EcoSerrano teve acesso a documento oficial que aponta “falta de, organização, de gestão” e que ações de melhorias teriam como base “intuição”. Veja tudo na matéria
Após diversas denúncias da vereadora Priscilla Pitta sobre problemas na gestão do Hospital Municipal Raul Sertã, o Ministério Público do Rio de Janeiro realizou uma inspeção na unidade. O EcoSerrano teve acesso com exclusividade ao documento do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro com o parecer da visita técnica de seus membros ao (HMRS) no dia 17 de abril. Segundo o documento, os parâmetros da legislação e dos marcos normativos de referência estão parcialmente atendidos, no entanto, assim como a investigação da vereadora Priscilla Pitta apontou, o MPRJ também entendeu que no quadro geral, a avaliação do hospital é negativa. Foram observadas inadequações nas estruturas físicas da Unidade e na aplicação de processos de gestão hospitalar. Diz o documento que no dia 17 de abril de 2024, os Técnicos Periciais (TP) – os médicos Rosemary Thami e Celso Montenegro -, acompanharam o Promotor de Justiça Dr. José Alexandre Maximino Mota em Vistoria Técnica ao Hospital Municipal Raul Sertã. A equipe do MPRJ foi recebida por Idenilson de Moura Rodrigues, Diretor Geral da Unidade e por Eliana Curti, Diretora Administrativa responsável pelos recursos humanos, que responderam aos questionamentos formulados. Se juntaram ao grupo o Vice-Prefeito, Serginho, o Secretário Municipal de Saúde, Gabriel Wenderroschy, e o Coordenador Municipal de Saúde, Dr. Danilo Cassani.A partir de agora, os moradores de Nova Friburgo e região serrana contam com um novo canal para compartilhar suas experiências, denúncias e flagrantes através do portal EcoSerrano. Este espaço livre permite que os cidadãos enviem vídeos e fotos de uma variedade de situações, como batidas, brigas, acidentes de trânsito, queimadas e informações sobre crimes. LINK PARA O CANAL: https://chat.whatsapp.com/ERr5AYCO0Nq0g0KXQC21iLO parecer do MPRJ afirmou que não foi possível obter informações importantes tais como a realidade financeira do hospital, ou seu orçamento anual previsto para 2024, e constatou-se a inexistência de um Plano Diretor, de modo que as melhorias eram empreendidas conforme a oportunidade e disponibilidade de recursos (sem programação financeira). “Não havia sido implantada qualquer metodologia de contabilidade e custos, dificultando a avaliação de eficiência da Unidade em seus vários setores, e conferindo um caráter intuitivo à gestão. Foi constatado que o HMRS não dispunha de um planejamento que permitisse o estabelecimento de metas anuais, para confronto com indicadores de desempenho e sua provável implicação na distribuição de recursos financeiros e força de trabalho, bem como a oportuna inclusão no Plano Municipal de Saúde (PMS) e na Programação Anual de Saúde (PAS)”.Ainda de acordo com o documento obtido pelo EcoSerrano, os dados do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) não estavam atualizados, e os responsáveis técnicos das áreas de medicina, enfermagem, nutrição, fisioterapia e farmácia ainda não estavam devidamente registrados nos respectivos Conselhos de Classe. A Administradora comentou que houve um concurso público em 2023, para contratação sob o regime da CLT, cujo resultado foi homologado pela Prefeitura, com foco no município como um todo, sendo que, para a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), não havia metas baseadas no planejamento de médio prazo, e as necessidades por área, função ou especialidade ainda não estariam definidas.A vistoria, feita pelos técnicos periciais e promotor de justiça, avaliou as condições físicas e de gestão do hospital, buscando verificar se as determinações legais e judiciais estão sendo cumpridas. Veja o que fora apontado pelo MPRJ, a respeito do Hospital Municipal Raul Sertã:
Problemas Identificados na Gestão:
Planejamento e Finanças:
Falta de informações sobre a realidade financeira do hospital e ausência de um orçamento anual definido.
Inexistência de um Plano Diretor, o que resulta em melhorias feitas sem planejamento financeiro adequado.
Ausência de um sistema de contabilidade e custos, dificultando a avaliação da eficiência dos serviços do hospital.
Recursos Humanos:
Dados desatualizados no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES).
Falta de registro dos responsáveis técnicos nos conselhos de classe.
Concurso público realizado em 2023, mas sem metas claras ou planejamento de necessidades.
A equipe é composta por funcionários estatutários e celetistas, com controle de frequência manual.
Dificuldade em reter profissionais, especialmente médicos socorristas, devido às condições de trabalho.
Infraestrutura e Segurança:
Inexistência de licença de funcionamento e falta de liberação das instalações pelo Corpo de Bombeiros.
Ausência de brigada de incêndio e controle de extintores de incêndio.
Várias obras e serviços dependem de empresas terceirizadas.
Falta de um Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde (PGRSS).
