Renderização do pórtico de Nova Friburgo, projeto de entrada da cidade com design moderno.

Mesmo com quase R$ 2 mi para pórtico de Nova Friburgo, projeto não deve sair do papel em 2026

Mesmo com verba parlamentar, pórtico prometido por Johnny Maycon perde força após negativa pública

Secretária de Turismo afirma que o pórtico da RJ-116 não está contemplado no planejamento do governo. Promessa feita em 2024 fica estagnada apesar do decreto de desapropriação e da emenda de R$ 1,9 milhão. O pórtico de Nova Friburgo, anunciado pela prefeitura como um “novo cartão-postal de entrada da cidade”, não vai sair do papel. A confirmação foi dada pela secretária municipal de Turismo, Kamila Mouza, durante apresentação da LDO de 2025 na Câmara Municipal, na última segunda-feira (20). Segundo o vereador Maicon Gonçalves (Mobiliza), que questionou o andamento da obra, a secretária foi direta: “o pórtico não está contemplado”. A fala enfraquece uma das promessas mais divulgadas pela atual gestão durante o período eleitoral de 2024 e contraria anúncios anteriores do próprio governo.

Histórico do projeto e promessa de campanha

O pórtico foi prometido publicamente pelo prefeito Johnny Maycon como símbolo de modernização turística, ainda durante a corrida eleitoral de 2024. Na época, o governo afirmou que o projeto já estava em fase de viabilização. Em 18 de fevereiro deste ano, o Município publicou o Decreto nº 3.397, declarando como área de utilidade pública um terreno de 6.520 m² na RJ-116 (Fazenda Pedra Branca), para desapropriação e construção do pórtico junto ao Centro de Atendimento ao Turista (CAT). O discurso oficial reforçava que a obra seria um “novo marco do turismo” e que a entrada da cidade seria revitalizada.

Emenda parlamentar e expectativa de recursos

De acordo com o vereador Maicon Gonçalves, o deputado federal Luiz Lima (NOVO) destinou uma emenda parlamentar de R$ 1,9 milhão para o projeto, o que aumentou a expectativa de início das obras. Com a negativa atual, cresce a percepção de que o projeto não avançou após o anúncio inicial, apesar do empenho político e da repercussão pública.

O que disse a secretária de Turismo

Na audiência da LDO, quando questionada sobre o andamento da obra, Kamila Mouza respondeu: “Não será um projeto de passagem, apenas, por isso eu preciso ser honesta e dizer que o pórtico não está contemplado.” O posicionamento coloca o projeto numa espécie de limbo administrativo: há decreto, há área desapropriada em andamento, há emenda anunciada, mas não há execução.

Impacto político e desgaste público

A promessa, agora desacreditada, pode gerar desgaste político por se tratar de uma obra utilizada de forma recorrente no discurso oficial de desenvolvimento do turismo. Para moradores e comerciantes da RJ-116, o pórtico era visto como oportunidade de valorização urbana e reforço da identidade turística. Com a retirada do projeto do planejamento, prevalece a sensação de recuo ou abandono.

O que pode acontecer daqui para frente

Sem previsão orçamentária e sem planejamento apresentado, o pórtico passa a ser classificado como projeto sem execução, a despeito do decreto publicado no Diário Oficial. Especialistas em políticas públicas ouvidos informalmente por EcoSerrano avaliam que, sem empenho orçamentário ou abertura de licitação, a obra não ultrapassa a fase de promessa.

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