Tornozeleira eletrônica danificada em pulso, relacionada a Jair Bolsonaro.

PF divulga imagens e relatório que detalham a violação da tornozeleira eletrônica por Jair Bolsonaro

Vídeo anexado ao processo mostra imagens inéditas. Veja na reportagem

Documentos e vídeos da Polícia Federal mostram Jair Bolsonaro admitindo ter usado um ferro de solda na tornozeleira eletrônica antes de ser preso preventivamente. O material aponta marcas de queimadura e sinais de violação no equipamento.

PF DETALHA VIOLAÇÃO NA TORNOZELEIRA ELETRÔNICA

A Polícia Federal divulgou novas imagens que fazem parte do processo que resultou na prisão preventiva de Jair Bolsonaro. Os arquivos mostram o ex-presidente admitindo ter utilizado um ferro de solda para danificar a tornozeleira eletrônica que usava por determinação judicial. Informações incluídas no processo apontam que o equipamento apresentava marcas de queimadura, sinais de superaquecimento e danos no compartimento externo, o que motivou a análise técnica imediata pela equipe responsável pelo monitoramento. A partir desse material, o ministro Alexandre de Moraes determinou a prisão preventiva, citando risco concreto de fuga e tentativa de burlar a fiscalização.

DIÁLOGO REVELA DETALHES DA AÇÃO

No vídeo que acompanha o relatório enviado ao Supremo, Bolsonaro é questionado por uma servidora da Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal sobre o estado do dispositivo. Durante o diálogo, o ex-presidente afirma ter aplicado um “ferro quente” no equipamento e confirma que se tratava de um ferro de solda, ferramenta capaz de causar danos estruturais ao material composto de plástico resistente. Segundo o documento, a primeira versão recebida pelo governo do DF afirmava que a tornozeleira teria sido danificada “ao bater na escada”. No entanto, a perícia visual constatou indícios incompatíveis com esse tipo de impacto.

RELATÓRIO APONTA MARCAS DE QUEIMADURA EM TODA A ESTRUTURA

O relatório anexo ao processo descreve que a tornozeleira apresentava queimaduras em todo o seu entorno, especialmente na área de encaixe, onde foram identificadas alterações na coloração e indícios de derretimento. De acordo com as informações técnicas, os sinais de calor eram evidentes e superiores ao que seria esperado em um acidente doméstico, reforçando a suspeita de manipulação intencional. A PF recolheu o equipamento e instalou uma nova tornozeleira após realizar testes de funcionamento, tração e sinal. A troca ocorreu poucas horas antes da prisão preventiva, segundo dados do processo.

ALERTA DISPAROU DURANTE A MADRUGADA

Informações indicam que o alarme da tornozeleira foi acionado às 0h07, o que motivou o envio da equipe responsável ao local. Às 1h09, o equipamento foi oficialmente substituído após a confirmação da violação. A escolta relatou que o dispositivo apresentava danos visíveis, e servidores registraram todo o procedimento de troca para envio imediato ao Supremo Tribunal Federal.

O QUE DIZ A DEFESA DE BOLSONARO

Aliados e advogados do ex-presidente pretendem argumentar que a violação ocorreu durante um quadro de fragilidade emocional, associado a privação de sono, estresse e uso de medicamentos. A defesa também deve sustentar que Bolsonaro acreditava que o aparelho poderia conter mecanismos de escuta, o que teria motivado a tentativa de abrir o dispositivo. Essas informações, segundo a defesa, seriam essenciais para contestar a interpretação de que a violação teria relação com qualquer tentativa de fuga.

ENTENDIMENTO DO MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES

Para o ministro Alexandre de Moraes, entretanto, a violação demonstraria “intenção do condenado de romper a tornozeleira eletrônica para obter êxito em eventual fuga”. O despacho também citou movimentações recentes de apoiadores que, segundo o documento, poderiam facilitar uma retirada rápida do ex-presidente. A decisão levou em consideração não apenas o dano ao equipamento, mas também o contexto político e a necessidade de garantir a efetividade da medida de monitoramento.

SITUAÇÃO ATUAL DE BOLSONARO

Jair Bolsonaro permanece detido na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. A defesa deve apresentar novos pedidos ao Supremo nos próximos dias, buscando reverter a decisão ou pleitear mudanças no regime de custódia.

SUA OPINIÃO SOBRE O CASO

  • Você acredita que a violação da tornozeleira justifica a prisão preventiva? • A divulgação de vídeos e documentos ajuda na transparência do processo? • Como casos assim impactam o cenário político nacional?

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