Imagem divulgada pela Prefeitura de Duque de Caxias sobre a doação de órgãos no Hospital Adão Pereira Nunes

Saúde: Duque de Caxias é referência em doação e captação de órgãos

Hospital Adão Pereira Nunes lidera a captação estadual em 2026; acolhimento às famílias e atuação especializada sustentam o trabalho

O Hospital Municipalizado Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias, registrou a captação de mais de 700 órgãos e tecidos em quase cinco anos de administração municipal, segundo balanço divulgado pela prefeitura para o Setembro Verde. Em 2026, a unidade soma mais de 100 órgãos captados e ocupa o primeiro lugar no ranking estadual informado pelo município.

Os números colocam o hospital em posição de destaque na rede de transplantes do Rio de Janeiro. Para pacientes que aguardam um órgão, o trabalho começa muito antes da cirurgia: depende da identificação de um possível doador, de procedimentos médicos rigorosos, da articulação entre equipes e, sobretudo, de uma decisão tomada pela família em um momento de perda.

SIGA O ECOSERRANO NO INSTAGRAM: Clique Aqui

Uma política de saúde construída dentro do hospital

A captação é organizada pela Equipe Hospitalar de Doação para Transplante, a e-DOT. Seus profissionais acompanham possíveis doadores, apoiam as etapas de diagnóstico e de manutenção clínica, acolhem os familiares e fazem a ligação com a rede de transplantes. A equipe também desenvolve ações educativas sobre a doação.

De acordo com a Prefeitura de Duque de Caxias, o Adão Pereira Nunes permanece entre os dez hospitais com maior captação de órgãos no país. Os dados de 2026 e a posição nos rankings foram apresentados pelo município e se referem à captação, que não deve ser confundida com o número de doadores ou de transplantes efetivamente realizados.

A continuidade dessa estrutura merece atenção do poder público. Na gestão do prefeito Netinho Reis, do MDB, manter equipes capacitadas, acolhimento familiar e integração com a rede de transplantes significa dar sustentação a uma das políticas mais importantes da saúde pública. O resultado acumulado ao longo de quase cinco anos, porém, também reúne o trabalho desenvolvido antes da atual gestão — além da dedicação cotidiana dos profissionais e da decisão das famílias doadoras.

A decisão de uma mãe em meio ao luto

Entre os casos relatados pela prefeitura está o de Miguel, de 11 anos, vítima de atropelamento no início de setembro. Após a confirmação da morte encefálica, sua mãe, Tatiane Borges da Fonseca, moradora de Magé, autorizou a doação dos órgãos.

Tatiane contou que recebeu acolhimento da equipe desde a internação do filho. Em seu relato, explicou que tomou a decisão consciente de que a doação poderia ajudar outras crianças a viver. A história dá dimensão humana a um processo descrito muitas vezes apenas por números: cada doação envolve uma família, uma perda e a possibilidade de oferecer tratamento a quem espera por um transplante.

O hospital informou ainda que outra doação envolvendo uma criança, também em setembro, permitiu a captação de um intestino destinado ao primeiro transplante isolado desse órgão no estado do Rio de Janeiro. Segundo o relato divulgado pelo município, a captação foi conduzida pelo médico Eduardo Fernandes, chefe do Serviço de Cirurgia do Hospital Adventista Silvestre. A prefeitura informou que o transplante foi realizado com sucesso e que o órgão estava em funcionamento.

Por que conversar sobre a doação ainda em vida

No Brasil, a doação de órgãos após a morte depende da autorização da família. Por isso, a orientação central do Setembro Verde é simples: quem deseja ser doador deve conversar sobre essa vontade com seus familiares. Conhecer a decisão da pessoa pode ajudá-los quando precisarem responder à equipe de saúde. Ministério da Saúde

O diagnóstico de morte encefálica segue um protocolo médico. No hospital, a equipe explica as etapas aos parentes e oferece acolhimento antes de tratar da possibilidade de doação. Gilberto Malvar, coordenador da e-DOT no Adão Pereira Nunes, destaca que essa conversa exige empatia, ética e respeito ao tempo da família.

A destinação dos órgãos ocorre por meio da rede de transplantes, que atende pacientes além do município onde houve a captação. Assim, o trabalho realizado em Duque de Caxias pode beneficiar pessoas que aguardam tratamento em outras partes do Rio de Janeiro e do país. Ministério da Saúde

Celebrado em 27 de setembro, o Dia Nacional da Doação de Órgãos dá visibilidade a esse esforço coletivo. Em Duque de Caxias, o balanço do Adão Pereira Nunes mostra a importância de preservar e fortalecer a estrutura hospitalar responsável por transformar uma autorização familiar em uma possibilidade concreta de transplante.

Acompanhe o Canal Rio da Depressão: Clique Aqui

ACOMPANHE O ECOSERRANO

 

Back To Top