Lachesis Rhombeata descoberta no Rio de Janeiro - espécie já está ameaçada de extinção - Foto - Rodrigo Leite

Nova espécie de animal selvagem é descoberta no Rio de Janeiro

Imagens foram divulgadas na última semana com flagrante incrível. Espécie, no entanto, já está ameaçada de extinção

Na noite desta sexta-feira, 02, o portal O Eco divulgou uma reportagem que destaca uma importante descoberta científica envolvendo a surucucu (Lachesis muta), a maior serpente peçonhenta das Américas. Apesar de sua impressionante dimensão – podendo chegar a 3,6 metros de comprimento –, essa espécie ainda guarda muitos segredos para a ciência. Recentemente, aspectos taxonômicos dessa serpente foram desvendados em um estudo publicado na revista Systematics and Biodiversity. O estudo, liderado pelo pesquisador Breno Hamdan, do Instituto Vital Brazil e da Universidade Federal do Rio de Janeiro, contou com a colaboração de dezesseis pesquisadores de treze instituições diferentes. Eles utilizaram técnicas avançadas de genética, além de análises do veneno, da morfologia e do habitat natural, para investigar a taxonomia das surucucus.
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“Publicamos inicialmente o sequenciamento completo do material genético mitocondrial da população da Mata Atlântica e comparamos com o de um indivíduo da população amazônica. Em seguida, sequenciamos os DNAs de representantes das duas populações e fizemos uma análise que usa SNPs, que são fragmentos de DNA repetidos que apresentam informações importantes sobre a estrutura populacional. Por meio desse sequenciamento de SNPs, identificamos se as populações de L. muta eram a mesma espécie ao longo de sua distribuição ou se haviam ali espécies diferentes”, explicou Hamdan. Os resultados revelaram que as populações da Amazônia (Lachesis muta muta) e da Mata Atlântica (Lachesis muta rhombeata), antes consideradas subespécies ou uma única espécie (Lachesis muta), são na verdade duas espécies distintas. “Identificamos diferenças genéticas extremamente relevantes, a ponto de identificar que os indivíduos da população atlântica têm uma história evolutiva única e diferente daquela história de vida dos indivíduos da população amazônica”, acrescentou Hamdan.  A população da Amazônia manteve o nome Lachesis muta, enquanto a população da Mata Atlântica foi reclassificada como Lachesis rhombeata. “A população atlântica já havia sido reconhecida no século XIX com a descrição formal da espécie pelo príncipe Maximilian von Wied-Neuwied, então resgatamos esse nome L. rhombeata da descrição original”, esclareceu Hamdan. As principais diferenças morfológicas identificadas no estudo incluem a quantidade de escamas no ventre, o comprimento das faixas pretas após os olhos e o tamanho médio das serpentes. A L. muta tem mais escamas no ventre, uma faixa preta mais fina após os olhos, é mais comprida, tem cabeça maior e cauda um pouco mais longa. Já a L. rhombeata tem menos escamas no ventre, uma faixa preta mais grossa após os olhos, é mais curta, com cabeça e cauda menores. Nas análises de veneno, os pesquisadores encontraram algumas toxinas específicas, como as fosfolipases, que só ocorrem em indivíduos da Amazônia. Essas diferenças reforçam a identidade única da população atlântica. Rodrigo Gonzalez, da Universidade Estadual do Ceará e coautor do estudo, destacou que o trabalho com diferentes populações e fontes de dados é crucial para a compreensão da evolução e taxonomia das espécies, impactando diretamente sua conservação. Antes desta pesquisa, a surucucu era considerada uma espécie com ampla distribuição e status de conservação “pouco preocupante” pela IUCN. Agora, com a divisão em duas espécies, a L. rhombeata da Mata Atlântica precisará de uma nova avaliação de seu status de conservação. O estudo também apontou uma menor diversidade genética na L. rhombeata, o que sugere uma avaliação cuidadosa de seu status de conservação, já que foi considerada extinta, criticamente ameaçada ou ameaçada em estados como Espírito Santo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Além disso, a população da Serra de Baturité, no Ceará, conhecida como malha-de-fogo, mostrou-se geneticamente distinta e já está sendo estudada como uma potencial nova espécie. “A população cearense é uma população geneticamente distinta inclusive da população atlântica. Por ter uma identidade genética única, propomos que ela seja reconhecida como uma linhagem evolutiva distinta e que políticas públicas de conservação da biodiversidade sejam tomadas na região”, concluiu Hamdan. Os pesquisadores sugerem a identificação e delimitação de unidades de conservação significativas na área de ocorrência dessa população como uma política pública prioritária para conservação. Redes Sociais do EcoSerrano
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