Locais já estão em contagem regressiva e data está próxima
Modelagem inédita revela impactos severos no litoral carioca
Um levantamento inédito realizado pela Coppe/UFRJ, publicado na revista Natural Hazards, traz projeções preocupantes para o litoral do Rio de Janeiro. O estudo indica que praias icônicas como Copacabana, Ipanema, Leme e Leblon podem perder até 100 metros de faixa de areia até o final do século devido à elevação do nível do mar.A pesquisa utilizou o modelo ROMS (Regional Ocean Modeling System), acoplado a um Modelo Digital de Elevação de alta precisão, simulando cenários até 2100. A previsão mais provável aponta para um aumento de até 69 centímetros no nível do oceano.
Áreas e ecossistemas sob ameaça
As simulações apontam que bairros como Botafogo e Flamengo também estão entre os mais vulneráveis. Em muitos trechos, não há espaço para a “migração natural” da areia, o que pode levar à perda completa da faixa litorânea.Além do impacto direto nas praias, o estudo prevê:
Expansão de lagoas costeiras, como a Rodrigo de Freitas e a de Piratininga;
Desaparecimento de manguezais remanescentes da Baía de Guanabara;
Maior risco de inundações em zonas urbanas e turísticas.
Esses ecossistemas são essenciais para a proteção contra enchentes, manutenção da biodiversidade e equilíbrio ambiental.
Por que este estudo é diferente
A pesquisadora Raquel Toste, integrante do projeto, destaca que o diferencial está na escala local e na alta precisão dos dados:“As projeções globais não abordam inundações costeiras de forma detalhada. O modelo regional permite enxergar dinâmicas específicas, como correntes, marés e mudanças no nível do mar ao longo do tempo — o que os modelos globais não capturam”, afirma.O trabalho foi conduzido pelo Laboratório de Métodos Computacionais em Engenharia (Lamce), da Coppe, e é pioneiro no Brasil em aplicar este tipo de modelagem para avaliar vulnerabilidade costeira urbana.
Ferramenta para políticas públicas
Mesmo em cenários mais otimistas, com estabilização do aquecimento global até 2100, os impactos sobre o litoral carioca são considerados inevitáveis sem ações locais de adaptação.O estudo oferece dados estratégicos para:
Mapear zonas de risco;
Planejar obras de drenagem e contenção;
Avaliar soluções de engenharia para preservação das praias;
Proteger ecossistemas;
Planejar realocação de áreas vulneráveis.
Ciência aplicada à tomada de decisão
Para os autores, enfrentar a crise climática no litoral requer ações fundamentadas em evidências. A pesquisa reforça o papel da universidade pública na geração de conhecimento que possa orientar investimentos, proteger a população e preservar o patrimônio natural e cultural do Rio.