Veja todos os detalhes da audiência de um dos casos mais chocantes do Estado do Rio
O julgamento de Ricardo Vasconcellos, acusado de matar a esposa grávida e os sogros em 2021, foi adiado após ele afirmar ter perdido a confiança na defesa. O Ministério Público considera a atitude uma manobra protelatória. A juíza informou que o júri será reagendado até março de 2026.
Ruptura entre réu e defesa adia julgamento
O júri popular do tabelião Ricardo Pinheiro Jucá Vasconcellos, de 43 anos, foi adiado na noite desta quarta-feira (11), em Nova Friburgo, após o réu comunicar ao tribunal que havia perdido a confiança na Defensoria Pública.A interrupção ocorreu durante a continuidade da sessão, que já havia começado na última terça-feira, 10, e acumulava mais de 16 horas de depoimentos e análises técnicas.Segundo o Ministério Público, a decisão do réu é vista como um ato destinado a atrasar o andamento do processo, que tramita desde 2021.
Ministério Público vê ato protelatório
Para o promotor Tade Nemer, a ruptura repentina com o defensor público demonstra busca por adiamento e não por uma estratégia jurídica consistente.“Houve uma divergência entre o acusado e a defesa técnica sobre qual seria a melhor versão defensiva. Isso não é incomum no Tribunal do Júri. No entanto, o senhor Ricardo Jucá alegou ter perdido a confiança no defensor público e optou por destituí-lo, o que o Ministério Público enxerga como um ato claramente protelatório”, afirmou Nemer durante a sessão.Com a destituição, a juíza responsável indicou que o julgamento será remarcado até março de 2026.
Defesa exibe vídeo da irmã do réu
Durante a sessão, a defesa apresentou um vídeo gravado pela irmã do réu, que é psicóloga. Na gravação, ela afirma que Ricardo demonstrava comportamento desorganizado na semana do crime, incluindo delírios de perseguição e alegações de envenenamento.Apesar disso, o pedido para reconhecimento de insanidade já havia sido negado anteriormente pelo Judiciário por falta de comprovação técnica.Laudos psiquiátricos anexados ao processo concluíram que o réu estava lúcido no momento dos homicídios.
Júri havia começado na terça-feira
O julgamento teve início na última terça-feira, 10, com sorteio dos jurados e depoimentos de testemunhas. Para evitar interferências externas, os jurados ficaram hospedados em um hotel sob acompanhamento da Justiça e escolta policial.
Relembre o caso
O crime ocorreu na noite de 13 de agosto de 2021, no bairro Cônego, em Nova Friburgo. Segundo a polícia, ao chegar ao local, agentes encontraram o sogro do réu, Wellington Gomes Melo, de 75 anos, baleado e consciente. Ele afirmou ter sido atingido pelo genro.Wellington foi levado ao hospital, onde permaneceu internado por quase um mês, mas morreu em decorrência dos ferimentos.No imóvel, a polícia também encontrou o corpo da sogra, Rosemary Gomes da Cunha, 67 anos. No segundo andar estava a esposa do réu, Nahatty Gomes, 33 anos, grávida de seis meses. A arma — uma pistola Glock 9mm — foi localizada ao lado do corpo.Ricardo foi preso em flagrante e, no caminho para a delegacia, alegou ter sofrido um “transtorno psíquico”. No entanto, exames posteriores descartaram sinais de psicose.Ele responde por feminicídio, homicídio qualificado, aborto e agravantes como motivo banal e impossibilidade de defesa das vítimas. As penas somadas podem ultrapassar 80 anos de prisão.Dias antes do crime, no domingo de Dia dos Pais, Nahatty publicou uma homenagem ao marido em suas redes sociais, afirmando que a gestação havia sido marcada por “amor, gratidão e certeza de que a filha tirou a sorte grande”.
Mini-questionário — Participe
Perguntas rápidas sobre o julgamento em Nova Friburgo
Você concorda com o entendimento do Ministério Público de que houve tentativa de protelar o julgamento?
O júri deveria ser remarcado ainda este ano ou apenas em 2026?
Como você avalia a importância de transparência em julgamentos de grande impacto regional?