Queixada (Pecari tajacu) na Serra das Araras, RJ, Brasil.

RARIDADE NO RIO: Espécie sumida há décadas é avistada em mata

Estudo que conseguiu identificar a volta do animal, bem pertinho da capital, recebeu grande destaque internacional

Queixadas reaparecem no Rio de Janeiro após décadas sem registros

Uma descoberta científica de grande relevância colocou novamente o Estado do Rio de Janeiro no mapa da conservação ambiental. Após décadas sem registros confirmados, populações de queixadas (Tayassu pecari) foram documentadas na Reserva Biológica Estadual de Araras (Rebio Araras), entre Petrópolis e Miguel Pereira, na Região Serrana. O estudo foi publicado em junho na revista científica Suiform Soundings, da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).

Monitoramento detectou bandos entre 2021 e 2023

As primeiras imagens dos queixadas na Rebio Araras foram obtidas em 2021, por meio de armadilhas fotográficas instaladas no projeto de monitoramento de mamíferos de médio e grande porte, conduzido pela pesquisadora e guarda-parque Vanessa Cabral Barbosa, do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), em parceria com a UFRJ. Desde então, os registros foram constantes, indicando bandos com até 60 indivíduos vivendo em áreas de floresta contínua, reforçando a importância de corredores ecológicos e da proteção de remanescentes florestais.

Espécie essencial para o ecossistema

Os queixadas são animais sociais, que vivem em grandes grupos e têm papel ecológico fundamental: dispersam sementes, ajudam na regeneração florestal e controlam populações de outras espécies. Com pelagem escura e um “queixo branco” característico, esses mamíferos estão listados como Vulneráveis na Lista Vermelha da IUCN, devido à caça e à perda de habitat.

Reconhecimento científico e contribuição nacional

O estudo sobre os queixadas no Rio foi incluído na consulta nacional sobre ungulados ameaçados, organizada pelo ICMBio, com participação inédita de unidades de conservação estaduais. Também foram destacados registros de anta (Tapirus terrestris) no Parque Estadual do Cunhambebe e observações no Parque Estadual da Pedra Selada. Segundo a pesquisadora Vanessa Cabral, a redescoberta do queixada reforça a importância da ciência aliada a políticas públicas eficazes.

Sobre a Rebio Araras

Criada em 1977 e ampliada em 2010, a Reserva Biológica Estadual de Araras protege mais de 3.800 hectares da Mata Atlântica, funcionando como um santuário da biodiversidade. A unidade é de proteção integral, ou seja, não permite visitação pública, e concentra rios importantes que integram a Bacia do Piabanha. 

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