Pinguim-de-Magalhães encontrado na faixa de areia durante a temporada migratória na Região dos Lagos.

Cabo Frio, Búzios e Arraial já tiveram 20 resgates; saiba o que nunca fazer

Vinte aves já foram encontradas vivas em praias da Região dos Lagos desde o início da temporada

A primeira reação de quem encontra um pinguim parado na areia costuma ser tentar ajudá-lo a voltar para a água. É justamente aí que o problema pode piorar. Desde meados de junho, 20 pinguins-de-Magalhães foram resgatados vivos em praias de Cabo Frio, Búzios e Arraial do Cabo. As aves chegaram cansadas, debilitadas e, em alguns casos, enfrentando frio intenso, apesar de estarem em pleno litoral fluminense. Os animais foram recolhidos pelo Instituto Albatroz e levados ao Centro de Reabilitação e Despetrolização da instituição, em Araruama. A temporada segue até outubro e exige atenção de moradores, turistas, comerciantes e trabalhadores que circulam pelas praias. Ao encontrar um pinguim vivo ou morto na faixa de areia, a orientação é ligar imediatamente para o Projeto de Monitoramento de Praias pelo número 0800 991 4800.

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Colocar na água pode agravar o quadro

O fato de o pinguim estar na areia não significa que tenha se perdido ou que precise ser empurrado de volta ao mar. Durante a migração, muitos chegam ao litoral depois de longos deslocamentos desde a Patagônia. Alguns estão apenas tentando descansar. Outros aparecem extremamente fracos, doentes ou com hipotermia. Nesse estado, obrigar o animal a retornar à água pode aumentar o desgaste e reduzir suas chances de recuperação. Também não se deve colocar o pinguim em baldes, caixas com água ou recipientes com gelo. Apesar da associação imediata entre pinguins e ambientes gelados, as aves resgatadas frequentemente já estão sofrendo com frio. A mesma regra vale para alimentação. Peixes, água, medicamentos ou qualquer outro produto não devem ser oferecidos sem avaliação de profissionais especializados.

Foto pode aumentar o sofrimento

A aproximação para fotografias também deve ser evitada. Segundo a médica veterinária Daphne Goldberg, do Instituto Albatroz, animais encontrados feridos ou debilitados já estão submetidos a medo e ansiedade. A manipulação para fotos pode intensificar o estresse e agravar possíveis lesões. O ideal é manter distância, evitar aglomeração, impedir que cães se aproximem e aguardar a equipe responsável pelo resgate. Caso o pinguim esteja nadando próximo à praia, a recomendação continua sendo não persegui-lo nem tentar capturá-lo. Ele pode estar descansando, procurando alimento ou apenas buscando uma saída segura da água.

Viagem começa na Patagônia

O pinguim-de-Magalhães migra durante o inverno. Entre junho e outubro, essas aves deixam a Patagônia e seguem em busca de alimento e de águas menos frias. Nem todas completam o percurso em boas condições. Fome, doenças e exaustão fazem com que parte delas termine encalhada no litoral brasileiro. A chegada à areia, portanto, não deve ser encarada apenas como uma visita curiosa da temporada. Em muitos casos, é o sinal visível de que o animal não conseguiu continuar a viagem sozinho. O Instituto Albatroz realiza o monitoramento diário de 25 praias, distribuídas por 54 quilômetros do litoral de Cabo Frio, Búzios e parte de Arraial do Cabo. O trabalho é feito a pé e com quadriciclos. O atendimento integra o Projeto de Monitoramento de Praias das Bacias de Campos e Espírito Santo, executado como exigência do licenciamento ambiental federal das atividades da Petrobras, conduzido pelo Ibama. O telefone 0800 991 4800 também deve ser acionado em casos envolvendo tartarugas, outras aves marinhas e mamíferos encontrados vivos ou mortos na areia.

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