Jovem revelou a verdade à polícia dois dias depois; delegado pediu humanidade. O que você faria?
Uma adolescente de 17 anos deu à luz sozinha dentro de casa, em Araruama, na Região dos Lagos, e manteve a gravidez e o nascimento da filha escondidos da família. Com medo e sem saber como agir, ela criou uma história para conseguir entregar a recém-nascida em segurança às autoridades.O parto ocorreu no sábado (15), enquanto os familiares da adolescente não estavam na residência. Depois do nascimento, a jovem permaneceu com a bebê escondida durante o fim de semana.Na tarde de domingo (16), ela acionou a Polícia Militar e afirmou ter ouvido um choro e encontrado uma criança em um terreno baldio. A recém-nascida, no entanto, foi entregue aos agentes dentro da própria casa da adolescente.A versão começou a ser questionada após a polícia analisar imagens de câmeras de segurança e não encontrar registros dos trajetos que a jovem teria percorrido até o suposto local onde estaria a bebê.
Na segunda-feira (17), durante depoimento na delegacia, a jovem contou que era a mãe da recém-nascida e explicou que havia inventado a história porque não sabia como pedir ajuda.Somente naquele momento a mãe da adolescente tomou conhecimento da gravidez e do parto. Segundo o delegado Evaristo Pontes, a avó comprometeu-se a apoiar a filha e a neta.O delegado afirmou que o caso deve ser tratado com cuidado, sem julgamentos precipitados.“É um caso que precisa ser tratado com humanidade. É importante evitar julgamentos e reforçar que essa menina, mesmo com medo, em nenhum momento abandonou a criança”, declarou Evaristo Pontes.Segundo ele, a adolescente permaneceu com a filha e encontrou uma maneira de colocá-la sob os cuidados das autoridades dentro da própria residência.“Ela não fez por mal. Apenas inventou a história e entregou a bebê em segurança aos agentes, na própria casa dela”, acrescentou.
Tentativas de buscar orientação médica
Em depoimento, a adolescente afirmou que tentou obter orientação médica após o parto, mas não conseguiu contato com uma unidade de saúde.De acordo com a Polícia Civil, a análise do celular confirmou que ela realizou diversas tentativas de ligação para a Unidade de Pronto Atendimento de Araruama.A investigação também apontou que a jovem não demonstrou rejeição à filha. Para a polícia, ela tentou encontrar uma forma de entregar a recém-nascida aos cuidados das autoridades sem colocá-la em risco.A bebê foi encaminhada a um hospital com assistência neonatal. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, ela chegou à unidade com o quadro de saúde estável.As identidades da adolescente e da criança foram preservadas.Com informações do g1 Região dos Lagos.