Unidade é privada, mas funciona dentro do Hospital Raul Sertã. Cerca de 90% dos pacientes são do SUS. Administrado por mulheres, local atende outras 14 cidades e conseguiu erradicar Hepatite C
A nefrologia é uma especialidade médica que se concentra no diagnóstico e tratamento de doenças relacionadas aos rins. Os rins desempenham um papel vital na filtragem do sangue, removendo resíduos e excesso de líquidos do corpo, além de desempenhar outras funções importantes, como a regulação da pressão arterial e a produção de hormônios.Há 25 anos, o Centro de Nefrologia de Nova Friburgo tem realizado um importante trabalho de excelência e acolhimento diferenciado aos pacientes renais. Com uma estrutura dentro do Hospital Municipal Raul Sertã, o Centro de Nefrologia, apesar de atender mais de 90% dos pacientes do SUS, é uma unidade particular.A clínica é administrada atualmente por três mulheres: Dra. Gelzie Sorrentino Ennes – diretora geral e responsável técnica, Dra. Maria Vitória Madeira – psicóloga e diretora administrativa e a Dra. Maria Luiza Padilha – enfermeira responsável. Junto a elas está o Dr Ranulfo Artur Machado Lima – neurologista – sócio proprietário da clínica.“Aqui é um serviço privado, não pertencemos ao Hospital Municipal Raul Sertã. Os nefrologistas pagaram pelo uso do espaço onde a clínica está localizada. Temos o credenciamento pelo SUS e é para esse espaço. As pessoas confundem um pouco porque no HMRS há uma enfermaria de nefrologia, inaugurada em 2022, mas este espaço não é o nosso.”, explicou Dra. Gelzie que recebeu o EcoSerrano para mostrar a estrutura do local.
Acolhimento diferenciado
Logo assim que o EcoSerrano entrou no Centro de Nefrologia, pôde se deparar com uma equipe muito atenciosa aos pacientes, preocupada com o bem estar, a fim de proporcionar o máximo de conforto. Higiene impecável e rigorosa, equipamentos modernos, uma organização de ser exemplo. Não à toa, segundo a nefrologista, os pacientes que por lá passam, estranham quando precisam ser atendidos em outra unidade fora da cidade ou do estado.“É uma clínica administrada por mulheres, aqui tem um toque mais sutil, uma questão de acolhimento do paciente, é a nossa visão de administrar. Nossos pacientes dão um retorno positivo com relação ao nosso serviço. Mesmo quando eles viajam e necessitam fazer a diálise em outro local, quando retornam dizem que sentem saudades daqui. E nós fazemos outros serviços que são além da diálise. ‘É a nossa segunda casa’, relatou a médica.Os cuidados especiais aos quais os pacientes são submetidos passam pelos olhares criteriosos da equipe. Diante da necessidade de um atendimento mais preciso a pacientes com estado de saúde delicado, os sócios fizeram a proposta para a Prefeitura de Nova Friburgo e, desde o final da década de 90 prestam o serviço.“Temos que fazer curativos com toda delicadeza, para não ter o risco de uma infecção. Antes, passávamos visita em todos os setores do HMRS porque não tinha a enfermaria especializada. Fizemos,então, a proposta para o hospital: vocês fornecem o espaço e a mão de obra e a gente banca todo o material. A enfermaria foi reformada com o dinheiro dos Neurologistas do hospital. As estruturas do HMRS e do Centro de Nefrologia são completamente distintas”, ressaltou a Dra. Gelzie.
O tratamento
O local realiza alguns tipos principais de diálise:
Hemodiálise: Nesse tipo de diálise, o sangue é removido do corpo por meio de um acesso vascular, geralmente uma fístula arteriovenosa ou um cateter, e é filtrado em uma máquina de diálise chamada dialisador. O dialisador contém membranas que removem as impurezas do sangue e retornam o sangue filtrado ao corpo. Esse processo é realizado em uma clínica de diálise, geralmente três vezes por semana, e cada sessão dura várias horas.
Plasmaferese: tratamento que remove e substitui o plasma sanguíneo do paciente. O tratamento é utilizado em várias doenças autoimunes, que são aquelas nas quais o corpo reconhece partes do próprio organismo como estranhas e gera anticorpos contra si mesmo (auto anticorpos). Este tipo de tratamento é feito eventualmente e por pouco tempo na unidade.
Diálise peritoneal: Nesse tipo de diálise, a cavidade abdominal é utilizada como um filtro natural. Um cateter é inserido cirurgicamente na região abdominal e um líquido especial, chamado de líquido de diálise, é introduzido na cavidade peritoneal. O líquido de diálise absorve os resíduos e o excesso de líquido do sangue, e depois é drenado para fora do corpo. Esse processo pode ser realizado em casa, permitindo uma maior flexibilidade no cronograma, mas geralmente é realizado diariamente.
