A cada dia mais vítimas denunciam ginecologista por abuso. Identidade e fotos foram reveladas
As denúncias começaram de forma isolada, mas ganharam força com o andamento da investigação. O que surgiu, aos poucos, foi um padrão de comportamento que agora sustenta um inquérito mais amplo e com novas vítimas sendo identificadas.
O que deveria ser um espaço de cuidado virou cenário de medo para dezenas de mulheres. O avanço das investigações sobre um médico ginecologista em Goiás revelou um número crescente de relatos que, até então, estavam espalhados no tempo — alguns guardados por anos.
Marcelo Arantes, médico acusado de abuso, em duas fotos.
A Polícia Civil passou a tratar o caso com prioridade após os primeiros depoimentos, que apontavam situações semelhantes durante consultas e exames. O médico ginecologista Marcelo Arantes Silva, que atendia em Goiânia e Senador Canedo, se tornou alvo de uma investigação conduzida pela Delegacia Estadual de Atendimento Especializado à Mulher.
O dado que mudou o rumo da apuração veio com o aumento no número de vítimas. No início, eram cinco mulheres identificadas. Com a divulgação do caso, esse número subiu e já gira em torno de 20 relatos, segundo informações divulgadas pela própria polícia.
Relatos que atravessam anos
Os depoimentos indicam que os episódios não foram pontuais. Há registros que remontam a 2017, o que mostra que o comportamento investigado pode ter se repetido ao longo de vários anos sem interrupção.
Segundo informações da investigação, o médico buscava estabelecer confiança antes de avançar para atitudes inadequadas. As consultas começavam dentro do esperado, mas, com o passar do tempo, surgiam toques considerados indevidos e perguntas de cunho íntimo que não tinham relação com o atendimento médico.
Padrão de conduta sob investigação
O que chamou a atenção dos investigadores foi a repetição das situações descritas pelas vítimas. De acordo com a polícia, havia semelhanças na forma de abordagem e nos procedimentos adotados durante os atendimentos.
Entre os relatos, há menções a exames conduzidos fora do padrão técnico, além de comportamentos que colocavam as pacientes em situação de vulnerabilidade. Em alguns casos, segundo depoimentos, o ambiente clínico teria sido utilizado de maneira inadequada, aproveitando-se da relação de confiança e autoridade médica.
Prisão e medidas adotadas
Após o avanço das investigações, a Justiça autorizou a prisão preventiva do médico, que foi cumprida na última quinta-feira, dia 23. Antes disso, um primeiro pedido havia sido negado, com aplicação de medidas cautelares.
O profissional passou a responder, no inquérito, pelo crime de estupro de vulnerável, entendimento adotado pela polícia diante do contexto em que os fatos teriam ocorrido.
Registro profissional suspenso
O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás informou a suspensão do registro do médico, medida que impede o exercício da profissão enquanto o caso segue em apuração.
Em nota, o órgão destacou que todas as denúncias são analisadas sob sigilo, conforme os procedimentos internos, e que a apuração ética ocorre paralelamente à investigação criminal.
Investigação segue aberta
A divulgação do nome e da imagem do investigado foi autorizada dentro dos parâmetros legais, com o objetivo de permitir que outras possíveis vítimas reconheçam o suspeito e procurem as autoridades.
A expectativa é que novos relatos ainda possam surgir, ampliando o alcance da investigação e contribuindo para o esclarecimento completo dos fatos.
Perguntas e respostas sobre o caso
Quem é o investigado? Um médico ginecologista que atuava em Goiânia e Senador Canedo.
Quantas vítimas já foram identificadas? O número começou com cinco e já chega a cerca de 20, segundo a polícia.
Desde quando os casos teriam ocorrido? Há relatos que remontam ao ano de 2017.
O médico foi preso? Sim, a prisão preventiva foi cumprida no dia 23.
Ele pode continuar atendendo? Não. O registro profissional foi suspenso pelo conselho de medicina.