Vídeo mostra animais amontoados em freezer e protetores pedem mais transparência
Denúncias de protetores independentes apontam a morte de dezenas de animais em uma clínica veterinária conveniada à Prefeitura de Nova Friburgo. O caso levou à abertura de investigação pelo Ministério Público e levanta questionamentos sobre transparência, fiscalização e protocolos adotados.
Denúncias envolvendo atendimento a animais errantes: O Portal EcoSerrano recebeu denúncias encaminhadas por protetores independentes da causa animal em Nova Friburgo relatando a morte de mais de 30 animais atendidos por uma clínica veterinária conveniada à Prefeitura, responsável pelo acolhimento de animais errantes resgatados pela Secretaria Municipal de Bem-Estar Animal (SEBEA). Segundo os relatos, os animais teriam sido encaminhados para internação e tratamento, mas protetores afirmam que enfrentam dificuldades para obter informações básicas sobre o estado de saúde, evolução clínica, registros de óbitos e eventuais processos de adoção.
Dados oficiais divulgados pela Prefeitura: De acordo com informações prestadas pela Prefeitura de Nova Friburgo, desde o início da execução do contrato com a clínica conveniada, cerca de 161 animais foram internados. Ainda segundo o Executivo municipal, 43 animais vieram a óbito, sendo sete por eutanásia (baseados em critérios técnicos e legais) e 36 em decorrência de complicações clínicas. O número chamou atenção de protetores e ativistas da causa animal, que questionam os critérios médicos adotados e o acompanhamento dos casos.
Questionamentos sobre transparência e fiscalização: Os protetores afirmam que solicitaram informações detalhadas à SEBEA e à clínica veterinária, mas relatam dificuldades de acesso a dados considerados essenciais, como prontuários, laudos veterinários, registros de entrada e saída dos animais e relatórios sobre óbitos. De acordo com os denunciantes, também não há clareza sobre os mecanismos de fiscalização do contrato firmado com a clínica, nem sobre a periodicidade de auditorias ou vistorias técnicas realizadas pelo município.
Armazenamento de animais mortos levanta preocupações: Uma das imagens encaminhadas aos protetores e divulgadas nas denúncias mostra corpos de animais acondicionados em sacos plásticos pretos, armazenados em um freezer aparentemente comum, sem identificação visível. Especialistas ouvidos em contextos semelhantes apontam que o armazenamento temporário de animais mortos pode ocorrer em ambiente refrigerado, desde que siga normas sanitárias rígidas, com equipamentos exclusivos, identificação adequada, controle de temperatura e destinação correta para incineração ou outro método legalmente previsto. O uso de freezers comuns, sem segregação adequada, pode representar riscos sanitários, ambientais e legais, além de contrariar boas práticas de manejo de resíduos biológicos, conforme diretrizes de órgãos de vigilância sanitária e conselhos de medicina veterinária.
Busca por apoio institucional e resposta da OAB-NF: Diante da situação, protetores informam que buscaram apoio da Ordem dos Advogados do Brasil – Subseção Nova Friburgo (OAB-NF), solicitando acompanhamento do caso por meio da Comissão de Proteção Animal. Segundo os relatos, a resposta recebida indicou que não haveria interesse institucional no acompanhamento, sob o argumento de que as autoridades locais já estariam cientes dos fatos. A negativa gerou frustração e levou os protetores a buscar outras instâncias.
Ministério Público é acionado: Após a negativa relatada, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro foi acionado para apurar as denúncias. De acordo com os protetores, as informações foram formalizadas junto ao órgão, que deverá avaliar a regularidade do contrato, os protocolos veterinários adotados e a atuação do poder público. Até o momento, não há divulgação oficial sobre a instauração de procedimento específico, mas o caso está sob análise do MP.
Questionamentos enviados pelo EcoSerrano: O Portal EcoSerrano encaminhou questionamentos formais à Prefeitura de Nova Friburgo, por meio da Subsecretaria de Comunicação, e à OAB-NF, por meio do e-mail institucional da administração. Entre os pontos enviados à Prefeitura estão: Se o Executivo tem conhecimento das denúncias; O levantamento oficial de óbitos na clínica; Os protocolos veterinários exigidos em contrato; A forma de fiscalização dos serviços; A existência de registros documentais sobre entrada, tratamento, óbito e adoção; A colaboração do município com investigações em andamento. À OAB-NF, foram solicitados esclarecimentos sobre eventual solicitação formal de acompanhamento, o entendimento institucional adotado e a atuação da Comissão de Proteção Animal em casos semelhantes. Até o fechamento desta reportagem, não houve retorno oficial dos órgãos contatados.
Contexto local e relevância: O caso ocorre em um momento de crescente mobilização da causa animal em Nova Friburgo e reforça debates sobre políticas públicas de bem-estar animal, transparência administrativa e fiscalização de serviços terceirizados pelo poder público.
Participe: o que você pensa sobre a causa animal em Nova Friburgo?
Você considera adequada a fiscalização de clínicas conveniadas pelo poder público? (Sim / Não)
A transparência sobre atendimentos e óbitos de animais deveria ser pública? (Sim / Não)
O município precisa rever os protocolos de atendimento a animais errantes? (Sim / Não)