Vídeo mostra cena alarmante e moradores cobram ação rápida dos órgãos competentes
Moradores de Lumiar voltaram a relatar, neste domingo (9), a morte de dezenas de peixes no Lago de Lumiar. Especialistas e relatos locais apontam que a causa pode estar ligada à falta de oxigênio na água, acúmulo de ração e ausência de manutenção adequada.
Cenas repetidas no cartão-postal de Lumiar
Desde 2022, o Lago de Lumiar, um dos principais cartões-postais do distrito de Nova Friburgo, enfrenta uma crise ambiental silenciosa. No último domingo (9), moradores voltaram a encontrar dezenas de peixes mortos boiando às margens do lago — um cenário que se repete periodicamente e que vem acompanhado de odor forte e água turva.
Segundo registros enviados ao EcoSerrano, o problema não é novo e tem gerado indignação entre moradores, comerciantes e visitantes, que relatam a falta de ação efetiva das autoridades locais para conter a degradação do espaço.
Responsabilidade municipal e necessidade de ação integrada
O Lago de Lumiar é uma área de responsabilidade do município, sob os cuidados diretos da Subprefeitura de Lumiar, em conjunto com as Secretarias Municipais de Meio Ambiente (SMMA) e, desde 2025, de Bem-Estar Animal (SEBEA).Apesar de a SEBEA ser mais conhecida por atuar em casos envolvendo cães e gatos, o órgão possui servidores com competência técnica e expertise para atuar em causas relacionadas à fauna aquática e ao bem-estar de animais silvestres, o que pode contribuir para avaliar e mitigar os impactos ambientais que afetam o ecossistema do lago.
Fatores técnicos que explicam o fenômeno
De acordo com relatos de moradores, há três fatores principais que podem estar provocando as mortes recorrentes de peixes no Lago de Lumiar:
Superpopulação de peixes: Moradores relatam que, há meses, não é realizada a chamada despesca (remoção controlada de parte da população de peixes). O excesso de animais reduz a disponibilidade de oxigênio na água, agravando a mortalidade.
Acúmulo de ração: Comércio de pacotes de ração para alimentar os peixes. O excesso de alimento se acumula no fundo, apodrece e consome o oxigênio dissolvido na água, alterando o equilíbrio químico.
Baixa oxigenação e água parada: Moradores informaram que a bomba de oxigenação e a queda d’água natural que alimenta o lago não estão funcionando de forma adequada. Com pouca circulação, o lago se transforma em um ambiente propício à anóxia aquática — fenômeno em que há falta de oxigênio suficiente para a vida aquática.
Um morador relatou que “os peixes estão agonizando por cima da água, tentando respirar”, e que “a queda d’água não é suficiente para oxigenar o lago”. Segundo ele, “a água virou um lodo de tanta ração jogada”.
Chamado por fiscalização e medidas preventivas
Os moradores pedem intervenção imediata da Prefeitura de Nova Friburgo e dos órgãos competentes. Entre as sugestões apresentadas estão:
Limpeza e dragagem do fundo do lago para remoção de matéria orgânica;
Proibição da venda e do lançamento de ração ao público;
Reativação dos mecanismos de oxigenação da água;
Monitoramento da qualidade da água com apoio técnico de biólogos e engenheiros ambientais.
A Subprefeitura de Lumiar e a Secretaria de Meio Ambiente ainda não divulgaram nota oficial sobre o caso. Já a Polícia Ambiental esteve no local para realizar uma vistoria inicial.
Miniquestionário — Entenda o caso
🔹 Por que os peixes do Lago de Lumiar estão morrendo? A principal hipótese é a falta de oxigenação da água, causada pela superpopulação de peixes, excesso de ração e ausência de circulação adequada.🔹 De quem é a responsabilidade pela manutenção do lago? A Prefeitura de Nova Friburgo, por meio da Subprefeitura de Lumiar, da Secretaria de Meio Ambiente e da Secretaria de Bem-Estar Animal.🔹 O que pode ser feito a curto prazo? Reativar o sistema de oxigenação, controlar a alimentação dos peixes e realizar o manejo técnico da fauna aquática.🔹 Qual é o impacto ambiental do problema? A morte de peixes e o desequilíbrio químico da água prejudicam todo o ecossistema local e podem gerar contaminação secundária.