Acordo amplia temporariamente a transposição de água para reforçar o abastecimento da Grande São Paulo
A água que abastece boa parte da população fluminense também será usada, em maior volume, para ajudar São Paulo a enfrentar o período de estiagem. A autorização foi formalizada nesta semana por meio de um acordo entre os governos do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, com participação da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA).A medida amplia, em caráter excepcional, a quantidade de água que poderá ser transposta da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul para o Sistema Cantareira, principal manancial responsável pelo abastecimento de cerca de 10 milhões de pessoas na Região Metropolitana de São Paulo.A decisão ocorre justamente quando o Cantareira entrou oficialmente na chamada faixa de alerta. A partir desta quarta-feira (1º), o sistema passou a operar com 39,87% do volume útil, abaixo do limite de 40% estabelecido pelas regras operacionais da ANA e da SP Águas.
Por que São Paulo precisou recorrer ao Paraíba do Sul?
A queda gradual no nível dos reservatórios durante a estiagem levou a Sabesp a solicitar uma ampliação da transposição de água proveniente da Usina Hidrelétrica Jaguari, localizada na Bacia do Rio Paraíba do Sul.Em condições normais, o Sistema Cantareira pode captar até 33 metros cúbicos de água por segundo (m³/s). Com a entrada na faixa de alerta, esse limite foi reduzido para 27 m³/s, conforme as regras de operação adotadas após a crise hídrica de 2014 e 2015.A água adicional proveniente do Paraíba do Sul servirá justamente para compensar parte dessa redução e aumentar a segurança do abastecimento durante os meses mais secos do ano.
O que muda com o novo acordo
O documento firmado entre os três estados e a ANA aumenta o limite anual de transposição de água do reservatório da Usina Jaguari para o reservatório Atibainha, integrante do Sistema Cantareira.O volume autorizado passa de 162 hectômetros cúbicos (hm³) para até 268,28 hm³, com vazão máxima de 8,5 m³/s. A autorização permanece válida até 31 de dezembro de 2026, podendo ser encerrada antes caso o Cantareira volte a atingir 60% da capacidade.Pelo acordo, a Sabesp também assume a responsabilidade de adotar medidas para minimizar eventuais impactos provocados pela redução do nível dos reservatórios das hidrelétricas Jaguari, Santa Branca, Paraibuna e Funil.
A população do Rio pode ser afetada?
Segundo o Governo do Estado do Rio de Janeiro, não.Em nota, o governo afirmou que a ampliação da captação não compromete o abastecimento de água da população fluminense, já que a operação foi planejada levando em consideração a disponibilidade hídrica da bacia.O Rio Paraíba do Sul continua sendo a principal fonte de abastecimento do Sistema Guandu, responsável por fornecer água para a maior parte da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Além do abastecimento humano, o rio também atende atividades agrícolas, industriais e quatro importantes usinas hidrelétricas.
Não é a primeira vez
Embora a decisão tenha chamado atenção, ela não representa uma novidade.Segundo a ANA, autorizações semelhantes já foram concedidas em 2021 e 2025, também em períodos marcados por estiagem prolongada.A possibilidade de transferir água entre as duas bacias existe desde a inauguração da interligação entre a represa da UHE Jaguari e a represa Atibainha, concluída em 2018. O mecanismo foi criado justamente para aumentar a segurança hídrica da Região Metropolitana de São Paulo.O tema, entretanto, já provocou uma disputa entre Rio de Janeiro e São Paulo durante a grave crise hídrica de 2014 e 2015. Na época, o governo fluminense contestou judicialmente a proposta de ampliar a captação, alegando risco ao abastecimento do estado. O impasse terminou em 2015, quando um acordo homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) definiu as regras para o compartilhamento das águas da bacia.Descrição da imagem: A fotografia mostra um trecho do Rio Paraíba do Sul, com água barrenta, vegetação no meio da imagem e uma ponte ao fundo.