Johnny Maycon vai entrar como uma ação judicial contra governo federal para pagar integralmente piso da enfermagem

Especialista diz que juridicamente, prefeito está correto. No entanto, uma suposta má gestão dos recursos levaram o Executivo a depender da União. Diálogo amigável seria a melhor saída

Nesta quarta-feira, 23, segundo o Prefeito Johnny Maycon, foi depositado na conta do município o valor de R$ 1.747.439,00 (equivalente a R$ 436.859,75 por mês) referente a 4 meses, de maio a agosto, em relação ao piso nacional da enfermagem. O prefeito, que já tinha conhecimento do valor ao qual seria destinado ao município, lamentou. Por considerar insuficiente a quantia, por meio de suas redes sociais, Johnny informou que vai entrar com uma ação judicial contra o Governo Federal. “Infelizmente, essa quantia é insuficiente para efetuar o pagamento integral do piso ao corpo de profissionais da área, especialmente considerando que parte desses recursos deve ser repassada para entidades privadas que fornecem 60% ou mais dos serviços para o SUS”, disse o prefeito. Por entidades privadas, possivelmente, Johnny Maycon pode ter se referido, em parte, às empresas terceirizadas responsáveis pela contratação de profissionais da saúde, o que alguns vereadores têm dito serem Organizações Sociais disfarçadas, entre outras unidades particulares que realizam em suas dependências serviços pelo SUS. “Nesse contexto, a Procuradoria Geral do Município entrará com uma ação judicial buscando que a União complemente os recursos para garantir o merecido pagamento do piso salarial nacional aos servidores da enfermagem. Enquanto a União não disponibilizar os recursos suficientes para aplicar integralmente o piso salarial nacional da enfermagem, o município dividirá os valores recebidos de forma proporcional, levando em conta a carga horária. Isso significa que, no primeiro pagamento, cada profissional receberá o retroativo desde maio até a data em que a operação for efetivada”, garantiu. Johnny informou ainda que concedeu um aumento de 26% (sendo 20,22% de reajuste e 5,79% de revisão) para os enfermeiros, e um aumento de 36% (sendo 30,26% de reajuste e 5,79% de revisão) para os técnicos de enfermagem. “É importante ressaltar que o município não realizava uma revisão geral anual há cerca de 10 anos. Além disso, foi contratado um número significativo de profissionais da enfermagem e muito em breve será publicado o edital do concurso que ocorrerá ainda neste ano”.

Faca de dois gumes

No ano passado, o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), liberou o pagamento do piso nacional da enfermagem. Contudo, o ministro entendeu que estados e municípios devem pagar o piso nacional da enfermagem nos limites dos valores que recebem do governo federal. A decisão, em tese, é favorável a Johnny Maycon. No entanto, também, de certa forma, pode complicar sua situação perante a categoria. A decisão de Barroso dá margem para que o município possa pleitear junto à União um aumento no repasse dos recursos para atender de forma integral a categoria. Uma especialista jurídica ouvida pelo EcoSerrano entende que o Executivo friburguense está certo em reclamar e responsabilizar o governo federal pelo baixo valor repassado e que a decisão do STF serve de base para essa possível ação. Para ela, a ação judicial seria um erro, pois caberia uma tentativa de diálogo amigável com o governo federal. No entanto, ainda no entendimento da especialista, quem teria a maior responsabilidade em arcar com os custos do pagamento do piso seria a Prefeitura de Nova Friburgo e, portanto, causou estranheza que, diante da decisão desde o ano passado em aumentar o piso da enfermagem, o Executivo não tenha considerado os novos valores em seu planejamento orçamentário para não depender somente dos repasses da União. Ainda em 2022, já era sabido que a expectativa de orçamento da União em praticamente todos os setores seria reduzida, por conta da projeção da LDO enviada por Bolsonaro para o exercício de 2023.  A especialista comentou que causou ainda mais estranheza que por conta da atual Secretária de Saúde, Nicole Cipriano, ser enfermeira, entendeu que a gestora se sensibilizaria para que a categoria tivesse o pagamento do piso salarial garantido, o que, ao que parece, não ocorreu. A jurista lembrou ainda que o Executivo está sob novas regras fiscais, por conta do contingenciamento e que a situação chegou a esse ponto porque, possivelmente, houve má gestão de dinheiro público e caso a situação fosse diferente, a categoria de enfermagem não teria problemas para receber o novo piso salarial. A reprodução deste conteúdo em parte ou em sua totalidade, sem prévia autorização do EcoSerrano, pode acarretar em violação dos direitos autorais e resultar em uma ação judicial. Redes Sociais do EcoSerrano Telegram Grupo de Whatsapp 3 Grupo de Whatsapp 2    Grupo de Whatsapp 1   Instagram: @ecoserrano Facebook: @ecoserranoo Twitter: @serrano_eco Youtube: EcoSerrano
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