Um ponto de interrogação vermelho em um balão de fala branco sobre um fundo rosa.

Secretaria da Mulher silencia diante de tragédia com mãe e bebês em Nova Friburgo

Ausência de membros da pasta voltada para o bem estar da mulher em audiência pública sobre o tema, gera indignação por parte da população e questionamento sobre sua eficácia surge

População cobra resposta da Prefeitura sobre mortes de Ingrid e suas filhas gêmeas

Duas semanas após a trágica morte de Ingrid e suas filhas gêmeas recém-nascidas, a Prefeitura de Nova Friburgo permanece em silêncio. O caso, que gerou comoção na cidade, envolve acusações de negligência médica no Hospital Maternidade, onde Ingrid buscou atendimento sentindo fortes dores dias antes do falecimento. Segundo o relato da família, nenhum exame foi realizado e ela foi medicada e mandada de volta para casa. Horas depois, Ingrid entrou em trabalho de parto prematuro. Uma das filhas nasceu morta. Ingrid e a outra bebê faleceram no dia seguinte.  

Secretário de Saúde e prefeito ainda não se pronunciaram

A dor da família se soma à ausência de empatia e manifestação pública por parte do prefeito Johnny Maycon e do secretário de Saúde, Gabriel Wenderoschy. Nenhuma nota, visita ou pronunciamento foi feito. A omissão vem sendo interpretada como descaso diante de uma tragédia que poderia, segundo a família, ter sido evitada com o mínimo de cuidado. A 151ª Delegacia de Polícia instaurou inquérito para apurar as circunstâncias das mortes.  

Secretaria da Mulher é criticada por omissão

Outra ausência notada com indignação foi a da Secretária da Mulher, Vanderleia Lima, que até o momento não emitiu nenhuma manifestação sobre o caso de Ingrid. A pasta, criada este ano pelo próprio prefeito parece não fazer muito sucesso e está sob severas críticas por, aparentemente, não apresentar nenhuma política pública efetiva em prol da causa feminina. Segundo relatos de militantes e defensores da causa, a Secretaria da Mulher não participou sequer da audiência pública realizada no dia 9 de maio, que tratava da implantação da Casa Abrigo para vítimas de violência doméstica. A audiência reuniu mais de 100 pessoas, mas nenhum representante da Prefeitura esteve presente.  

Medo de perder verba de R$ 814 mil para Casa Abrigo

Durante a audiência, foi informado que o deputado federal Glauber Braga (PSOL) destinou R$ 814 mil via emenda parlamentar para a construção de um espaço de acolhimento. No entanto, o valor pode ser perdido se o município não apresentar uma proposta concreta para destinar e adequar o local. A ausência da Secretaria da Mulher nesse processo preocupa a população. Militantes temem que a verba se perca por falta de interesse e articulação da gestão atual, que até agora não apresentou nenhum plano ou cronograma para o uso dos recursos.    
O Prefeito Johnny Maycon posa com a Secretária da Mulher Vanderleia Lima e a Subsecretária Fernanda Oliveira, ambas vestindo camisetas da corrida "Sprint Run, Edição Mulher"
Prefeito Johnny Maycon entre a Secretária da Mulher Vanderleia Lima (esq) e a Subsecretária Fernanda Oliveira (dir) na “Sprint Run, Edição Mulher”.

EcoSerrano questionou a secretária, mas não obteve resposta

O portal EcoSerrano enviou perguntas diretamente à secretária Vanderleia Lima, solicitando informações sobre:
  • A ausência da Secretaria da Mulher no caso Ingrid;
  • A não participação na audiência pública sobre a Casa Abrigo;
  • Quais políticas públicas estão sendo desenvolvidas pela pasta;
  • Quais medidas estão em curso para assegurar o uso da verba de R$ 814 mil.
Nenhuma resposta foi enviada até a publicação desta reportagem.  

Para que serve a Secretaria da Mulher?

A ausência de ações concretas da Secretaria da Mulher levanta dúvidas entre a população e organizações da sociedade civil: para que foi criada essa pasta? Qual sua função real? A percepção crescente é de que a secretaria tem atuado de forma ineficaz, gerando desconfiança sobre seu propósito e estrutura. Enquanto isso, mulheres seguem vulneráveis, vítimas de violência, sem acesso a uma rede de acolhimento eficaz e sem resposta institucional diante de casos graves como o de Ingrid.

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