Nova operadora comunicou o problema à Secretaria de Estado de Transportes
A circulação dos trens depende de uma estrutura que o passageiro quase nunca vê. Por trás de cada viagem estão empresas responsáveis por peças, reparos em vagões, limpeza, sinalização, bilhetagem, segurança e atendimento nas estações.Quando algum desses serviços é interrompido, os efeitos podem chegar rapidamente às plataformas. Trens podem deixar de circular, equipamentos podem permanecer quebrados e estações podem ficar sem parte da estrutura necessária ao atendimento dos passageiros.É justamente nessa área que surgiu um novo problema para a operação ferroviária do Rio. Fornecedores afirmam que ainda não receberam aproximadamente R$ 15 milhões por serviços prestados em maio, último mês de atuação da SuperVia.O valor corresponde apenas a um mês. A dívida total deixada com fornecedores ainda não foi informada.A SuperVia encerrou sua participação na operação ferroviária em 29 de maio, depois de mais de 27 anos. A TrensRJ assumiu a malha no dia seguinte.Segundo informações publicadas pelo Tempo Real RJ, com base em reportagem do jornal O Globo, a TrensRJ enviou uma carta à Secretaria de Estado de Transportes comunicando a existência dos débitos e pedindo providências. A empresa também informou que a falta de pagamento pode provocar a interrupção de serviços terceirizados necessários ao funcionamento dos trens.Entre os fornecedores que aguardam pagamento estão empresas responsáveis pela fabricação de peças, recuperação de vagões, sinalização, bilhetagem eletrônica, limpeza e gestão de equipes de apoio e segurança.A maior dívida conhecida da antiga operação é de R$ 1,9 bilhão com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. No funcionamento diário, porém, a preocupação imediata está nos contratos com fornecedores que mantêm os serviços básicos da ferrovia.
Além das dívidas, a malha ferroviária passa por uma auditoria técnica iniciada em junho. O trabalho é realizado pela Companhia Paulista de Trens Metropolitanos, contratada pela TrensRJ para avaliar as condições encontradas após a mudança de operadora.A previsão é que o levantamento seja concluído em 60 dias. Antes do fim do trabalho, cinco problemas já haviam sido identificados.
Frota menor
A TrensRJ tem 143 composições disponíveis. A antiga concessionária chegou a utilizar até 201 trens.Parte das composições existentes foi retirada de circulação por estar obsoleta ou sem condições de uso.O material divulgado também menciona uma redução de 48 composições, mas os números de 201 e 143 resultam em uma diferença maior. Por isso, o total exato da redução ainda precisa ser esclarecido.
Lixo ao longo dos trilhos
Outro problema é o acúmulo de resíduos nos 270 quilômetros da malha. Há registros de entulho, móveis, materiais plásticos e carcaças de veículos em diferentes pontos.Entre Triagem e Maracanã, uma grande quantidade de lixo está acumulada na área interna da linha férrea, na altura da Mangueira. O problema também foi identificado nas proximidades da estação de Costa Barros.Somente em março de 2025, foram retiradas 3,6 mil toneladas de resíduos. Em todo o ano de 2020, haviam sido recolhidas aproximadamente quatro mil toneladas.
Estações degradadas
A malha possui 104 estações, mas nem todas oferecem rampas, elevadores ou escadas rolantes.Há equipamentos parados por falta de peças nas estações Maracanã, Méier e Madureira. Nesta última, a escada rolante está sem funcionar há aproximadamente dois anos.O orçamento estimado para reparos em escadas rolantes e elevadores é de R$ 1,8 milhão.
Segurança custa até R$ 8 milhões por mês
A TrensRJ identificou 97 pontos que precisam de vigilância constante para impedir furtos e evitar prejuízos à operação.As subestações de energia estão entre os locais mais sensíveis. O gasto mensal com vigilância e equipes de apoio varia entre R$ 7 milhões e R$ 8 milhões.
Obras não concluídas
A auditoria também encontrou pelo menos oito projetos iniciados e não finalizados.Um deles é a construção de um reservatório para abastecer o sistema de combate a incêndios da Central do Brasil, principal terminal ferroviário do estado.Enquanto a auditoria prossegue, a nova operadora precisa manter os trens funcionando, resolver os contratos deixados em aberto e recuperar uma estrutura que já apresentava problemas antes da troca de comando.As informações sobre a dívida foram atribuídas à TrensRJ e a reportagens publicadas sobre o assunto. O Portal EcoSerrano não teve acesso à carta enviada à Secretaria de Estado de Transportes nem aos contratos citados.Fonte: Jornal Extra