Médico escrevendo em prontuário e usando laptop, em contexto de investigação.

Escândalo: Quem é o médico denunciado por abusar de mais de 21 mulheres

A cada dia mais vítimas denunciam ginecologista por abuso. Identidade e fotos foram reveladas

As denúncias começaram de forma isolada, mas ganharam força com o andamento da investigação. O que surgiu, aos poucos, foi um padrão de comportamento que agora sustenta um inquérito mais amplo e com novas vítimas sendo identificadas.

O que deveria ser um espaço de cuidado virou cenário de medo para dezenas de mulheres. O avanço das investigações sobre um médico ginecologista em Goiás revelou um número crescente de relatos que, até então, estavam espalhados no tempo — alguns guardados por anos.

Foto de Marcelo Arantes, médico acusado de abuso sexual.
Marcelo Arantes, médico acusado de abuso, em duas fotos.

A Polícia Civil passou a tratar o caso com prioridade após os primeiros depoimentos, que apontavam situações semelhantes durante consultas e exames. O médico ginecologista Marcelo Arantes Silva, que atendia em Goiânia e Senador Canedo, se tornou alvo de uma investigação conduzida pela Delegacia Estadual de Atendimento Especializado à Mulher.

O dado que mudou o rumo da apuração veio com o aumento no número de vítimas. No início, eram cinco mulheres identificadas. Com a divulgação do caso, esse número subiu e já gira em torno de 20 relatos, segundo informações divulgadas pela própria polícia.

Relatos que atravessam anos

Os depoimentos indicam que os episódios não foram pontuais. Há registros que remontam a 2017, o que mostra que o comportamento investigado pode ter se repetido ao longo de vários anos sem interrupção.

Segundo informações da investigação, o médico buscava estabelecer confiança antes de avançar para atitudes inadequadas. As consultas começavam dentro do esperado, mas, com o passar do tempo, surgiam toques considerados indevidos e perguntas de cunho íntimo que não tinham relação com o atendimento médico.

Padrão de conduta sob investigação

O que chamou a atenção dos investigadores foi a repetição das situações descritas pelas vítimas. De acordo com a polícia, havia semelhanças na forma de abordagem e nos procedimentos adotados durante os atendimentos.

Entre os relatos, há menções a exames conduzidos fora do padrão técnico, além de comportamentos que colocavam as pacientes em situação de vulnerabilidade. Em alguns casos, segundo depoimentos, o ambiente clínico teria sido utilizado de maneira inadequada, aproveitando-se da relação de confiança e autoridade médica.

Prisão e medidas adotadas

Após o avanço das investigações, a Justiça autorizou a prisão preventiva do médico, que foi cumprida na última quinta-feira, dia 23. Antes disso, um primeiro pedido havia sido negado, com aplicação de medidas cautelares.

O profissional passou a responder, no inquérito, pelo crime de estupro de vulnerável, entendimento adotado pela polícia diante do contexto em que os fatos teriam ocorrido.

Registro profissional suspenso

O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás informou a suspensão do registro do médico, medida que impede o exercício da profissão enquanto o caso segue em apuração.

Em nota, o órgão destacou que todas as denúncias são analisadas sob sigilo, conforme os procedimentos internos, e que a apuração ética ocorre paralelamente à investigação criminal.

Investigação segue aberta

A divulgação do nome e da imagem do investigado foi autorizada dentro dos parâmetros legais, com o objetivo de permitir que outras possíveis vítimas reconheçam o suspeito e procurem as autoridades.

A expectativa é que novos relatos ainda possam surgir, ampliando o alcance da investigação e contribuindo para o esclarecimento completo dos fatos.

Perguntas e respostas sobre o caso

  • Quem é o investigado? Um médico ginecologista que atuava em Goiânia e Senador Canedo.

  • Quantas vítimas já foram identificadas? O número começou com cinco e já chega a cerca de 20, segundo a polícia.

  • Desde quando os casos teriam ocorrido? Há relatos que remontam ao ano de 2017.

  • O médico foi preso? Sim, a prisão preventiva foi cumprida no dia 23.

  • Ele pode continuar atendendo? Não. O registro profissional foi suspenso pelo conselho de medicina.

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