Cão foi encontrado acorrentado em área de mata no Vale do Stucky e segue sem definição sobre quem deve realizar o resgate
Moradores tentaram acionar órgãos públicos, mas receberam orientações diferentes. O animal permaneceu preso por horas sem solução. O caso levanta dúvidas sobre a atuação dos responsáveis pelo resgate (matéria com vídeo).
O dia começou com um pedido urgente de ajuda no Vale do Stucky. Um cachorro, da raça pitbull, foi encontrado amarrado a uma árvore dentro de uma área de mata, em situação que moradores descrevem como abandono. O animal teria passado a noite no local, sem qualquer tipo de assistência.
Até por volta das 10h desta sexta-feira (17), não havia confirmação de resgate. O que se formou foi um cenário de indefinição que revoltou quem tentou ajudar. A cada ligação, uma resposta diferente. E, no meio disso, o animal continuava preso, sem água, sem comida e sem qualquer previsão de retirada (veja o vídeo abaixo).
O ponto que mais chamou atenção logo no início foi a dificuldade em identificar quem deveria agir. O Corpo de Bombeiros foi procurado primeiro, mas, segundo relatos, orientou que a demanda fosse encaminhada à Secretaria de Bem-Estar Animal de Nova Friburgo.
Impasse entre órgãos trava solução
Ao buscarem a SEBEA, moradores ouviram uma resposta diferente do esperado. A Secretaria informou que não poderia realizar o resgate naquele tipo de situação e indicou que o caso deveria ser atendido pelo Corpo de Bombeiros, alegando que a corporação possui os equipamentos necessários.
O resultado foi um impasse direto. De um lado, uma orientação para acionar a Secretaria. Do outro, a devolução da responsabilidade para os Bombeiros. Enquanto isso, o problema continuava no mesmo lugar.
Esse tipo de situação não é nova para quem acompanha a causa animal na cidade. Relatos de dificuldade no atendimento, demora em respostas e dúvidas sobre atribuições já circulam entre moradores e protetores independentes.
Distância entre discurso e prática gera questionamentos
A atuação da Secretaria passou a ser questionada após o episódio. Em materiais institucionais e vídeos de divulgação, o órgão aparece como linha de frente no combate aos maus-tratos e no resgate de animais em situação de risco.
Na prática, segundo moradores ouvidos pela reportagem, o cenário apresentado nesta sexta foi diferente. A ausência de uma resposta imediata e a falta de clareza sobre quem deve agir acabaram prolongando o sofrimento do animal.
Não há, até o momento, informações oficiais sobre o estado atual do cachorro. Também não foi confirmado se houve deslocamento de equipes ou previsão de atendimento após as tentativas de contato feitas ao longo da manhã.
Perguntas seguem sem resposta
O caso levanta dúvidas diretas sobre o funcionamento do sistema. Em situações como essa, quem deve ser acionado? Existe um protocolo definido para resgates em áreas de difícil acesso? Para onde o animal é levado depois? Quem assume a responsabilidade por ele?
Essas perguntas foram encaminhadas à Secretaria de Bem-Estar Animal, que foi procurada pela reportagem para prestar esclarecimentos. Até o momento da publicação, não havia retorno.
A expectativa é de que o caso tenha desdobramentos ao longo do dia, tanto em relação ao resgate do animal quanto às respostas oficiais dos órgãos envolvidos.