Pessoas dormindo na rua em frente a uma estrutura comercial fechada, com sinalização grafitada.

Prefeito de Nova Friburgo teria fechado abrigo para pessoas vulneráveis

Gigante de Nova Friburgo, sem ter onde morar, faz apelo para que Johnny Maycon reabra unidade: “Me exploraram”

Mateus Modesto, conhecido como o Gigante de Nova Friburgo, fez um apelo nas redes sociais ao prefeito Johnny Maycon para que seja mantido o abrigo destinado a pessoas em situação de vulnerabilidade. Sem casa e, segundo seu relato, sem familiares que possam acolhê-lo, ele afirma que procurou o serviço municipal, mas recebeu a informação de que o espaço não reabriria agora e só voltaria a funcionar em época de frio.

O pedido é por um lugar onde possa permanecer protegido. Mateus relata que se inscreveu para receber acolhimento e que o abrigo representava sua última possibilidade de refúgio diante da falta de moradia.

A Prefeitura ainda não se manifestou sobre o caso. Não há confirmação oficial, no material disponível, sobre a suspensão do funcionamento, a data de uma eventual reabertura ou a alternativa de acolhimento oferecida a Mateus e aos demais usuários.

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A necessidade de proteção continua depois do inverno

A preocupação apresentada por Mateus não se limita às temperaturas mais baixas do ano. Para quem vive nas ruas, a chuva, as noites frias e a falta de um espaço protegido continuam sendo problemas mesmo fora do inverno.

Em Nova Friburgo, o fim da estação não significa que todas as noites serão quentes ou que deixará de chover. Sem uma residência, também faltam condições para guardar pertences, trocar roupas molhadas e descansar em segurança.

O relato deixa uma pergunta concreta para a administração municipal: onde devem ficar as pessoas que precisam de acolhimento quando o abrigo sazonal não está funcionando?

Em divulgação anterior sobre o atendimento à população em situação de rua, a própria Prefeitura informou que disponibiliza um abrigo sazonal em períodos de baixas temperaturas ou chuvas intensas. A informação, porém, não esclarece a situação atual denunciada por Mateus nem quais critérios estariam sendo utilizados para abrir ou suspender o serviço.

Mateus diz que participou da campanha de Rodrigo Ascoly

No mesmo relato, Mateus afirma que trabalhou durante a campanha do vice-prefeito Rodrigo Ascoly, candidato do PL a deputado estadual. Segundo ele, sua imagem foi utilizada para promover o candidato, participação que descreve como a de um garoto-propaganda.

Mateus diz que, encerrado esse trabalho, continuou sem ter para onde ir e se deparou com a informação de que o local onde buscava acolhimento não voltaria a funcionar naquele momento. Ele atribui o fechamento à gestão de Johnny Maycon.

Independentemente de qualquer vínculo político, a necessidade de acolhimento permanece. O acesso à proteção social não pode depender de apoio eleitoral, participação em campanha ou proximidade com integrantes do governo.

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Defensoria já cobrou acolhimento contínuo no município

A falta de proteção para pessoas em situação de rua em Nova Friburgo já foi objeto de cobrança da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro.

Em janeiro de 2026, o órgão informou ter apresentado uma petição à Justiça apontando descumprimento de decisões relacionadas ao atendimento dessa população. Entre as providências descritas estavam a estruturação de um sistema contínuo de acolhimento, com acesso a abrigo, alimentação, higiene, separação por gênero e transporte quando necessário.

Esse histórico mostra que a discussão sobre o funcionamento do serviço não começou com a publicação de Mateus. A cobrança por uma rede capaz de atender quem não tem moradia já havia chegado ao Judiciário antes do seu apelo.

Pedido de acolhimento aguarda resposta

O caso exige esclarecimentos sobre o funcionamento do abrigo, os critérios para atendimento e o encaminhamento de pessoas que procuram proteção fora dos períodos de frio intenso.

Para Mateus, a resposta tem uma consequência imediata: saber onde poderá ficar. Seu apelo confronta a distância entre discursos de solidariedade e a assistência disponível para quem não tem uma porta à qual recorrer.

Até o momento, a Prefeitura não apresentou posicionamento sobre a situação relatada nem informou qual alternativa será oferecida. O espaço permanece aberto para esclarecimentos da administração municipal e de Rodrigo Ascoly.

Fontes do contexto consultado: divulgação da Prefeitura sobre o abrigo sazonal e publicação da Defensoria sobre a cobrança por acolhimento contínuo.

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