Ataque matou 27 civis, entre eles três crianças
Terceiro dia de ataques: quase 30 palestinos mortos em fila por comida em Gaza
Pelo terceiro dia consecutivo, palestinos que buscavam ajuda humanitária foram alvo de disparos no sul da Faixa de Gaza, desta vez em Tel al-Sultan, na cidade de Rafah, onde pelo menos 27 pessoas morreram e dezenas ficaram feridas, segundo o Ministério da Saúde palestino e o Hospital Nasser, que relatam uma situação de colapso no atendimento.
O que aconteceu?
De acordo com a CNN, o ataque ocorreu na manhã da terça-feira (3), quando civis se deslocavam até um ponto de distribuição de alimentos. O Exército de Israel (IDF) afirmou que os militares dispararam após identificarem “suspeitos” se aproximando de forma ameaçadora. Primeiro, teriam sido realizados tiros de advertência, e depois, novos disparos, “próximos aos indivíduos”, após eles não recuarem.
No entanto, relatos do hospital Nasser indicam que as vítimas apresentavam ferimentos concentrados na parte superior do corpo — o que reforça a versão de que os alvos eram civis. Segundo o Dr. Marwan al-Hams, chefe dos hospitais de campanha, “só se alguém morrer dentro das UTIs é que podemos atender o próximo paciente”. A unidade também fez apelo por doações urgentes de sangue.
Ajuda virou alvo
O episódio repete um padrão trágico: no domingo (1º), autoridades palestinas relataram 31 mortos em um ataque semelhante; na segunda-feira (2), outras três mortes foram registradas. Todos os casos ocorreram na mesma região, próximo aos pontos operados pela Fundação Humanitária de Gaza (GHF) — uma ONG americana apoiada por Israel e que tem enfrentado críticas severas por operar fora dos padrões da ONU.
A ONU se recusou a trabalhar com a GHF, argumentando que o modelo expõe civis a riscos extremos, forçando deslocamentos longos até zonas de guerra para garantir alimentação.
O que diz Israel?
O Exército de Israel nega ter disparado dentro ou próximo aos pontos de distribuição da ajuda, embora fontes militares tenham reconhecido que soldados atiraram a cerca de 1 km do local. O episódio segue sob investigação. A justificativa oficial permanece a de que os palestinos se desviaram dos “corredores seguros” e representavam “ameaça iminente”.
Fome e desespero
A Faixa de Gaza está bloqueada há 11 semanas, e o cenário de fome generalizada se agrava. Milhares de civis relatam longas caminhadas e confrontos por comida, agravando ainda mais a tragédia humanitária. Vídeos obtidos pela CNN mostram a chegada de feridos ao hospital e civis carregando caixas com alimentos, entre o medo e o desespero.
O Que Esperar Agora?
Com a escalada das mortes durante ações de socorro, cresce a pressão internacional sobre Israel e a crítica à gestão da GHF, que perdeu apoio de parceiros como a Boston Consulting Group e de seu próprio CEO, Jake Wood, que renunciou antes do início das operações. O temor é que os pontos de distribuição se tornem armadilhas em meio ao fogo cruzado.
Atualização:
Testemunhas civis, ONGs e autoridades de saúde relataram que as pessoas foram baleadas enquanto estavam à espera de alimentos em um centro de distribuição de ajuda humanitária. Mas os militares israelenses disseram que os relatos eram falsos, e negaram que suas tropas tenham disparado contra civis perto ou dentro do local. A Fundação Humanitária de Gaza (GHF, na sigla em inglês), grupo apoiado pelos Estados Unidos e por Israel que agora administra a distribuição de ajuda humanitária, afirmou que os relatos eram “totalmente inventados”. Israel não permite que organizações internacionais de notícias, incluindo a BBC, entrem em Gaza, o que dificulta a verificação do que está acontecendo no território. Na terça-feira, houve um incidente semelhante quando autoridades locais disseram que forças israelenses dispararam contra civis que tentavam coletar ajuda, matando pelo menos 27 pessoas. As Forças de Defesa de Israel (FDI) afirmaram que suas tropas dispararam depois de identificar o que descreveram como suspeitos que se moviam na sua direção “desviando das rotas de acesso designadas”.📝 Fonte: CNN International
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