Nova Friburgo-RJ, Johnny Maycon, determinou, via Diário Oficial Eletrônico, a suspensão preventiva da servidora Vera Barcellos Leal, lotada na Secretaria Municipal de Saúde, pelo período de 30 dias, podendo ser prorrogável por mais 90 dias. Ainda de acordo com a publicação, a médica não terá prejuízo dos seus vencimentos, que chegam a ser de cerca de R$ 14 mil líquidos (dados do Portal da Transparência). A decisão pelo afastamento seria por conta das denúncias de negligência e maus tratos da servidora, que teria culminado na morte de um bebê na última segunda-feira, 10. Johnny Maycon também comunicou a decisão em suas redes sociais. Após a publicação, centenas de comentários feitos por usuários deram a dimensão de que a tragédia ocorrida seria apenas mais um caso, entre muitos, relacionados à servidora. Muitos usuários compartilharam suas experiências e identificaram a médica como a responsável.

Servidora teria se recusado a fazer o parto

Segundo informações de pessoas próximas a família, a mãe, prestes dar a luz a Raí Manoel, teria dado entrada no Hospital Maternidade – com encaminhamento médico na mão – na última sexta-feira, 7, para realizar uma cesária. De acordo com os relatos confidenciados ao EcoSerrano, a médica teria se recusado a realizar o procedimento, já que a gestação era considerada de risco. Por conta disso, a família acredita que Raí Manoel, ao nascer três dias depois do previsto, tenha tido complicações no pós-parto. O bebê teria sofrido uma parada cárdio respiratória e falecido em seguida. “Essa médica se recusou a fazer o parto e para tirar o dela da reta recalculou as semanas, reduziu a contagem, e disse que não estava na hora. O resultado: o bebê passou da hora de nascer. Graças a ela, ele se foi”, disse uma testemunha. Uma outra pessoa ligada à família disse que a criança foi vítima de negligência médica. “Detalhe, (a médica) pediu para a mãe só voltar (à Maternidade) na próxima sexta (14). Ainda bem que ela voltou ontem (segunda, 10), imagina se ela espera até sexta? Imagina se ela segue a orientação dessa doutora? A criança ia apodrecer na barriga dela, podendo custar até a vida da mãe”. De luto, neste momento, a família estaria pensando em processar a Prefeitura de Nova Friburgo.

Pacientes alegam, ter sido vítimas da mesma médica

Tão logo o anúncio de Johnny Maycon foi publicado, centenas de comentários de ex-pacientes da médica descreviam a servidora como uma pessoa fria e negligente. De acordo com alguns relatos obtidos com exclusividade pelo EcoSerrano e outros que podem ser vistos nas redes sociais do Prefeito, contra a médica existiriam muitas queixas de descaso.

Relato 1

“Após sair da ultrassom com meu médico, fui informada que o coração do meu bebê não batia. Fui levada para a emergência para poder ser internada, estava em total estado de choque, entramos na sala e ela (Dra. Vera) foi totalmente seca e disse da seguinte forma: ‘Seu bebê está morto, você vai ser internada e iremos introduzir remédios para você ter o parto, você irá fazer sozinha, no quarto que ficará internada, não ajudamos e nem levamos para sala de cirurgia ou pré-parto’. Não disse um sinto muito, não se importou com o estado (saúde e emocional) que estávamos após receber a notícia. Acredito que ela já está tão acostumada com isso, que perdeu a parte humana de sentir a dor do outro”, disse uma ex-paciente.

Relato 2

“Eu estava grávida, muito inchada e com pressão alta. Fui até a Maternidade e fui atendida pela Dra Vera. Ela foi super grossa no atendimento, ainda mais depois que viu na ficha que eu iria ter meu bebê em Bom Jardim. Passou exame de sangue, fez exame de toque, viu que minha pressão estava muito alta e me deu Hidralazina (medicação específica em gestação na qual eu não sabia que tinha alergia). Me deu uma reação alérgica super forte. Ela me viu, mas não se preocupou com a reação que o remédio tinha me dado. Fiquei com o rosto todo deformado e inchado. Após a troca de plantão um outro médico, já senhor, mais atencioso, pediu para falar com o médico de Bom Jardim que estava fazendo meu pré-natal. Resolveram me dar alta da maternidade e fui para casa com a reação alérgica, sem passar nenhum medicamento, a ponto de fechar a glote. Levou uns três dias para meu corpo voltar ao normal. A Dra. Vera me disse que minha gravidez era de risco por conta da pré- eclâmpsia, pediu que entrasse em contato com meu médico e não fez mais nada. Ela deixou claro que se eu estava fazendo pré-Natal em Bom Jardim, eu não deveria ter ido à Maternidade. Deveria ter ido ao hospital de Bom Jardim, mas eu moro em Friburgo e era uma emergência”, relatou ao EcoSerrano outra paciente.

Relato 3

“Há 1 ano atrás eu ia morrer e ninguém iria saber do que foi. Essa mesma médica aí, fez o parto do meu bebê e 6 dias depois eu fiz outra cesariana de urgência, porque estava com infecção generalizada. Está óbvio na ultrassonografia o que aconteceu. Só que é um médico acobertando erro de outro médico dentro dessa maternidade. Se eu tivesse morrido, quem ia descobrir a causa?”, comentou uma mãe.

Colega faz elogios à Dra. Vera

Uma das colegas da médica, que preferiu não se identificar, se solidarizou com a família do bebê. Sem entrar em detalhes sobre o caso em questão, a servidora afirmou que a postura de Vera Leal sempre foi profissional ao longo da carreira. Ainda de acordo com a colega, Vera é ótima pessoa e ótima médica, com uma carreira consolidada. A respeito das acusações, a colega afirma que Vera precisará justificar o porquê da espera do parto pois na medicina, apesar de exames e tecnologia, é preciso cautela para cravar certeza e não colocar em risco mãe e bebê. O EocSerrano tentou entrar em contato com a médica, por meio de suas redes sociais, mas até o fechamento desta reportagem, não obteve retorno. Caso a servidora envie algum posicionamento, o portal vai atualizar a matéria. A reprodução deste conteúdo em parte ou em sua totalidade, sem prévia autorização do EcoSerrano, pode acarretar em violação dos direitos autorais e resultar em uma ação judicial. Redes Sociais do EcoSerrano Telegram Grupo de Whatsapp 3 Grupo de Whatsapp 2 (lotado)   Grupo de Whatsapp 1 (lotado)  Instagram: @ecoserrano Facebook: @ecoserranoo Twitter: @serrano_eco Youtube: EcoSerrano
Back To Top