Imóvel tradicional da cidade será demolido e colônia de gatos que vive no local há quase dez anos está ameaçada. ONG cobra atitude de Secretaria de Bem Estar Animal. Entenda o caso na reportagem
Ação judicial tenta proteger gatos em meio às obras do antigo Clube Xadrez
As obras em andamento no imóvel do antigo Clube Xadrez, no centro de Nova Friburgo, passaram a ser alvo de uma disputa judicial. O motivo agora não é apenas o impacto arquitetônico da construção, mas a presença de uma colônia de gatos que, segundo protetoras independentes, vivem no local há pelo menos oito anos.Estima-se que cerca de dez gatos adultos e adolescentes, além de três ninhadas recentes, estejam escondidos na propriedade. Os animais teriam sido surpreendidos pelo avanço das obras e pela movimentação de operários. Segundo relatos, muitos estariam desnutridos, desidratados e visivelmente assustados.
Gatos nasceram e viveram no local
De acordo com os relatos apresentados à Justiça, os gatos foram se estabelecendo na área com o passar dos anos, e passaram a ser cuidados por protetoras independentes. Uma das gatas, chamada Pandora, deu à luz recentemente no meio da construção. As cuidadoras alegam que não têm mais acesso à parte interna do terreno para alimentar e hidratar os animais, já que a área foi fechada pelos novos responsáveis pela obra.“Eles sabem que os animais estão ali, mas não param as obras. Os bichos estão assustados. Alguns estão sumindo, outros estão visivelmente mais magros. Estamos desesperadas”, relatou uma das protetoras, que teve sua identidade preservada.
ONG entra na Justiça e cobra responsabilidade do Município
O Instituto Nina Rosa (INR) ajuizou uma ação civil pública contra o Município de Nova Friburgo e os novos responsáveis pela construção. A advogada Cícera de Fátima Silva, representante do INR, argumenta que os artigos 23 e 225 da Constituição Federal obrigam o Poder Público a proteger a fauna e evitar atos de crueldade contra animais. O pedido central da ação é a suspensão temporária das obras até que todos os gatos sejam resgatados e encaminhados para local seguro, com manejo ético e adoção responsável.“A responsabilidade não é só dos donos da obra. O Município também precisa garantir a proteção dessa colônia. Estamos falando de seres sencientes, com dignidade própria, que estão sendo colocados em risco”, afirma a advogada.
Empresas negam colônia e dizem que animais são errantes
Em manifestação no processo, as empresas envolvidas nas obras negaram a existência de uma colônia fixa no local. Segundo elas, os animais seriam apenas “errantes” e passariam ocasionalmente pela propriedade. A defesa também alegou que está colaborando com protetoras e que se dispôs a custear despesas veterinárias.As cuidadoras, no entanto, contestam: afirmam que dois gatos foram capturados até o momento e levados a uma clínica indicada pela empresa — ambos por iniciativa das próprias protetoras. Um deles é Gaia, uma gata que vivia no Xadrez há anos e agora está isolada em uma baia sem conforto.“O lugar é frio, apertado, sem caixa de areia, sem enriquecimento. Ela está lá sozinha, e um dos filhotes dela pode estar preso na obra. Isso não é proteção. É confinamento”, lamenta uma das cuidadoras.
TAC firmado com a Prefeitura é criticado
Após o início da ação judicial, a Prefeitura de Nova Friburgo firmou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com uma das empresas. No entanto, segundo a advogada da ONG, o documento é vago e não garante a proteção concreta dos animais.“O TAC não estabelece prazos, multas ou procedimentos específicos. Não detalha o plano de socialização ou adoção, nem garante a realocação para um local apropriado. É um acordo superficial que, na prática, não protege os animais”, critica Cícera.As protetoras seguem monitorando o local e pedem apoio da população para garantir que os gatos sejam resgatados com segurança. Interessados em ajudar podem entrar em contato com o perfil @gatinhosclubexadrez no Instagram.