Ricardo Jucá em foto de perfil, possivelmente antes dos crimes.

Tabelião acusado de promover massacre contra a própria família, na cidade de Nova Friburgo, vai a júri popular

Homem alegou surto psicótico após atirar contra esposa grávida de uma menina e os sogros. Veja os detalhes na matéria

 

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Justiça confirma júri popular para tabelião acusado de crime em Nova Friburgo

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) confirmou que Ricardo Pinheiro Jucá Vasconcelos, tabelião acusado de matar a esposa grávida e os sogros, será julgado pelo Tribunal do Júri. A decisão da 8ª Câmara Criminal manteve a sentença da 1ª Vara Criminal de Nova Friburgo e rejeitou a tese de surto psicótico apresentada pela defesa. O caso segue para julgamento popular, em data a ser definida, no qual sete jurados decidirão sobre a condenação ou absolvição.

O crime que chocou a Região Serrana

Na noite de 13 de agosto de 2021, no bairro Cônego, em Nova Friburgo, Ricardo atirou contra a esposa, Nahaty Gomes de Mello, grávida de seis meses, e contra seus sogros, Rosemary Gomes de Mello (67 anos) e Wellington Braga Mello (75). Nahaty, que atuava como juíza de paz, e sua mãe morreram na hora. Wellington chegou a ser internado, mas morreu em 1º de setembro de 2021, após 19 dias hospitalizado. Segundo a Polícia Militar, Nahaty e Rosemary foram encontradas em andares diferentes da casa. Wellington, baleado na boca, ainda conseguiu relatar aos policiais que o genro havia sido o autor dos disparos.  
Mãe e filha grávida juntas, Rose e Nahaty, com expectativa pela neta.
Rose e Nahaty, celebrando a gravidez da filha e a chegada da neta.
 

Arma registrada pouco antes do crime

Um detalhe importante pode impactar o julgamento: a arma utilizada, uma pistola calibre 9mm, foi registrada por Ricardo em 6 de julho de 2021, pouco mais de um mês antes do crime. De acordo com informações obtidas pelo EcoSerrano, o registro tinha validade de 10 anos. Para o Ministério Público, esse fato pode reforçar a suspeita de premeditação, já que indica planejamento e intenção anterior. A pistola foi encontrada no andar de cima da casa, junto ao corpo de Nahaty.  
Retrato de Wellington Braga, com chapéu, em memória
Wellington Braga em memória, dias antes de falecer.
 

Defesa alegou surto psicótico

Inicialmente, Ricardo alegou ter sofrido um surto psicótico por intoxicação medicamentosa. Contudo, laudos psiquiátricos do Hospital Penal Roberto Medeiros concluíram que ele “encontra-se em condições mentais de exercer atos da vida civil”. A Justiça descartou a tese de insanidade e determinou a pronúncia do réu. Em decisão, o juiz Marcelo Alberto Chaves Villas destacou: “O acusado praticava tiro desportivo, postava fotografias em redes sociais com arma de fogo e não se sabe se influenciado por discurso de ódio. Quiçá fatores possam explicitar crimes tão graves como ora os apurados e não um suposto surto psicótico.”

Histórico com armas de fogo

Ricardo já era praticante de tiro desportivo e em 2020 chegou a publicar fotos em um centro de treinamento tático. Para treinar no local, apresentou um laudo psicológico de aptidão emitido por uma psicóloga credenciada. Na audiência de custódia, o juiz considerou esse histórico relevante para mantê-lo preso em presídio comum. Atualmente, ele segue detido em Bangu 8, no Complexo de Gericinó, Zona Oeste do Rio.

Possíveis qualificadores e penas

De acordo com a Polícia Civil, Ricardo será indiciado por dois feminicídios consumados, aborto e homicídio do sogro. Somadas, as penas podem chegar a 100 anos de prisão. A premeditação, caso seja confirmada, pode agravar a pena, por indicar maior intencionalidade e frieza na execução do crime.

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