Vídeo mostra templo sendo consumido pelas chamas. Polícia Civil investiga o caso
O incêndio que atingiu um templo de Umbanda e Kimbanda em Nova Friburgo passou a ser investigado como possível crime. A denúncia feita pelos próprios religiosos reacendeu o debate sobre intolerância religiosa e liberdade de culto na cidade (Veja o vídeo abaixo).
Um incêndio que atingiu um templo de Umbanda e Kimbanda – Templo de kimbanda Tranca Ruas de M’Bará Hé – em Nova Friburgo está sendo investigado pela Polícia Civil e pode ter relação com intolerância religiosa, segundo relatos divulgados pelos próprios integrantes do espaço religioso.
O caso aconteceu no último sábado (16) e mobilizou equipes do Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro, que conseguiram conter as chamas antes que o imóvel fosse completamente destruído.
Após o incêndio, os responsáveis pelo templo divulgaram um manifesto nas redes sociais denunciando ameaças, hostilidade e episódios recorrentes de intolerância contra praticantes de religiões de matriz africana.
Segundo o grupo, o espaço já convivia há algum tempo com pressão de vizinhos e olhares de reprovação relacionados à prática religiosa.
“Constatamos o que parecia improvável: crime”
No texto divulgado após o incêndio, os integrantes afirmam que a Polícia Civil enviou peritos ao local logo após a ocorrência e que os primeiros levantamentos apontaram indícios compatíveis com possível ação criminosa.
“Constatamos o que parecia ser improvável, porém não impossível: crime”, afirmou o templo em trecho da publicação.
O caso foi registrado na 151ª Delegacia de Polícia de Nova Friburgo, que agora conduz as investigações.
Até o momento, não há confirmação oficial sobre autoria ou motivação do incêndio.
Relato denuncia ameaças após o incêndio
Outro ponto que chamou atenção no manifesto foi a denúncia de ameaças sofridas pelos frequentadores logo após o incêndio.
Segundo os religiosos, pessoas próximas ao local chegaram a ameaçar integrantes do templo e acreditavam que não haveria proteção policial para o caso.
A publicação afirma que houve até ameaça de “linchamento”, situação que gerou forte repercussão nas redes sociais e mobilizou manifestações de solidariedade.
Para os integrantes do espaço, o episódio vai além do dano material causado pelas chamas.
O grupo afirma que o caso representa mais um episódio de violência simbólica e social enfrentada por religiões historicamente alvo de preconceito no Brasil.
“Resistir” virou a palavra central após o incêndio
Mesmo diante da destruição parcial do templo, o manifesto publicado pelos religiosos tem tom de resistência.
“Nossos antepassados resistiram à escravização e hoje nós resistiremos à chibata social”, escreveu o grupo.
Em outro trecho, os integrantes afirmam que Nova Friburgo “não verá como plateia nosso choro, sem que haja luta pelo direito de ser Kimbanda, de ser Umbanda, de ser”.
A mensagem passou a circular amplamente entre lideranças religiosas, movimentos sociais e moradores da cidade.
Casos de intolerância seguem preocupando
Ataques contra templos e praticantes de religiões de matriz africana continuam sendo registrados em diversas regiões do país.
Especialistas e entidades ligadas à defesa da liberdade religiosa apontam que muitos casos ainda deixam de ser denunciados por medo, constrangimento ou receio de represálias.
Em Nova Friburgo, o episódio reacendeu debates sobre convivência religiosa, respeito às diferenças e o direito constitucional à liberdade de culto.
Polícia Civil investiga as circunstâncias
A Polícia Civil deverá analisar laudos periciais, imagens e depoimentos para esclarecer o que provocou o incêndio.
As investigações seguem em andamento.
Até a publicação desta reportagem, não havia confirmação oficial de prisão ou identificação de suspeitos.
Entenda o caso
O que aconteceu? Um templo de Umbanda e Kimbanda em Nova Friburgo foi atingido por um incêndio no último sábado.
O incêndio foi criminoso? Ainda não há conclusão oficial, mas a hipótese de crime passou a ser investigada após perícia inicial e relatos dos responsáveis pelo espaço.
O caso foi registrado na polícia? Sim. A ocorrência foi registrada na 151ª Delegacia de Polícia de Nova Friburgo.
O que diz o manifesto do templo? Os religiosos afirmam que já conviviam com ameaças, hostilidade e intolerância antes do incêndio.