Serviços e Equipamentos:
Hemocentro:
Funciona como posto avançado do HEMORIO, com parte dos equipamentos fornecidos e mantidos pelo HEMORIO.
Terapia Renal Substitutiva:
Serviço de hemodiálise oferecido tanto para munícipes quanto para não munícipes.
Exames e Laboratórios:
Exames laboratoriais são realizados no próprio hospital, mas exames anatomopatológicos dependem de terceiros.
Emergência:
A emergência atende uma grande quantidade de pacientes, com uma linha específica criada para casos suspeitos de dengue durante a vistoria.
Há improvisações no atendimento devido à grande demanda e falta de revitalização das instalações.
Outros Pontos Importantes:
O hospital enfrenta dificuldades na distribuição de pacientes entre a UPA de Nova Friburgo e o próprio hospital.
Os leitos de psiquiatria estão em fase final de habilitação pelo Ministério da Saúde, o que garantirá custeio regular.
A gestão da unidade é feita sem um sistema informatizado completamente operacional.
A falta de uniformização e identificação dos funcionários é uma queixa recorrente dos usuários.
Continuação das avaliações
Hipodermia e Sala de Eletrocardiografia (ECG) – área da Hipodermia, onde os pacientes recebem medicação por via subcutânea, estava em condições preocupantes, com sinais de desgaste e falta de controle de vetores, especialmente importante durante uma epidemia de Dengue. Na sala de ECG, usada para testes cardíacos, a condição era precária, com sujeira e equipamentos danificados.
Estar médico – Era um local desorganizado e sujo, usado pelos médicos para descanso, mostrando falta de cuidado tanto da administração quanto dos usuários.
Sala de trauma – Embora chamada de “sala de trauma”, estava sendo utilizada para pacientes com problemas médicos graves, sem espaço para atender traumas emergenciais. A falta de uma enfermeira dedicada agravava a situação.
Expurgo e Depósito de Material de Limpeza (DML) – As portas dessas áreas permaneciam abertas para as áreas de atendimento, o que não é higiênico.
Enfermarias de repouso masculino e feminino – Ambas estavam superlotadas e inadequadamente equipadas, com falta de climatização na ala feminina. Além disso, não havia enfermeira dedicada à sala de trauma, e os pacientes em situações críticas não estavam recebendo atendimento adequado.
Pediatria –Embora recentemente reformada e climatizada, a enfermaria pediátrica também sofria de superlotação e falta de espaço.
Ouvidoria – O horário de funcionamento foi reduzido recentemente, e havia várias queixas, incluindo atraso nos resultados de exames e falta de uniformes para os funcionários.
Farmácia – Apesar de algumas melhorias, como a criação de “farmácias satélites”, a Farmácia ainda enfrentava problemas de espaço e organização, além de não estar em conformidade com todas as regulamentações.
CTI e Unidade Coronária – Embora bem equipados, havia déficits na equipe de enfermagem e problemas com janelas cobertas com papel, o que é inadequado.
Centro Cirúrgico e CME:
O Centro Cirúrgico (CC) e a Central de Material e Esterilização (CME) são partes essenciais de um hospital para realizar cirurgias com segurança e garantir a esterilização adequada dos materiais. O novo CC e CME foram elogiados por suas instalações modernas. O CC tem seis salas cirúrgicas e uma sala de recuperação pós-anestésica. Em março de 2024, 232 cirurgias foram realizadas no hospital. Além disso, as colonoscopias ainda eram realizadas neste ambiente. A nova CME possui várias áreas para diferentes etapas do processamento de materiais cirúrgicos, como recepção, lavagem, secagem, preparo e esterilização. Equipamentos modernos foram adquiridos para a CME. No entanto, foram identificadas algumas preocupações:
A enfermeira coordenadora da CME não estava presente durante a inspeção.
As técnicas que trabalham na CME não estavam devidamente vestidas com equipamentos de proteção individual (EPIs).
Não havia um procedimento operacional padrão (POP) específico para o setor, ou não era fiscalizado o seu cumprimento.
Também foram observados problemas no fluxo de profissionais e materiais dentro da CME, indicando uma falta de organização e adesão aos procedimentos de segurança.
Os itens processados na CME foram testados conforme normas, mas ainda havia questões operacionais e de segurança a serem abordadas.
Abrigo de Resíduos e Lavanderia:
O abrigo de resíduos não estava em conformidade com as regulamentações da ANVISA, apresentando problemas como acúmulo de lixo não identificado e falta de condições adequadas. As instalações elétricas no pátio externo estavam improvisadas, representando um risco de incêndio. Por outro lado, a lavanderia foi elogiada por suas boas instalações e práticas adequadas de processamento de roupas, apesar de alguns desafios, como a falta de enxovais suficientes.O EcoSerrano entrou em contato com a Prefeitura de Nova Friburgo, mas até o fechamento desta reportagem não obteve retorno.A reprodução deste conteúdo em parte ou em sua totalidade, sem prévia autorização doEcoSerrano, pode acarretar em violação dos direitos autorais e resultar em uma ação judicial.