Investigação identificou ao menos 38 episódios de corrupção; Justiça também determinou buscas, afastamento das funções públicas e bloqueio de bens
Organizadores que pretendiam realizar festas em embarcações em Armação dos Búzios teriam encontrado um caminho paralelo para evitar alvarás e fiscalização. Segundo investigação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, pagamentos que variavam de R$ 1 mil a R$ 3 mil garantiam a liberação dos eventos.O esquema teria funcionado por mais de cinco anos e envolvido servidores e pessoas ligadas ao setor náutico do município. Nesta terça-feira, 14 de julho, mandados de prisão preventiva foram cumpridos contra dois dos quatro denunciados pelo Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado, o GAECO/MPRJ.Entre os alvos está o policial civil aposentado Sérgio Ferreira dos Santos, atual subsecretário municipal de Turismo de Búzios. O outro mandado foi expedido contra Igenes Lopes Santos Filho, conhecido como Geninho, ex-coordenador de Trânsito e Transporte do município e atual presidente da CooperBúzios.Os dois, assim como outros denunciados, são acusados pelo Ministério Público de integrar uma organização criminosa voltada à autorização irregular de festas náuticas.
De acordo com o GAECO, os investigados recebiam valores para permitir a realização de festas em embarcações sem a expedição formal de alvará. Em troca, também deixariam de realizar a fiscalização dos eventos.As apurações identificaram pelo menos 38 episódios em que os atos de corrupção teriam sido praticados. O esquema, segundo a denúncia, esteve em funcionamento ao menos entre janeiro de 2021 e março de 2026.Os quatro denunciados respondem por organização criminosa, corrupção e lavagem de dinheiro. A denúncia ainda será analisada pela Justiça, e os acusados têm direito à defesa.
Prisões, buscas e bloqueio de bens
Além das prisões preventivas, a 2ª Vara Especializada em Organização Criminosa autorizou buscas e apreensões nos endereços ligados aos quatro denunciados.A pedido do Ministério Público, a Justiça também determinou a suspensão do exercício das funções públicas e o sequestro de bens dos acusados até o limite de R$ 500 mil.As medidas buscam preservar provas, impedir a continuidade das supostas práticas e garantir recursos para eventual reparação dos danos, caso as acusações sejam confirmadas ao final do processo.O material divulgado pelo MPRJ não informa se todos os mandados já foram cumpridos nem apresenta, até o momento, a versão das defesas dos denunciados. O espaço permanece aberto para manifestação dos citados e da Prefeitura de Armação dos Búzios.