O tipo de diálise recomendado dependerá da condição do paciente, sua saúde geral e preferências pessoais. Tanto a hemodiálise quanto a diálise peritoneal são tratamentos eficazes, mas cada uma possui vantagens e considerações específicas.
Atendimentos
O Centro de Nefrologia de Nova Friburgo atende pacientes do SUS de quase 15 municípios, mais hospitais particulares. A unidade funciona de segunda a sábado, entre 07h às 21h. Aos domingos, apesar de não abrir, há sempre uma equipe de plantão para o caso de surgir uma situação de emergência.Em maio, foram 116 pacientes ambulatoriais atendidos. A unidade tem 183 pacientes fixos e 5 internados.O tratamento é cansativo. O paciente precisa fazer a diálise três vezes na semana e cada sessão dura 4h.“Aqui, nós damos um jeito, então, sempre tem vaga”, afirma a médica. “Brincam que nossa equipe dá nó em pingo d’água, mas é isso, fazemos um esforço enorme para atender e alocar todos que necessitam da nossa ajuda”, completou Dra. Gelzie.
“Quase ninguém sabe da nossa existência”
A nefrologista brinca ao dizer que boa parte da população não conhece o Centro de Nefrologia e não sabe como o trabalho é realizado em Nova Friburgo, mas esse desconhecimento é um bom sinal. “É sinal de que está funcionando direitinho. O serviço tem que fluir, não precisa chamar atenção de ninguém. A Vigilância Sanitária vem aqui, a Prefeitura vem, está tudo certinho”, comemorou Dra. Gelzie.A unidade foi pensada para facilitar a vida do paciente. Não à toa, o Centro de Nefrologia está situado dentro do HMRS.“Nós poderíamos ter essa clínica em outro local, mas a minha visão é de que o que eu puder fazer para facilitar a vida do paciente, eu vou fazer. Já tivemos um caso de uma pessoa que infartou ao fazer a diálise, ligamos para o São Lucas, o paciente fez uma angioplastia de resgate e deu tudo certo. Se o paciente chega aqui, diz que está com febre, tosse, os médicos solicitam exame de tórax, o paciente vai para o hospital de referência – o nosso é o Raul Sertã – e faz os exames que precisa fazer, volta para o nefrologista e os medicamentos já estão todos ajustados às condições da pessoa”, explicou a médica.
Atenção Básica é fundamental para redução dos índices de doenças renais
De acordo com Dra. Gelzie, o número de pacientes homens é um pouco maior do que em relação às mulheres, no entanto, o gênero não é determinante para o índice de doenças. O que pode estar por trás do aumento ou redução dos casos é a condição social a que estão submetidos os pacientes.“A grande maioria dos pacientes são hipertensos ou diabéticos, têm pacientes com doenças renais próprias. Aí você cai na questão da desigualdade social”, explicou a doutora. Pacientes com condições mais humildes ou que moram em regiões mais afastadas como as áreas rurais, costumam não ter condições de realizar consultas periódicas e tratar comorbidades, muitas delas em estágios iniciais.“Existe uma falha na atenção básica de saúde. Claro que a pessoa pode ser hipertensa, evoluir para a doença renal, mas pacientes mais humildes quando chegam até nós, já estão em estágio crítico, precisando de diálise”, lamentou Dra. Gelzie.
Hepatite Zero
Há dois anos a unidade aderiu a campanha “Hepatite Zero”, da Sociedade Brasileira de Nefrologia para erradicar a hepatite nas unidades de diálise. “Na unidade de diálise circula muito sangue e há o medo de pegar doença, mas quando passa o cateter dele a gente já colhe a sorologia .No mesmo dia eu já tenho o resultado se o paciente tem Hepatite B ou C e HIV”, contou a médica.Através da campanha, muitos pacientes com Hepatite C, por conta deste protocolo, foram identificados em estágios avançados, mas conseguiram ser encaminhados para o tratamento adequado. “Em um ano e meio nós erradicamos pacientes com Hepatite C. Nada impede que chegue aqui um paciente com a doença, mas ele será acompanhado, medicado e tratado com êxito”, comemorou Dra Gelzie.A reprodução deste conteúdo em parte ou em sua totalidade, sem prévia autorização do EcoSerrano, pode acarretar em violação dos direitos autorais e resultar em uma ação judicial.Redes Sociais do EcoSerranoTelegramGrupo de Whatsapp 3Grupo de Whatsapp 2 Grupo de Whatsapp 1 Instagram: @ecoserranoFacebook: @ecoserranooTwitter: @serrano_ecoYoutube: EcoSerrano