Milicianos se apossam de serviços de internet e aterrorizam moradores do Rio de Janeiro

TERROR NO RIO: Facções impõe domínio sobre moradores

Criminosos monopolizaram serviços de internet e obrigaram a população a contratar os próprios serviços, assim como gás, água e transporte por aplicativo. Entenda na matéria

No Rio de Janeiro, facções criminosas e milicianos estão ampliando seu domínio sobre serviços essenciais, como internet, transporte por aplicativo, água e energia elétrica. O objetivo é aumentar o lucro e o controle territorial, afetando tanto favelas quanto bairros de classe média.

Monopólio da Internet e Violência

Nos últimos meses, o monopólio da internet tornou-se uma das práticas criminosas mais lucrativas para grupos como Comando Vermelho (CV), Terceiro Comando Puro (TCP) e milicianos. Moradores de diferentes regiões relatam dificuldades para contratar provedores tradicionais, que são impedidos de operar pelos criminosos. No Complexo de Israel, após a prisão do dono da RDO, uma empresa que operava irregularmente na região, a Polícia Militar apreendeu um veículo de outra provedora, a Octa Telecom, levantando suspeitas de que o serviço tenha sido autorizado pelo tráfico. A polícia desconfia que essa nova empresa tenha assumido o mercado ilegalmente. As investigações revelam que o modo de operação dos criminosos inclui sabotagem constante, com cortes de cabos, ameaças a funcionários e extorsões. Em bairros como Penha Circular, Penha e Brás de Pina, a RDO gerava lucros milionários para o TCP, financiando atividades ilegais. Segundo relatos, criminosos ameaçavam funcionários, quebravam celulares e até roubavam chaves de veículos das empresas de internet. A situação é tão grave que a própria 22ª DP (Penha) sofre quedas constantes no sinal de internet devido à destruição dos cabos. Moradores afirmam que provedores legítimos, como Claro, Vivo e TIM, não conseguem operar na região por conta da violência.

Proibição de Aplicativos de Transporte

Outro setor atingido é o de transporte por aplicativo, com proibições impostas por facções criminosas em regiões como Ilha do Governador e São João de Meriti. Motoristas do Uber e 99 são impedidos de circular em determinadas áreas, sendo substituídos por cooperativas controladas pelos criminosos. A Uber afirmou, em nota, que monitora áreas de risco e pode restringir solicitações em horários e locais específicos para aumentar a segurança dos motoristas e passageiros. A Amobitec, associação que representa a 99, destacou que apoia medidas do governo para garantir o direito de ir e vir da população.

Ação das Autoridades

A Polícia Civil e a Secretaria de Segurança Pública informaram que estão finalizando um levantamento sobre o impacto do crime organizado nos serviços de internet. Uma reunião com a Anatel está prevista para discutir medidas para combater a prática. O delegado Pedro Bittencourt, da Delegacia de Serviços Delegados (DDSD), destacou que o domínio do crime sobre a internet afeta todas as classes sociais e fortalece as facções: “Os criminosos impõem monopólios ilegais, restringindo a liberdade de escolha dos moradores e ampliando sua influência financeira e territorial.” A Conexis, associação das maiores operadoras de telecomunicações do país, pede uma ação conjunta do governo para combater o roubo e vandalismo de cabos, além da aprovação de projetos de lei que aumentem as punições para esses crimes.

Impacto na População

Moradores das áreas afetadas vivem sob pressão e medo. Um deles relatou que, em uma operação policial, a internet foi cortada porque a empresa atuava de forma ilegal, deixando a população sem opções de acesso ao serviço. “Na última operação policial, o sinal foi cortado porque a empresa estava irregular. E agora não temos mais nem uma e nem outra”, disse um morador. Enquanto o crime organizado continua a expandir sua atuação, a população enfrenta restrições no acesso a serviços básicos e a liberdade de escolha se torna cada vez mais limitada. GRUPOS DE WHATSAPP DO ECOSERRANO:
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