Frota climatizada traz recursos de acessibilidade e segurança; três trajetos foram ampliados para atender novas localidades
Quem depende dos ônibus para trabalhar, estudar ou acessar serviços em Campo Grande e bairros próximos passou a contar com 54 veículos novos em sete linhas municipais. A frota entrou em circulação no domingo (30) como parte da implantação do Sistema RIO na Zona Oeste.
Para o passageiro, a mudança mais visível está dentro dos veículos: ar-condicionado, tomadas USB, informações eletrônicas sobre a viagem e equipamentos de acessibilidade. Três linhas também tiveram o itinerário alterado para alcançar áreas que antes não faziam parte do trajeto.
A entrega ocorreu uma semana após 115 ônibus começarem a operar na região de Santa Cruz. Somadas, as duas áreas receberam 169 veículos novos durante agosto. Prefeitura do Rio.
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O que muda dentro dos ônibus
Os veículos destinados a Campo Grande têm identificação visual predominantemente laranja e incluem modelos midi e miniônibus.
Além da climatização e das entradas USB, a frota possui painéis eletrônicos com informações da viagem, sistema de som e avisos sonoros automáticos das próximas paradas. Esses recursos facilitam a orientação de passageiros que não conhecem o percurso e ampliam a autonomia de pessoas com deficiência visual.
Os ônibus básicos possuem piso baixo, três portas e rampa de acessibilidade. O sistema permite reduzir a altura do veículo durante o embarque, facilitando a entrada de cadeirantes, idosos e pessoas com mobilidade reduzida.
A Prefeitura apresentou o recurso como uma forma de oferecer mais autonomia ao passageiro, sem depender exclusivamente de ajuda para acessar o coletivo. Secretaria Municipal de Transportes
Sete linhas recebem os novos veículos
A primeira operação do Sistema RIO em Campo Grande contempla quatro linhas sem alteração de itinerário:
- 821: Campo Grande – Corcundinha, circular;
- 822: Campo Grande – Corcundinha, circular;
- 869: Campo Grande – Santa Margarida, circular;
- 893: Jardim Palmares – Campo Grande.
Outras três linhas passaram a atender novos trechos:
| Linha | Mudança para o passageiro |
| 808 — Sagrado Coração–Campo Grande | Passa a ligar Sagrado Coração, em Paciência, a Campo Grande, passando pelo West Shopping, Estrada do Tingui e Avenida Brasil |
| 841 — Vilar Carioca–Campo Grande | Foi ampliada em um quilômetro até o Ciep 432 Alberto Cavalcanti |
| 833 — Conjunto Manguariba–Campo Grande | Passa a atender o Conjunto Campinho pela Rua Frei Timóteo |
As mudanças aproximam os ônibus de moradores do Vilar Carioca e do Conjunto Campinho e criam novas possibilidades de acesso ao centro comercial de Campo Grande.
Segurança para passageiros e motoristas
Os ônibus possuem câmeras de monitoramento, velocímetro interno e um painel que permite acompanhar as imagens captadas dentro do veículo.
Um botão de emergência poderá ser acionado em casos de pânico ou assédio. Também existe bloqueio automático da aceleração quando as portas estão abertas, reduzindo o risco de movimentação do ônibus durante o embarque ou desembarque.
A frota inclui ainda dois sistemas de assistência à condução. O ADAS auxilia na identificação de situações que podem resultar em acidentes. Já o DMS monitora sinais de fadiga ou distração do motorista.
Os motores seguem o padrão Euro VI, desenvolvido para reduzir a emissão de poluentes. Para quem espera ou circula diariamente perto de pontos, terminais e corredores de ônibus, a renovação pode representar menor exposição à fumaça emitida por veículos antigos.
GPS permite fiscalizar viagens em tempo real
GPS, telemetria e Sistemas Inteligentes de Transporte permitem que a Prefeitura acompanhe a posição dos ônibus, as viagens realizadas e diferentes indicadores da operação.
A tecnologia cria condições para verificar se os veículos estão circulando, se as partidas programadas foram cumpridas e como cada linha está funcionando. No modelo anterior, a falta de informação e de controle sobre viagens não realizadas dificultava a fiscalização do serviço.
O contrato prevê avaliações trimestrais pelo Índice de Qualidade do Transporte. Entre os pontos analisados estão regularidade das viagens, satisfação dos passageiros, idade da frota, climatização e penalidades aplicadas às empresas.
Linhas com índice inferior a 0,8 poderão perder a exclusividade e ser transferidas para outro operador ou para a gestão municipal, segundo as regras anunciadas pela Prefeitura. Prefeitura do Rio
A presença dos equipamentos, entretanto, não garante sozinha menor tempo de espera. O impacto para o passageiro dependerá da quantidade de viagens efetivamente cumpridas, da manutenção dos ônibus e da fiscalização contínua dos contratos.
Garagem concentra manutenção de até 380 ônibus
A primeira garagem pública do Sistema RIO foi inaugurada na Estrada do Campinho, em Campo Grande. O espaço tem 56 mil metros quadrados e capacidade para receber até 380 ônibus.
O local possui áreas de manutenção, abastecimento e lavagem automática, além de pátio iluminado para funcionamento noturno. Embora seja chamada de garagem pública, a construção e a manutenção são responsabilidades do operador, conforme o contrato de concessão.
Para o passageiro, a função prática da estrutura será dar suporte à operação e à conservação da frota. A disponibilidade de oficinas e abastecimento no mesmo espaço pode agilizar o atendimento de problemas mecânicos, mas o resultado dependerá da forma como a garagem será administrada.
Frota deve chegar a 316 veículos até dezembro
Campo Grande e Santa Cruz tinham, juntas, 104 ônibus nas áreas abrangidas pela primeira etapa. O planejamento municipal prevê que esse número chegue a 316 até dezembro, com a incorporação de mais 147 veículos.
Em outra etapa da licitação, a frota destinada a Guaratiba, Santa Cruz, Campo Grande e Bangu deverá passar de 654 para 1.006 ônibus — aumento anunciado de 54%.
O avanço representa capacidade adicional para reduzir intervalos e ampliar a oferta, mas essa melhora deverá ser medida pelo cumprimento das viagens e pela regularidade percebida nos pontos.
A Prefeitura afirma que, na primeira semana de circulação dos novos ônibus em Santa Cruz, o número de passageiros mais que dobrou. O dado foi mencionado pelo prefeito Eduardo Cavaliere durante a entrega em Campo Grande, mas o comunicado não apresentou a quantidade de usuários nem a metodologia da comparação.
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