Ônibus novos em fila na cidade do Rio de Janeiro.

Rio terá mais de 1,4 mil ônibus novos e fim de empresa problemática

Quando começam as mudanças? Promessa é de tempo recorde para implementação das melhorias

Para quem espera longos minutos no ponto, enfrenta ônibus lotado ou precisa sair de casa muito antes do compromisso, a principal novidade anunciada pela Prefeitura do Rio não está apenas na aparência dos veículos. Está na quantidade. A nova etapa de renovação do transporte municipal prevê 1,4 mil ônibus zero quilômetro, todos com ar-condicionado, para linhas das zonas Norte e Oeste. Nas regiões atendidas, o número representa um aumento de 55% sobre a frota atual. Na prática, uma frota maior abre espaço para colocar mais veículos nas ruas, diminuir os intervalos entre as partidas e ampliar o número de viagens. Esse resultado, no entanto, dependerá da distribuição dos ônibus entre as linhas e do cumprimento da programação pelas futuras empresas. A licitação foi detalhada nesta sexta-feira (10) pelo prefeito Eduardo Cavaliere. As propostas serão recebidas em 28 de agosto, enquanto os primeiros veículos devem começar a circular no primeiro trimestre do próximo ano.

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Uma mudança medida no relógio do passageiro

A qualidade de uma linha de ônibus não depende apenas do estado do veículo. Para o passageiro, o serviço começa antes do embarque. É o tempo passado no ponto, a possibilidade de chegar ao trabalho sem precisar sair com antecedência exagerada e a confiança de que haverá outro ônibus em poucos minutos caso o primeiro passe lotado. Com 55% mais veículos nas áreas contempladas, a Prefeitura pretende aumentar a capacidade de atendimento. A nova frota poderá permitir mais partidas ao longo do dia e reforço nos horários de maior procura. Essa mudança será especialmente importante em bairros distantes do Centro, onde a viagem já é longa antes mesmo de qualquer atraso. Campo Grande, Bangu, Guaratiba, Santa Cruz, Ilha do Governador e Vila Isabel estão entre as regiões incluídas nesta fase. O edital também reúne linhas de Deodoro, Coelho Neto, Marechal Hermes e Cascadura.

Viagem começa a melhorar antes de chegar ao destino

Os 1,4 mil ônibus serão novos e terão ar-condicionado. Outra mudança estará na acessibilidade: 43% da frota terá piso baixo e motor traseiro. O piso baixo elimina os degraus tradicionais na entrada e facilita o embarque de cadeirantes, idosos, pessoas com mobilidade reduzida e passageiros com carrinhos de bebê. Não se trata apenas de conforto. Quanto mais simples e rápido é o embarque, menor tende a ser o tempo de parada nos pontos. Em linhas com grande movimento, essa diferença pode ajudar a tornar a viagem mais ágil. Os ônibus com motor traseiro também costumam oferecer um ambiente interno mais silencioso e menos quente na parte dianteira, onde ficam o motorista e os primeiros passageiros.

Ilha do Governador terá troca de empresa

Na Ilha do Governador, a mudança terá outro peso. Eduardo Cavaliere afirmou que a nova licitação deverá encerrar a operação da Transportes Paranapuan na região. A empresa é alvo frequente de reclamações relacionadas ao serviço prestado. Com a entrada de uma nova operadora e de veículos zero quilômetro, a Prefeitura tenta reorganizar um atendimento que há anos provoca insatisfação entre os moradores. A substituição da empresa, contudo, não resolverá automaticamente todos os problemas. A melhora dependerá do número de ônibus destinado a cada linha, dos intervalos definidos, da manutenção da frota e da fiscalização diária da operação.

Novo modelo tenta evitar que bairros fiquem sem interessados

Esta etapa também inclui um conjunto de linhas de Deodoro, Coelho Neto, Marechal Hermes e Cascadura que não recebeu propostas na primeira concorrência, realizada em fevereiro. Na ocasião, o Grupo Comporte venceu dois lotes da Zona Oeste, com início da operação previsto para o próximo mês. Agora, a Prefeitura oferece quatro garagens públicas às futuras concessionárias. A medida reduz uma das despesas necessárias para entrar no sistema e pode aumentar o interesse das empresas. O edital também prevê um bônus de 12% na remuneração para as operadoras que utilizarem ônibus elétricos.

Renovação seguirá até 2028

A mudança será feita por etapas. Depois das regiões incluídas neste edital, a Prefeitura pretende licitar linhas da Barra da Tijuca, Recreio, Jacarepaguá, Penha e São Cristóvão. A sequência deverá chegar a Irajá, Méier, Pavuna e áreas ainda não atendidas de Campo Grande e Guaratiba. Madureira, Tijuca e Centro ficarão para a fase final. O plano municipal é substituir gradualmente o sistema atual, dividido entre quatro consórcios, por 34 lotes individuais até 2028. Para o passageiro, o sucesso dessa reorganização será percebido de maneira simples: menos tempo parado, mais opções de viagem e ônibus em condições melhores. A quantidade anunciada cria essa possibilidade. A operação diária mostrará se ela chegará aos pontos e terminais da cidade.

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