Operação do GAECO atinge núcleo de proteção ao jogo do bicho e envolve agentes da ativa e da reserva
Uma operação do Ministério Público do Rio cumpre 20 mandados de prisão ligados à segurança do bicheiro Rogério de Andrade. Entre os denunciados estão 18 policiais militares e penais e um policial civil inativo. As ações ocorrem em vários municípios do estado.
Nesta terça-feira, 10 de março de 2026, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro confirmou que o GAECO cumpre 20 mandados de prisão preventiva contra o bicheiro Rogério de Andrade e integrantes do núcleo de segurança ligado a ele na região de Bangu, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. De acordo com o Ministério Público, 19 policiais — entre militares, penais e um policial civil inativo — foram denunciados por integrar a estrutura de segurança da organização criminosa. O impacto imediato da operação envolve prisões simultâneas e cumprimento de mandados em diferentes cidades do estado e também em unidade do sistema penitenciário federal.
Investigação aponta proteção armada a pontos de exploração de jogo ilegal: Segundo o MPRJ, a denúncia foi apresentada após investigação conduzida pelo próprio GAECO no âmbito de um Procedimento de Investigação Criminal (PIC). As apurações indicam que o grupo atuava na segurança de pontos de exploração ilegal de jogos de azar, principalmente na região de Bangu. De acordo com os investigadores, os agentes denunciados teriam participado de um esquema sistemático de corrupção que garantiria o funcionamento das atividades ilícitas da organização criminosa.
Mandados são cumpridos em várias cidades e em presídio federal: Os mandados de prisão preventiva foram expedidos pelo Juízo da 1ª Vara Especializada em Organização Criminosa da Comarca da Capital, após pedido do GAECO. As ordens judiciais estão sendo executadas em endereços localizados nas cidades de Belford Roxo, Duque de Caxias, Mangaratiba, Nilópolis e São João de Meriti, além da Penitenciária Federal de Campo Grande. A operação conta com apoio da Coordenadoria de Segurança e Inteligência do MPRJ, da Corregedoria-Geral da Polícia Militar, da Corregedoria da Secretaria de Administração Penitenciária e da Corregedoria da Polícia Civil.
Denunciados podem responder por organização criminosa armada: Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público, os investigados devem responder pelos crimes de constituição de organização criminosa armada, com agravante pelo envolvimento de funcionários públicos. O documento do MPRJ também menciona corrupção ativa e corrupção passiva, além de ligação com outras estruturas criminosas que atuariam na exploração de jogos ilegais. De acordo com o Ministério Público, os policiais militares denunciados estavam lotados em diferentes unidades da corporação, incluindo o Batalhão de Policiamento em Vias Expressas (BPVE) e batalhões operacionais como 4º, 6º, 14º, 17º, 22º, 23º e 41º BPM.
Contexto histórico da atuação do jogo do bicho no Rio: O jogo do bicho é uma prática ilegal no Brasil desde o final do século XIX, mas permanece presente em diversas regiões do Rio de Janeiro. Ao longo das últimas décadas, diferentes operações policiais e investigações do Ministério Público buscaram combater organizações ligadas à exploração dessa atividade. Historicamente, grupos envolvidos nesse tipo de contravenção mantêm estruturas de proteção e segurança privada, frequentemente investigadas por órgãos de controle e fiscalização.
Procedimento legal segue após a denúncia: Com a denúncia apresentada, o processo passa a tramitar na Justiça especializada em crimes de organização criminosa. Após o cumprimento das prisões preventivas, os investigados devem ser apresentados à Justiça e responderão às acusações conforme o andamento do processo judicial. O Ministério Público informou que novas diligências podem ocorrer conforme o avanço das investigações.
Operação contra grupo ligado a Rogério de Andrade
Quantos mandados de prisão foram expedidos? Segundo o MPRJ, foram expedidos 20 mandados de prisão preventiva.
Quem são os investigados na operação? O bicheiro Rogério de Andrade e 19 integrantes do núcleo de segurança ligado a ele, incluindo policiais da ativa e da reserva.
Quais crimes estão sendo investigados? Constituição de organização criminosa armada, corrupção ativa e corrupção passiva, segundo o Ministério Público.