Imóvel ainda está em disputa judicial. Edital municipal prevê centro de inteligência artificial
O imóvel fica em Botafogo, na Zona Sul da Rio de Janeiro, e será levado a leilão em 31 de março com exigência de implantação tecnológica. A disputa judicial ainda está em andamento e amplia o debate sobre segurança jurídica urbana. Botafogo Grupo Sendas Fundação Getulio Vargas
Nesta terça-feira, 17 de março de 2026, às 12h40, foi confirmado pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Licenciamento da Prefeitura do Rio de Janeiro que o leilão do imóvel localizado na Rua Barão de Itambi, em Botafogo, está mantido para o próximo dia 31 de março, mesmo com o processo de desapropriação ainda em análise judicial. O edital fixa lance mínimo de R$ 36 milhões e determina que o futuro comprador implante obrigatoriamente um centro educacional voltado à pesquisa em inteligência artificial, incluindo estrutura para supercomputadores, laboratórios e áreas acadêmicas.
Disputa judicial segue aberta e edital transfere risco ao comprador: De acordo com o edital, a venda ocorrerá sob condição suspensiva: isso significa que o comprador poderá vencer o leilão e pagar pelo imóvel, mas só assumirá a propriedade definitiva após conclusão judicial da desapropriação. Na prática administrativa, isso transfere ao investidor parte do risco jurídico do processo, porque eventual indenização superior ao valor ofertado poderá gerar custo adicional ao arrematante, incluindo diferenças financeiras e despesas processuais. Esse modelo amplia a exigência financeira do certame e restringe o universo de participantes a grupos com alta capacidade de investimento e segurança patrimonial.
Prefeitura sustenta interesse público e cita Plano Diretor: Segundo nota da secretaria municipal, a hasta pública está prevista no Plano Diretor do Rio como instrumento de requalificação urbana para imóveis considerados estratégicos. A prefeitura afirma que a proposta busca consolidar um polo tecnológico na região, inspirado em iniciativas recentes de inovação urbana adotadas na cidade, com estímulo à pesquisa, formação acadêmica e desenvolvimento econômico. Também está prevista a abertura de nova passagem para pedestres entre a Rua Barão de Itambi e a Rua Jornalista Orlando Dantas, além de implantação de área pública aberta no entorno.
Grupo Sendas questiona viabilidade técnica do projeto: O Grupo Sendas, atual proprietário, sustenta que a escolha do terreno apresenta limitações técnicas. Segundo manifestação da empresa, a maresia típica da região pode acelerar corrosão em equipamentos eletrônicos sensíveis, especialmente em estruturas destinadas a supercomputadores de alta performance. Informações apresentadas pelos proprietários também indicam lençol freático elevado, fator que poderia dificultar a implantação de infraestrutura subterrânea para energia e resfriamento.
Imóvel estava em funcionamento antes da desapropriação: Um dos principais pontos do debate é que o prédio não estava abandonado. Antes da desapropriação, funcionavam no endereço um supermercado, uma academia e um polo de apoio universitário, situação que diferencia o caso de outros imóveis urbanos anteriormente enquadrados em processos semelhantes. Essa característica foi citada pelo vereador Pedro Duarte, que questionou a aplicação do instrumento jurídico criado originalmente para imóveis degradados ou sem função social ativa.
Projeto apresentado prevê centro de IA com seis pavimentos: A Fundação Getulio Vargas já apresentou estudo preliminar para implantação de edifício com seis pavimentos, incluindo laboratórios, auditórios, biblioteca e galeria temática dedicada à inteligência artificial. A proposta também reserva áreas técnicas para supercomputadores em subsolo, o que reforça a discussão sobre viabilidade estrutural apontada pelos proprietários.
Moradores relatam preocupação com perda de serviços no bairro: Moradores do entorno afirmam que supermercado e academia tinham papel importante no cotidiano local. Além da retirada de serviços de conveniência, há receio sobre impacto na circulação urbana e possível redução de movimento comercial em trecho residencial de Botafogo. Em situações anteriores na Zona Sul, mudanças bruscas de uso urbano geraram debates semelhantes sobre mobilidade, segurança e vocação comercial de quadras consolidadas.
Atualizado às 12h41: A administração municipal mantém o cronograma do leilão e não indicou suspensão até o momento, apesar da disputa judicial ainda sem sentença definitiva.
Entenda o caso de Botafogo
O leilão pode ocorrer antes do fim da desapropriação? Sim. O edital prevê venda com condição suspensiva até decisão judicial final.
Quem é o atual proprietário do imóvel? O Grupo Sendas mantém a propriedade enquanto a desapropriação não é concluída.
Qual uso será obrigatório no local? Centro educacional e de pesquisa em inteligência artificial.