Animais resgatados na Operação São Francisco: tartarugas, tucano e macaco em gaiolas.

Polícia Civil prende 17 em megaoperação contra tráfico de animais; TH Joias está entre os alvos

A maior operação da história contra tráfico de animais. Veja os detalhes

A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou, nesta terça-feira (16), a Operação São Francisco, considerada pela instituição a maior ação já realizada no país contra o tráfico de animais silvestres, além do comércio ilegal de armas e munições. Segundo a corporação, cerca de mil agentes saíram às ruas para cumprir 45 mandados de prisão preventiva e 275 de busca e apreensão em diversas regiões do estado, além de pontos em São Paulo e Minas Gerais. Até a última atualização, 17 pessoas foram presas e dezenas de animais resgatados.

Confronto na Mangueira e envolvimento de político

Na capital, um dos focos foi a comunidade da Mangueira, na Zona Norte, onde equipes foram recebidas a tiros. Entre os investigados está o ex-deputado estadual TH Joias, preso anteriormente em outra operação, apontado agora como comprador de ao menos quatro macacos. “Além do crime ambiental gravíssimo, o grupo ainda comercializava armas e munições usadas em outros delitos”, destacou o secretário de Polícia Civil, delegado Felipe Curi.

Como atuava a organização criminosa

As investigações revelaram uma rede estruturada, com diferentes núcleos de atuação:
  • Caçadores (mateiros): responsáveis pela captura em áreas de mata, como a Floresta da Tijuca e o Horto.
  • Atravessadores: encarregados do transporte até centros urbanos.
  • Falsificadores: criavam documentos e selos públicos falsos para dar aparência de legalidade aos animais.
  • Núcleo de armas: fornecia armamento para proteção das atividades ilícitas.
  • Consumidores finais: compradores identificados em feiras clandestinas, como as da Pavuna e Duque de Caxias.
De acordo com a Polícia Civil, havia até um grupo especializado em primatas, que caçava e dopava macacos antes de colocá-los no mercado ilegal.

Resgate e acolhimento dos animais

Na Cidade da Polícia, foi montada uma base para receber os animais apreendidos. Eles estão sendo avaliados por peritos criminais e veterinários voluntários. Depois do atendimento inicial, serão enviados a centros de triagem, onde passarão por reabilitação antes da possível reintegração à natureza.

Força-tarefa com várias instituições

A ação é coordenada pela Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA) e conta com apoio do Ministério Público do Rio de Janeiro (Gaema/MPRJ), Instituto Estadual do Ambiente (Inea), Ibama, Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal. A Polícia Civil reforça que a operação representa um marco no combate a crimes ambientais e à ligação direta entre o tráfico de animais e outras atividades criminosas.

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